terça-feira, 28 de setembro de 2010

LAGO DE FRONTEIRA

As águas barrentas do Poty, quando as bênçãos dos céus lhes deixam existir, corroem voluptuosamente as íngremes margens areentas que logo se dissolvem e revelam as raízes sinuosas das oiticicas, dos melancólicos marmeleiros que nunca pensaram em perecer no meio desta abundante e fluvial corrente.
Lá na frente o rio enlanguesce, nos baixios. É pelo refluxo de suas águas que se deposita o sumo lodoso e rico como no Nilo bíblico: uma dádiva por uma inundação.
Mas por aqui sempre foi assim, uma terra bravia que só se apazigua quando o vigor sanguíneo do Poty lhe sacia os desejos nas entranhas, quando um vento brando lhe vem varrer a aparência esquálida amenizando uma latência desértica que sempre aflora desta sequidão .
Enquanto em sua calha atulhada só existir vento poeirento a correr fará com que os velhos mandacarus, espantalhos redivivos, como Cristos de braços abertos, lembrem promessas não realizadas por quem nunca teve intenção de cumpri-las, nem o cará aplacará a fome ao teiú e nem o carcará, com olhos de lince, encontrará alento em tanto galho seco e solidão.
Meu olhar, mesmo os olhos de muitos, sonha (Por quanto tempo, meu Deus, sonhará?) com o dia da redenção, como uma vez almejou um bardo chamado Demócrito para o seu impetuoso Jaguaribe que se esvaía ao mar. Depois de inumeráveis rogos e outras tantas súplicas aos céus, veio uma pinça hemostática salvando todo plasma, toda hemoglobina das sístoles dos invernos que não mais se foi perder no largo apetite oceânico.
Disseram uma vez que a esperança não é um sonho, mas uma maneira de traduzir os sonhos em realidade. Por isso espero, isto é, esperamos.... Sim, um coágulo de rocha é a nossa esperança antes de mais um desespero de quem gira e gira, como o surrado mundo, caindo sempre no mesmo cenário de desolação e tristeza. Que venha uma titânica represa como uma mão salvadora para estancar a milenar hemorragia do Poty, fechar o golpe na jugular da montanhosa garganta por onde escoa todo nosso abençoado líquido que representa vida e veremos que irá se comprovar o grande milagre da Saga Euclidiana no Sertão de Crateús, o intermitente poty se desdobrando num vasto mar e todas as ilusões que nos foram dadas em cem anos de promessas vãs se realizarem em um segundo... Amém!
Raimundo Candido

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

LANÇAMENTO DE LIVRO - "UM JARDIM CHAMADO NOIA" ROMANCE

A academia de Letras de Crateús
convida todos para o lançamento do livro "Um Jardim Chamado Noia", Romance do Escritor Deribaldo Santos, que se realizará no Quintal com Arte do Sindicato dos Professores, nesta sexta, 17 de setembro, às 19:00 horas.


Um Jardim Chamado Noia,
De Deribaldo Santos
A narrativa conta a saga de uma família.
- Trata-se de um romance memorialista, estruturado em curtos capítulos que correspondem a crônicas.
- Cada capítulo desenvolve em torno de uma célula dramática que reflete o cotidiano a partir da linguagem literária e da memória.
- O escritor escolhe, a partir da memória, um problema dramático, que desenvolve por meio da linguagem narrativa. É com essa linguagem que ele objetiva, reflete a memória do seu cotidiano, completando as lacunas com a criação ou ficção.
- Concorrem para a feitura da narrativa a observação da realidade, a imaginação e a memória.
PARTE I – 11 capítulos
1 O capítulo “O Cheiro do Shopping” trata do presente do narrador que tece questionamentos e denúncias sobre seu cotidiano atual, como uma espécie de novo integrante da classe média de Fortaleza. Aqui, o cheiro e a visão são usados como forma de captação objetiva da realidade que rodeia o sujeito, em busca de discutir querelas existencias e o anseio de transformar a sociedade. O deslocamento do narrador-personagem nesse meio atual será explicado e justificado em seguida, ao longo da história de sua vida em sociedade.
2 “Toda História tem seu começo”: origem da família, migração para o Rio de Janeiro, em 1968, em virtude de uma grande seca.
3 “O Jardim Noia e Suas Particularidades”: descrição e ambientação do espaço – Jardim Noia, bairro de São João de Mereti, Baixada Fluminense.
4 “A Faixa de Gaza Vietnamita”: continua a ambientação de Jardim Noia, um lugar hostil e repleto de violência.
5 “A Rua da Lama”: idem.
6 “A Varanda de Condão de Dona Clarice”: educação, primeira professora, ensino tradicional.
7 “A Prole”: enumera os integrantes da família, tios e primos, “conflituosa família” (p. 38)
8 “Água, Sede e Enchente”: trabalho comunitário para levar água potável para as residências. O narrador revela um sentimento de satisfação pelo trabalho realizado em grupo. Fala também das péssimas condições de infra-estrutura do local, principalmente quando chove.
9 “As Brincadeiras”: futebol.
10 “O Arraiá das Andorinhas”: festas juninas, o título é o nome de um arraiá, que teve grande importância na vida particular do narrador, teve um final trágico.
11 “Grêmio Recreativo Sovaco da Minhoca”: fala sobre samba e carnaval, tradição carioca; os bailes.
PARTE II – 11 capítulos
12 “Mais Flores sobre Esse Jardim”: local de produção de recursos para a criminalidade. Ao lado desse mundo, havia a luta pela sobrevivência. Fala sobre a perspectiva de vida e de futuro. O narrador retorna ao presente para fazer um contraponto entre a atualidade e aquele tempo vivido no Jardim Noia. Aqui, ele confessa serem a paixão e o conflito marcas de sua família.
13 “Seu Isidro e Dona Cassiana”: avós maternos do narrador. Conta a história de Isidro – filho adotivo de fazendeiro paraibano. Recebeu terras de herança que foram tomadas pelos poderosos. Casou-se com Cassiana sem consentimento do pai dela (motivo: racismo). Muda-se para Campina Grande.
14 “Do Brejo à Serra”: perfil psicológico do avô Isidro e as dificuldades de sobrevivência.
15 “Que Todo Sofrimento da Vida Seja ao Menos por Amor”: o namoro e o casamento de Isidro com Cassiana.
16 “Campina Grande e Sua Feira Central”: descrição e ambientação social, econômica e cultural de Campina Grande.
17 “Dona Janaína”: mãe do narrador, mulher autêntica, independente, decidida, batalhadora e generosa. O narrador confessa a tentativa de interpretar sua história. Tia Pilá cuidava à sua maneira da educação da prole.
18 “As Ilelas”: Janaína e Pilá, língua secreta usada por elas.
19 “Completando a Família”: Tio Jotão (Tia Pilá), Tia Branca (Tio Mandu), Tia Cheirosa.
20 “A Casca é Dura”: dificuldades que passaram Tia Pilá e Tio Jotão, logo após o casamento. Foram para o Rio de Janeiro, mas voltaram para Campina Grande. Vendo frustrado o sonho de tornar-se pedreiro em Campina Grande, Tio Jotão retorna ao Rio de Janeiro, depois mandou buscar a esposa, Tia Pilá. Aquisição de terreno no Jardim Noia e a heróica reforma da casa por Tio Jotão, aos domingos. A partir de então toda a família vai morar no Jardim Noia.
21 “Entre o Noia e a Noia Há Outra Opção?”: o autor-narrador tece considerações sobre a contradição do mundo objetivo. Levanta questionamentos existenciais, sobre as condições concretas e humanas, em relação à vida no Jardim Noia, onde viviam na pobreza e à beira da criminalidade, mas a família mantinha a união, talvez para assegurar a sobrevivência do grupo, em contraste com a situação atual da família que ascendeu à classe média, mas perdeu o vínculo que os unia outrora. A causa disso, o próprio narrador revela: a sociedade capitalista.
22 “Se Souber a Resposta me Diga”: o autor-narrador revela os motivos responsáveis pela saída do Noia e a volta ao Nordeste: “a união da família, associada a certos valores nordestinos”. Mais uma vez, revela a sua insatisfação com a situação atual, porquanto há contradição entre os problemas materiais resolvidos e a iminência do individualismo da nova geração.
Wellington Soares
Mestre em Literatura/Letras
UECE/FECLESC

domingo, 5 de setembro de 2010

A Nova Praça


A fotografia embotada pelo mofo e carregada de saudades que agora tenho em mãos, diz daquele momento que me dói, como em Drummond olhando sua ferruginosa Itabira estampada na parede. A imagem da praça de minha infância sai do passado escondido nesta foto descolorida e me faz lembrar uma entoada nostalgia de muitas vidas, de muitas vozes que um dia ecoaram no ar de meus dias. Eram simples, as praças, sem muitos atrativos, havia bancos encurvados de cimento sobre as sombras das verdes algarobas, que nos convidavam docemente, como se dissessem: estou aqui a sua disposição, sentem-se! E a gente tinha tanta intimidade com eles, os bancos, que sentávamos mesmo era no costado e não representava maus modos estampados aos olhos de hoje, pois era mesmo uma época de se sentar no chão, ou ficar de cócoras para uma conversa agradável sobre sombras do dia ou da noite. Logo, sentar sobre o reclinado de um banco de praça era uma prática menineira de meu tempo de praças.
Hoje, olho para o mesmo largo público que outrora era uma bucólica praça que sabia ouvir o sino da matriz nos chamados para os momentos de devoção, de alegria, de tristezas ou simplesmente para uma alegre quermesse paroquial e vejo algo diferente, moderno, mas que também chamam de praça: Praça de alimentação, acompanhando o moderno estilo de vida das grandes cidades, que me lembra até um Shopping Center colorido e piscante de feira neônica com seus aromas de óleos ensalivantes e não mais aquela luz tremeluzente e singela de outrora que ainda teima em pulsar em minha memória.
Como uma jóia no corpo de uma jovem moça vaidosa, ergue-se uma nova praça na cidade, que quer novamente ser princesa e novamente encantar e novamente embelezar como no passado recente dos meus tempos de praças. Ganhamos uma nova sala de estar, moderna, cheia de atrativos e ornamentos importantes como nos grandes centros do mundo: Praça do Ferreira, José de Alencar, Castro Alves ou na Praça da Paz Celestial. Sim, há uma nova extensão de nosso lar onde a socialização se processa.
Mas meu olhar se volta para os momentos felizes que guardo com carinho da velha praça de minha nostalgia, onde passo a passo, percorro as alamedas ensombradas pelas algarobas, e meu reservado siso compara os dois campos de urbe, o de agora e o de ontem e saudoso sussurra segredando ao meu ouvido:
- Sim, voltou! A velha praça voltou. Olhe para a multidão que passeia contente por lá! Estão como as borboletas que regressam ao ambiente que novamente ganhou vida! Mas algo importante falta ao lugar para ser como a aprazível praça do ar de meus dias. Falta o carinho que as “algarobas” lançam no ar, falta os desvelos feitos de leves sombras que amenizam a rijeza da luz e implantam todo encanto natural que somente uma árvore sabe implantar.
Raimundo Candido

domingo, 29 de agosto de 2010

CORAGEM

Vagas por estradas tenebrosas
Caminhos desertos
Noites escuras

Andas por mares agitados
Rios correntes
Tempestades tremendas

Atravessas os portais dos tempos
As ruas das utopias
As avenidas das projeções

Pisas sobre o chão de pedreiras
Sob as nuvens de sonhos
Sobre o solo fervente

Corre na velocidade dos moinhos
No tic tac dos relógios
Na lentidão dos dias amargos

Vive sobrevivendo às derrotas
Levantando-se à queda
Agarrando-se a esperança

És a fortaleza dos homens fracos
A fraqueza dos que não choravam
És tudo de quem só a ti tem

És a força que move o passo
A mão que chama e expulsa
És o olhar que encherga o abismo

Não és louca ou delirante
Nem tampouco realista
Vai além do que se pode

É o que move e estaciona
Leva o homem ao seu destino
Faz caminhos no impenetrável

O que nos leva ao impossível
Pela estrada dos ideais
É somente tu, coragem.

Isis Celiane

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

KARATYS

KARATYS
Aldo Costa

Minha terra tem mais luz
Tem a benção de Jesus - e do Senhor do Bonfim
Uma história que traduz
Nossa luta que reluz
Minha terra é Crateús

Não tem mais hospitaleira
Mais pacata, mais ordeira
Prazerosa aos habitantes
Calorosa aos visitantes
Já foi Fazenda Piranhas
Vila Príncipe Imperial
A beleza das mulheres
É seu referencial

Piauiense nasceu
mas por pura afinidade
Por Luis Correia em troca
Mudou de naturalidade
Nossa história, nossa origem
Ferreirinha sabe bem
Dos "onze" e dos revoltosos
Conhece como ninguém

Do Oeste é a princesa
Às margens do Rio Poti
Que nasce lá na Joaninha
E lhe abraça por aqui
Rasga as entranhas da serra
Fronteiras com o Piauí
Num grande Canyon que outrora
Foi berço dos Karatys

Do ex-prefeito milagreiro
Doutor Olavo Cardoso
Do nosso Primeiro bispo
Dom Antonio Fragoso
És como o primeiro amor
Apaixonante, podes crer!
Quem bebe da sua água
Jamais lhe vai esquecer!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

OUVIDO DE MERCADOR

OUVIDO DE MERCADOR
De: Aldo Costa

Chora à cântaros meu coração
Como vidro todo encanto se quebrou
Desde que você se foi e me deixou
Naufragando, em pedaços de ilusão

Chora à cântaros meu coração
Oprimido, solitário caracol
Que nem peixe fisgado no anzol
Buscando uma tábua de salvação

Coração, dá um tempo mas não pare prá pensar
Tem alguém querendo te disritmar
Fazer graça sempre que me ver sofrer

Coração, não faças ouvido de mercador
Sabes que meu sofrer é puro amor
Me ensina a buscar outro querer.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

ESTÁ CHOVENDO RECONHECIMENTO NAS TERRAS CARATIUENSES

Apesar da seca transcorrida em 2010, talvez uma das mais severas dos últimos 100 anos, ultimamente tem serenado prêmios por essas bandas de cá. Raimundo Cândido, em Bragança Paulista, Elias de França, Lourival Veras e Lucas Evangelista na Secult e agora Luciano Bonfim na Funarte.
Prêmios, nos níveis desses aqui tratados, são muito significativos, principalmente quando se concentram em bom número numa cidade do sertão nordestino como Crateús. Demonstram a busca por saciar as fomes, não apenas de comida e bebida, mas também de diversão, arte, criatividade, originalidade, cultura, enfim, de sentidos para uma vida mais repleta e sublime.
Os prêmios significam reconhecimento de produção literária de altíssimo nível, posto que os autores contemplados submetem anonimamente suas produções a rigorosa avaliação de corpo de jurados altamente qualificado, onde se dá escolha dos melhores dentre centenas, milhares de outros trabalhos tambem de alto nível, dos mais variados estilos e autores, inclusive os dos grandes centros de produção cultural do Estado e do País.
Crateús pode e deve Celebrar com entusiasmos esses valiosos reconhecimentos que, uma vez dirigidos a seus filhos, são tão seus também, pois um povo faz uma cidade e a cidade faz seu povo.

terça-feira, 13 de julho de 2010

QUEM SABi SABE!!!




14/07/2010 - Um vestido e um amor - sessão Cine Poty às 19:30h (Entrada Livre)

17 e 18/07/2010 - Feira Circulando Livros - Anfiteatro da praça da Matriz a partir das 18:00h

20/07/2010 - Brincadeiras Populares no quintal da Casa de Cultura de 09:00 às 10:30h.(Entrada Livre)

21/0/07/2010 - Dia da Animação (animação para criança) - sessão Cine Poty - 19:30h.(Entrada Livre)

22/07/2010 - Contação de História para Criançada - Quintal da Casa de Cultura das 09:00 às 10:00 h.(Entrada Livre)

28/07/2010 - A marvada carne - sessão Cine Poty

ENTRADA GRATUITA EM TODOS OS EVENTOS, PARTICIPE!
OBS: Programação Sujeita a Alterações.

Realização:
SABi - PC Cultura é para Todos
Casa de Cultura João Batista

EXCELENTE PROGRAMA PARA TODA A FAMILIA - FEIRA CIRCULANDO LIVROS


DIAS 17 E 18 DE JULHO
NA PRAÇA DO ANFITEATRO EM CRATEUS

segunda-feira, 5 de julho de 2010

ESPANHA X PARAGUAI

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......Tudo bem, é um filme que se repete. Futebol tem disso, nem sempre é o melhor quem vence. Se o Brasil foi despachado que venha pra casa e só alguns jogadores. Sabemos que a grande maioria ficará por lá mesmo enchendo os bolsos de euros! Já enxugamos as lágrimas, iremos assistir o restante da copa sem muito abalo no coração. Em compensação a nossa arquiinimiga Argentina saiu de quatro, uma situação mais inconveniente que a nossa. ............................................
;;;;;Estou aqui, sábado 3 de julho, de novo na minha rede, um divã inspirativo que aqui e acolá me faz meditar e viajar por lembranças tão antigas e visões nem tão futuras. Mas agora assisto Paraguai vs Espanha, outro jogão. A terra de la mancha e das touradas credenciada ao título joga um futebol encorpado com toque de bola coletivo num misto de técnica e muita garra que lhe valeu a alcunha de fúria. Já o Paraguai faz sua melhor campanha em copas do mundo, tem uma defesa segura mas contou com a sorte para passar pelo Japão nos pênaltis e como é considerado o azarão nas casas de apostas tudo indica que, com licença do trocadilho, é realmente um “cavalo paraguaio”como o time de Dunga que me deixou muito triste.
Termina o primeiro tempo: 0 x 0, e enquanto isso meus dedos tamborilam por essas negras teclas. Aceito novamente o convite de minha rede para devaneios circunstanciais por outros ares onde se agitava os estandarte espanhois enfincado a custa do aço da espada e chego até a ouvir o estampido da pólvora no solo paraguaio quando era habitado por índios guaranis, gaycurus e payaguás. Em 1530, teve início a colonização espanhola, quando foi criado o forte de Nossa Senhora da Assunção (atual Assunção), a população nativa foi escravizada durante séculos, esse fato impulsionou a realização de missões jesuítas com o intuito de proteger os índios. O problema foi que por mais que os jesuítas fossem capazes de fazer um bom trabalho acolhendo os índios sem matá-los, quando esses eram “domesticados”, aprendiam a língua espanhola, a religião católica, e aperfeiçoavam seus conhecimentos de agricultura, estavam perfeitos para serem roubados pelos colonizadores espanhóis para serem forçados a trabalhar como escravos nas minas de ouro e prata. Foi um processo de genocídio e etnocídio violento, extenso e prolongado que resultou no maior massacre de comunidades indígenas da história.
;;;; há pouco tempo (1865-1870) Paraguai perdeu dois terços da população adulta masculina e muito do seu território na desastrosa guerra da Tripla-Aliança atiçada pelo imperialismo inglês para favorecer seus interesses, obrigando Brasil, Argentina e Uruguai a detruí-lo economicamente. Já que estamos relembrando nosso vizinho vale ressaltar que após tudo isso por que passou, o Paraguai continua um dos país com maior índice de corrupção ( mais que o Brasil, acreditem) e de pobreza do mundo. Sofreu pela ganância dos poderosos que dominavam para “tirar” suas riquezas e pelas mãos de caudilhos, chefes políticos e militares irresponsáveis que incutiram sofrimento, atraso, dor e morte. Recordando uma frase de Ernesto Che Guevara "as tantas rosas que os poderosos matem nunca conseguirão deter a primavera" acreditamos que existe uma superação para tudo e a esperança por mais que sofra nunca morrerá.
........Volto ao jogo, 1 x 0 para a Espanha e Paraguai tem que voltar pra casa para repensar em seus problemas seculares, que sãoos mesmos do Brasil, mas por sorte retornaremos no mesmo voo do continente africano para America do sul: Brasil, Argentina e Paraguai , como irmãos, deixando o Uruguai como único representante das Américas respirando ainda algum sonho futebolístico para encobrir tanta injustiça que reina por este lado de cá.

..........................................Raimundo Candido

PATRONOS DA ALC - MEMORIAL

Maria Gláucia Menezes Teixeira Albuquerque

No dia 29 de março de 1953, em um Domingo de Ramos, na cidade de Crateús à Rua Frei Vidal da Penha 1500, as 14:30h nascia uma linda menina, a oitava, de uma prole de onze filhos de Raimundo Candido Teixeira e Maria Delite Menezes Teixeira.

O ano 1953 foi marcado por grandes transições políticas para a queda de Getúlio Vargas. Dr. Juscelino Kubitschek fazia política em Minas Gerais e seria em seguida o novo Presidente da República. O Ceará era governado por Raul Barbosa e administrava Crateús o Prefeito João Afonso de Almeida Vale.

Começava a grande aventura da televisão com a TV Tupi e o Brasil era o 4º País a ter esta inovação, sendo até então o rádio – a grande diversão nacional – preterido lentamente pela TV. Era essa a realidade do início da década de 1950.

No dia 19 de abril às 8:00h a menina foi batizada pelo Pe. Tupinambá Melo na Matriz do Senhor do Bonfim recebendo o nome de Maria Gláucia e tendo por padrinhos os tios que moravam em São Paulo, Milton Evaristo e Marinete Menezes, irmã de sua genitora. Os padrinhos foram representados por seu avô Júlio Facundo e Adonor Melo Lima e era vigário da Paróquia de Crateús o inesquecível Pe. Bonfim.

Maria Gláucia sendo uma das filhas mais novas e tendo ficado órfã de pai aos 10 anos, apegou-se de forma especial à sua mãe, transformando-a em sua melhor amiga e por ela sempre demonstrou grande afeição. Era uma menina doce, fina, amável e atenciosa para com todos, mas com a mãe o tratamento era excepcional, causava admiração.

Fez o Curso Primário, hoje, Fundamental no Externato Nossa Senhora de Fátima, escola de sua mãe, onde anos depois exerceu o cargo de Diretora Pedagógica. Aos 16 anos, incentivada por sua mãe, alfabetizou um grupo de operários da REFESA em Crateús, tornando-se assim Professora, muito cedo. Daí então não parou mais de lecionar e exerceu esta atividade em várias séries do ensino fundamental desta conceituada escola.

Professora vocacionada como sua mãe e irmãs, possuía a competência e habilidades naturais e aperfeiçoadas de uma exímia educadora. Exerceu a atividade de Professora no Externato até mudar-se para Fortaleza em 1974 para cursar ensino superior. Mesmo residindo em Fortaleza voltava sistematicamente a Crateús para diligências pedagógicas, mantendo-se na direção e administração desta escola – a escola da dona Delite, de 1979 a 1986.

De 1974 a 1978 lecionou na Escola de 1º Grau Eudoro Correia e Complexo Escolar Antonieta Siqueira, como Professora Polivalente, em Fortaleza. Mais tarde foi transferida destes Colégios para o Colégio Estadual Liceu do Ceará , ensinando Técnicas Industriais e Administração de Empresas no nível médio, até 1980. Período que também lecionou na Escola de 2º Grau Adauto Bezerra.

Foi Assessora Técnica em Educação no Município de Maracanaú, de 1997 a 1998. Lecionou no Curso de Pedagogia da Faculdade Integrada Christus, de 1998 a 1999, assim como na Faculdade FIC, na Universidade do Vale do Acaraú, na Faculdade Farias Brito ministrando disciplinas em Cursos de Especialização.

Em 1997 passou a ser Professora da UECE, quando ingressou no Departamento de Fundamentos da Educação do Curso de Pedagogia da UECE pelo Programa de Bolsa de Transferência Tecnológica da FUNCAP. A partir do ano 2000, após aprovação no processo de seleção passou a ser professora substituta. Em 2003 foi admitida através da Portaria Nº 0103/2003, para o cargo de Professor Assistente Nível V, do Grupo Ocupacional Magistério Superior, lotada no Centro de Educação, em regime de 40h semanais de trabalho, com dedicação exclusiva. Teve ascensão funcional para Professor Adjunto, Nível IX.

Maria Gláucia era pesquisadora da UECE, investigava a gestão do Projeto Educativo das Escolas de Ensino Médio no Ceará, em face de políticas e práticas modernizantes. Sondava a gestão educacional como ferramenta propulsora da efetivação das mudanças propostas pelo projeto político, assim como a adoção de teorias e práticas no sistema educacional influenciadas por experiências de organização da estrutura produtiva e instâncias empresariais. Investigava formas de democratização, participação, descentralização e a qualidade das escolas. Questionava os desdobramentos operados na escola na década de 1990, em função das propostas de modernização da gestão escolar, mediante processo de planejamento, da dinâmica institucional e interinstitucional da escola pública de ensino médio. Examinava conteúdos e fundamentos das diretrizes norteadoras da gestão escolar, da dinâmica institucional nos processos de planejamento das dimensões: pedagógica e financeira.

Sua pesquisa envolvia alunos de Graduação e Mestrado acadêmico em Educação. Trabalhavam na sua equipe os colegas: José Eudes Baima Bezerra, Francisco Carlos Araújo Albuquerque e Jeannette Filomeno Ramos.

Grande pesquisadora, uma investigadora científica. Era membro da ANPED desde 1997, participou de 10 bancas de mestrado e 6 qualificações de doutorado.
Integrante do Grupo EDUCAS, coordenava um Projeto de Pesquisa recém aprovado pelo Edital Universal do CNPq, mas não teve tempo de aplicar os recursos financeiros disponibilizados pelo Conselho Nacional de Pesquisa para suas investigações, tendo sido devolvido este recurso financeiro.

Seu crescimento pessoal e pedagógico parou em dezembro de 2008, pelo desígnio de Deus quando fez seu retorno à Casa do Pai. Faleceu em 30 de dezembro de 2008, mas sua dedicação ao Ensino Público de boa qualidade a fará imortal nos livros, nas escolas por onde passou e no Centro de Educação da Universidade Estadual do Ceará.

Maria Gláucia era casada com o Engenheiro Dr. Bismark Albuquerque Filho e deixou duas lindas filhas: Ingrid Menezes Albuquerque (22 anos) e Érika Menezes Albuquerque (20 anos), ambas universitárias.

Escreveu os seguintes livros
Política e Gestão Educacional: contextos e práticas. Fortaleza: Ed.UECE, 2008.
Estrutura e Funcionamento da Educação Básica. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2002.
Política e Planejamento Educacional. Fortaleza: Edições demócrito Rocha, 2002.

Assim como Capítulos de livros tais como

Albuquerque, M.G.M.T.; Farias, Isabel Sabino – A educação para a juventude na perspectiva dos usuários do PROJOVEM em Caucaia-Ce. In: Educação Básica Contemporânea: Política, Planejamento e gestão. 1ª ed. Fortaleza: Ed UECE, 2008.
Albuquerque, M.G.M.T.; Farias, Isabel Sabino – A educação para a juventude na perspectiva dos usuários do PROJOVEM em Caucaia-Ce. In : Política e gestão educacional: contextos e praticas. 1ª ed . Fortaleza: ed. UECE, 2008.
Albuquerque, M.G.M.T. – O lugar da escola no planejamento educacional: contextos e conceitos necessários a formação docente. In :Formação e prática docente Ed. Fortaleza: Ed. UECE, 2007.
Albuquerque, M.G.M.T.- Para aprender a aprender In: Educação: olhares e saberes. 1ª Ed. Fortaleza : Edições Demócrito Rocha, 2001










quinta-feira, 1 de julho de 2010

UM ANO DE ACADEMIA DE LETRAS EM CRATEUS


Era 13 de junho, dia de Santo Antonio. Nas ruas e terreiros desses vales Potis os crateuenses abrasavam suas fogueiras honrando a tradição dos Santos Juninos Nordestinos e, no Teatro Municipal Rosa Moraes, vinha à luz um rebento, de nome feminino que, mesmo recém nascido, valia a síntese de 22 feitores de palavras: A Academia de Letras de Crateús – ALC.


É do gênero dos entes sociais a quem as tradições costumam atribuir grandes poderes, inclusive o da imortalidade dos seus integrantes, mas sobretudo o poder de congregar a fonte da palavra lúdica, das frases e versos capazes de materializar a sensibilidade dos poetas, as verdades sutis, a beleza nos pequenos detalhes e na singeleza da vida, tornando sublimes as expressões dos sentimentos.


Para tamanhas pretensões, um ano é só um pequeno lapso de tempo, mas ainda assim a nossa jovem Academia deu muito o que falar. Seu nome foi lembrado nas principais ações culturais da cidade, sendo convidada para solenidades de formaturas da Faculdade, lançamentos de livros, eventos artísticos e culturais, alem de ser festejada como força motriz nascente da literatura, aqui e em outros lugares Brasil-a-fora que da mesma tenham tomado conhecimento.


E quando precisou erguer a voz e subir o tom, a Jovem Academia não se omitiu. Assim ocorreu quando a nossa biblioteca pública estava ameaçada de ser demolida, em virtude de um projeto de construção de praça, a ALC agiu incisivamente em defesa da nossa casa de leituras chamando à reflexão as autoridades, fazendo que fosse revisto o projeto.


Um único ano também foi bastante para, das hostes da ALC, viessem a ser lançados mais 6 livros de nossa terra, tendo como autores, alem deste que vos escreve, Padre Geraldino, Flavio Machado, Junior Bonfim e Raimundo Cândido. E quando lá na Capital acontecia a Bienal Internacional do Livro, a maior de todos os tempos no Ceará, lá estivemos para participar do Lançamento da segunda coleção PAIC prosa e poesia, de edição da SEDUC, da qual somos parte com o livro “zungo, zunzungo” de literatura infantil, e o Mestre Lucas Evangelista com sua banca de cordéis encantando a todos com suas rimas.


Nesta Academia de Letras ainda tão menina, já se podem ver e espera-se que tenham assento, sejam como membros ou patronos, as mais importantes mãos que materializaram em letras esta terra e seu povo, tanto aqueles até então conhecidos, como os que hão de vir.


Academias de Letras existem para serem o oxigênio que há de fomentar acesa a chama da criatividade da palavra, para todo o sempre, ainda que o curso da história, tangida pela modernidade fantástica e, às vezes, quase estúpida, chegue a impressionar aos olhos com suas geringonças sensacionais. E a nossa ALC assim se constituiu, como que nascida das chamas de todas aquelas fogueiras acesas em 13 de junho de 2009, broto desses Sertões, predestinada a semear versos, prosas, repentes, relaxos que sejam, como vingas de esperança na forma de letras nas mentes dos homens e mulheres que são e fazem a consciência viva do nosso povo.
Elias de França
Presidente

domingo, 27 de junho de 2010

Alemanha x Inglaterra

Hoje, 27 de junho, deitado preguiçosamente numa rede, assisto Alemanha vs Inglaterra que duelam num gramado verdinho pelas oitavas- de- final na Copa da África do Sul. No belo estádio de Soccer City em Johanesburgo , num mata-mata como chama o comentarista na TV, os dois times correm desesperadamente com a “jabulani” nos pés, com o único objetivo: o gol e vencer o adversário a todo custo, com táticas, habilidades, suor e força. A Alemanha começa vencendo com um gol de Klose que iguala, em gols, a marca do nosso glorioso Pelé e logo em seguida outro gol de Poldosk, dois a zero Alemanha, mas rapidamente o zagueiro Upson fez o primeiro da Inglaterra.
Enquanto o jogo prossegue na TV, minha mente viaja por outra batalha, outro embate severo e sem comparação, quando os dois países duelaram pelos campos de uma Europa arrasada, faminta, depredada e em ruínas num mata-mata real e vergonhoso, de sangue e lágrimas com sofrimentos sem igual na nossa historia .Uma guerra monstruosa onde milhares de jovens do mundo inteiro perderam a vida. A ganância de um monstro chamado Hitler se fazia valer, varado de fome grunhia por sangue e poder, mas rapidamente um time do bem se formou como um eixo, firme e forte, para barrar o mal que espalhava tanto sofrimento, tanta angustia e morte.
Volto a minha rede e dou graças por perceber que o duelo de hoje é só nas quatro linhas da tela de minha TV e rogo para que nunca passe novamente destas linhas, embora a ganância do mundo continue a prevalecer e a vontade de superação das nações continue a fervilhar nas veias dos homens com a mesma ambição insana que cega e mata.
A Alemanha Vence o duelo de hoje e segue para o próximo jogo, mas que os germânicos tomem cuidado porque pela frente tem um time verde e amarelo com ganância de bola, samba no pés e fome de hexa! Que venham los hermanos ou os europeus jogando abobrinha, no futebol mundial só dar canarinha!
Raimundo Candido.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

EDITAL DE CONVOCAÇÃO N° 2 /2010

Pelo presente instrumento, ficam os 22 membros efetivos da Academia de Letras de Crateús convocados para reunião extraordinária no dia 19 de junho de 2010, as 17 horas, na Casa de Arte e Cultura João Batista, para tratar da seguinte pauta: informações financeiras sobre a gestao das contas da Academia; calendário anual de reuniões da ALC; preenchimento de cadeiras vagas e apresentações dos memoriais e históricos dos sócios para a Sociedade; discussao acerca da SEDE da ALC; outros assuntos de interesse da Instituição.
Crateus, 19 de junho de 2010
A diretoria

quinta-feira, 10 de junho de 2010

DIRETAMENTE DE BRANGANÇA PAULISTA

Boa Noite a todos os companheiros(as) da ALC
Estou em Bragança Paulista para o prêmio da Antologia em homenagem ao título que a cidade recebe agora " CIDADE POESIA"Bragança é diferente das outras cidades paulistas, parece uma pequenina cidade da Europa que a gente ver em cartão postal, perdida entre as montanhas de São Paulo é poética realmente.Os escritores daqui , da ASES,se monstraram bastante interessados na academia de Crateús, me fizeram muitas perguntas e até mostrei o nosso site da ALC e novamente aquela pedra do rio poty com um poema escrito está se mostrando bastante útil.Sábado a noiite vai ser a festa do lançamento do livro que estarei levando 5 exemplares e um certificado por ter sido escolhido pra participar do mesmo. Dia 19 estarei na nossa reunião pra fazer um relatorio, acho, pois estou me sentindo um representante da ALC por aqui.Um abraço e até a próxima--
Raimundo Candido T Filho

terça-feira, 8 de junho de 2010

JOÃO ALFREDO LANÇA LIVRO EM CRATEÚS


João Alfredo lança livro sobre meio ambiente
nesta quinta-feira (10/06) em Crateús


O advogado, vereador, professor e ambientalista João Alfredo Telles Melo lança, nesta quinta-feira (10/06), às 19 horas, no auditório da Faculdade de Pedagogia de Crateús, seu mais recente livro: “Direito Ambiental, Luta Social e Ecossocialismo: Artigos acadêmicos e escritos militantes”.
Na obra, o desafio contemporâneo da superação da crise ambiental é discutido, após serem revisitadas as lutas socioambientais que marcaram as últimas décadas, bem como os debates da área do Direito em relação à questão ambiental.
O livro é enriquecido pela ilustração do artista plástico Hélio Rôla e pelas apresentações do sociólogo Michael Löwy (diretor emérito de pesquisas do Centre National de La Recherche Scientifique (CNRS) – Paris), do professor de Direito Ambiental da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), Paulo Affonso Leme Machado, e do jornalista Valdemar Menezes, editor-sênior do jornal O POVO. Também conta com as contribuições do diretor do Greenpeace, Sérgio Leitão, e do Presidente do Instituto Brasileiro de Advocacia Pública, Guilherme José Purvin de Figueiredo.

A ACADEMIA DE LETRAS DE CRATEUS TEM A HONRA DE CONVIDAR TODOS OS SEUS MEMBROS A PRESTIGIAREM ESTE IMPORTANTE EVENTO.

A DIRETORIA

RITA BORGES DISSE:

SOU CRATEUENSE, E MORO EM BRASILIA-DF.MUITO ME ALEGROU VER UM LIVRO ESCRITO POR FLAVIO MACHADO, QUE O CONHECI NOS ANOS 60/70 - ÉPOCA DE JEC E JOC...MUITO ME INTERESSEI EM ADQUIRIR OS SEUS LIVROS, PRINCIPALMENTE O "CRATEÚS...." ONDE FALA ATÉ DAS PESSOAS COMO O TORÉ, ALGUNS JOGADORES. CITA TAMBEM DONA CELSA E ESPOSO....POIS CONHEÇO TODOS OS SEUS FAMILIARES AÍ EM CRATEUS, E AQUI EM GOIANIA-GO.FICAREI MUITO FELIZ SE CONSEGUIR MAIORES DETALHES,E COMO ADQUIRI OS SEUS LIVROS.ATENCIOSAMENTE,RITA BORGESrithaborges@gmailrittaborges@hotmail.com

domingo, 6 de junho de 2010

quinta-feira, 20 de maio de 2010

VIVA A VIDA!

Tomo a liberdade de invadir o espaço do blog da Academia para dizer que hoje é meu dia de agradecer, com toda a energia da alma, a graça de viver!

Segundo estudiosos, o dia 20 é o dia da sensibilidade.

Por isso, a poesia - uma das maiores expressões da sensibilidade humana - me fascina tanto.

Posto, hoje, dois poemas: um pedaço de um poema autobiográfico recente e um dos primeiros versos livres que escrevi, aos dezesseis anos.


Júnior Bonfim

RISCOS REFERENCIAIS

Volto aos barrancos de minha infância,

Às gitiranas doiradas que me abençoaram,

Às veredas escuras que me deram a luz,

Aos frondosos mufumbos que me perfumaram,

Ao estrume azul do velho Curral,

Ao piso vermelho do amendoim original

E retomo as essenciais interrogações

Que só a mim me interessam:

- De que argila fui moldado?

- Qual o húmus que sustenta minha canafistula pessoal?

- Onde aportarei em minha errante caminhada?

Se ainda estou sem resposta,

Pelo menos um alento de carnaúba carrego,

Do drama que minha tia Dalva nunca escreveu

Do alforje curado no couro dos Vieiras

Do som do pífano do compadre Pedro Cabloco:


Dos três que passaram e do derradeiro que ficou

Uma lição recolhi, uma tocha se acendeu,

Uma lamparina permanece me alumiando a alma:


Hoje sou outro!


(...)

Daquele Mondubim branco, minifúndio da alma,

Onde abri os olhos para os espasmos da vida

Recordo ainda o corpo imponente do vovô Tetero,

O benjamim eternamente verde e meditativo,

O olor do gado insubmisso, a risada dos tios,

A meiguice da vovó com o cuscuz de cada dia,

Os jovens destemidos montando os alazões elegantes,

A freqüência desprendida dos visitantes,

As barras de doce consumidas às escondidas,

O esparramado sol matinal de domingo,

As poucas flores que nunca beijei,

Os festivais de teimosia dos familiares,

A lesma reacionária grudada no pulso de alguns,

O racismo estúpido se enredando nas veias,

A alegria que bailava no olhar das donzelas,

O ritmo contagiante do fogo crepitando,

A carne conservada na gordurosa lata

E as tardes embriagadas de sorriso e paciência.


(Júnior Bonfim)

DEZESSEIS ANOS

Dezesseis anos... instante solene
É este em que inauguramos
Na agitada bandeira adolescente
Os nossos anos dezesseis...

Que poderia eu dizer-te
Pelo teu aniversário, pela minha vida?

Só posso te dizer o que é possível
Dizer uma pessoa que ama
Com amor
O que não é amável!

Tenho apenas aquilo que é tudo:
O sorriso de infância, a alegria permanente!
E a alegria te envio
Como uma carta transparente.

Eu sou, camponesa, o errante menino
Que não se banha com lágrimas
Nem experimenta roupas de tristeza.

Ando somente com uma luz suave
E tudo aquilo que me toca
Sente o poder da amizade.

Agradam-me os violões
E as músicas que lhes saltam.

Admiro os pássaros... e quando saio voando
Tenho o coração mais vasto que o horizonte azul,
E o Sol luminoso a cada dia de Paz
Afasta de mim as dores e cicatrizes.

Para esta aventura te convoco, amiga,
Como uma abelha que convida outra abelha
Para conhecer a Árvore de Mel.

Quero que a partir de agora passes
A pertencer ao que é fecundo e germinal:
À vontade de nascer – das sementes
À teoria silenciosa – das noites
À fúria juvenil – dos ventos
À claridade derramada – das manhãs
À floração colorida – das primaveras!

Sou apenas aquilo que não sou
E por isso te desejo que sejas
Aquilo que hoje tu não és!


(Júnior Bonfim, em "Poesias Adolescentes e Maduras")

sexta-feira, 14 de maio de 2010

EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE REUNIÃO DA ALC

ACADEMIA DE LETRAS DE CRATEÚS - ALC

EDITAL DE N° 001 - CONVOCAÇÃO DE REUNIÃO DA ALC

Pelo presente edital, ficam convocados os 22 sócios da Academia de Letras de Crateús - ALC para reunião ampla que se realizará no dia 22 de maio, às 16 horas, na Casa de Cultura João Batista, situada a Rua Francisco Sá, proxima ao Colégio Regina Pacis, para tratar da seguinte pauta: 1) apresentação de situação financeira da ALC e demonstrativo de recolhimento das contribuições dos sócios; 2) aluguel de prédio para Sede da ALC; 3) definições de ações da ALC para o ano de 2010; 4) outros assuntos de interesse dos sócios.
Crateús, 14 de maio de 2010
Saudações Literárias
A Diretoria

segunda-feira, 19 de abril de 2010

UM TEOREMA DA COMPLETUDE

Demorei a escrever esta breve apresentação. Era como se a suave e poderosa voz interior imperativamente me ponderasse: ‘Calma!’. E me rendi à morosidade... Até porque quando gostamos de algo ou alguém nos inclinamos a demorar ao seu lado. Envoltos na atmosfera do afeto, sob a brisa deliciosa da satisfação, temos a tendência de esquecer o tempo. Por isso os antigos ensinavam: “a pressa é inimiga da perfeição”. Quando a gente se apressa para se ver livre de algo, é porque aspiramos esquecê-lo. O romancista Milan Kundera defende que “há um elo secreto entre a lentidão e a sabedoria, entre velocidade e esquecimento”.


O certo é que, paciente e tranquilamente, gostei deste livro. Aliás, já estimava o seu autor. Conheci o ourives que poliu estes versos, Raimundo Cândido Teixeira Filho, o Raimundinho, no Externato Nossa Senhora de Fátima, escola fundada por sua inolvidável genitora, a mestra Maria Delite Menezes Teixeira. Já divisava nele o olhar elevado, capaz de sobrevoar o trivial e atingir o transcendental. Depois, viramos colegas no ofício de magia e mistério chamado magistério, na Escola Técnica de Comércio Padre Juvêncio. Ultimamente, o magnetismo dos fonemas da poesia nos reaproximou e nos fez sentar em assentos próximos na Academia de Letras de Crateús.


Raimundinho é um desses raros seres que cultivam a invulgar habilidade de se comunicar pelo silêncio. É. Pouca gente consegue, nesse mundo veloz e loquaz, se comunicar sem nada falar. Tal Chaplin, mestre do cinema mudo, ele se recusa a ser máquina. Para se afirmar Homem. Homem é. Com o amor da humanidade latejando na alma.


À Pitágoras, este poeta é matemático. E filósofo também. Como sói acontecer com os que se danam a pensar e viram amigos do saber, haverá quem o considere estranho ou esquisito. No entanto, adianto que só alguém conhecedor desse naipe precioso é capaz de nos brindar com um , Teorema pra nos tanger e outras (esquisitices).


Neste livro, diamante geométrico, Raimundinho faz um passeio singular pela “matemática existencial”: vai ao poço fundo dos nossos poetas profundos (Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, João Cabral de Mello Neto), toca outros clássicos (como Guimarães Rosa), homenageia heróis que povoam a nossa memória (Peter Pan) e saúda ídolos que driblavam a apatia dominical, como o ‘galinho de Quintino’, Zico.



Entretanto, as formas mais delicadas de construções poliédricas foram reservadas para os cubos autobiográficos.
Em ‘Bodega’, ele observa que:


“Só a velha balança parada

Com os pratos vazios

Ponderava o que havia

De sabor no denso langor

De algo invisível a indicar

Que a tarde se dissipava

Pesarosa a chorar...”


Em ‘Periplaneta’, o anátema ao inseto:


“Mas a barata é um patife

Covarde no ínfimo ato,

Passa sebo nas canelas

Ao pressentir meus sapatos!”


É óbvio que partidas precoces, como a da irmã Gláucia, abalaram as formas básicas do sólido familiar. E ele registra em ‘Transmutação’:


“Ah, instante atroz,

Que ti invoca em ir!

Logo agora...

Fruto enraizado

Na imensidão

De um verde florir?”


Iniciado no átrio da sabedoria, sente uma ponta de angústia e se entedia com a mediocridade mundana. Desabafa em ‘Fastio’:


“Ultimamente,

tenho carregado demasiado peso:

ausências indefinidas,

presenças indesejadas

e saudade de um doce sal

que jamais provei!”


Este é um teorema que nos tange para os vértices da alma triangular da profundidade. Pitágoras afirmou que ‘todas as coisas são números’. E, dentre os números, o três simboliza a completude: a comunhão perfeita, a Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Jesus, Maria e José – a sagrada família. Também: liberdade, igualdade e fraternidade; presente, passado e futuro; luz, trevas e tempo; nascimento, vida e morte; ou ainda sabedoria, força e beleza.


Com indisfarçável alegria assisti a estréia do Raimundinho nos palcos literários com Karatis, seu primeiro pergaminho poético. Agora, nos mimoseia com este livro, que contém 58 (cinqüenta e oito) poemas. Coincidentemente, tirando 5 de 8, temos 3. Portanto, completo sob todos os ângulos.


Saúdo-o com um tríplice cumprimento poético!



(Por Júnior Bonfim – prefácio do livro , Teorema pra nos tanger e outras (esquisitices), de Raimundo Cândido, acadêmico da ALC).



sexta-feira, 9 de abril de 2010

A PUBLICAÇÃO DE UMA OBRA, O NASCIMENTO DE UM POETA

ROGERLANDO GOMES LANÇA LIVRO EM CRATEÚS
O LANÇAMENTO: TEATRO ROSA MORAIS, CRATEÚS
Encontro você no lançamento de meu livro de estréia CHÃO INAUGURAL, dia 17 de Abril / 2010, 19H30 no TEATRO Rosa Morais - Rua Francisco Sá, s/n°, Crateús, Ce.

A OBRA: Chão Inaugural

O livro foi dividido em três partes. Em todas, o poeta expõem-se e o que o inquieta: suas dores, os homens, os governos, a poética e a política.
Na primeira parte, os poemas são como que uma janela através da qual se entreve um “entrevado”: o iluminado.
Na segunda parte, Termos, o poeta, em peças curtas e discursivas dedica-se a perorar, atrás de grafar as “palavras mais irresistíveis”.
Na terceira parte, com poemas de temáticas diversas – infância, política, o mundo, enfim, suas inquietações –, o poeta encerra o livro indicando o desafio que a poesia épica representa nestes tempos de lirismo fácil: captação e escritura desta era de turbina.
O AUTOR : Rogerlando Gomes Cavalcante - Ano de nascimento? É o correspondente a 400 depois do ano da primeira edição (de 1572, produzida em casa do impressor António Gonçalves, de Lisboa) da obra máxima e fundante da língua – e poesia – portuguesas, Os Lusíadas, de Camões, no qual o Brasil é referido uma única vez. Aliás, essa “coincidência”, pode, quiçá, ser um bom augúrio poético, ou um acaso meramente simbólico: a publicação de uma obra, o nascimento de um poeta.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

(RAIZ DO) POEMA: TEOREMAS PRA NOS TANGER E OUTRAS ESQUISITICES

Este é o novo livro do poeta Raimundo Candido,
que será lançado no dia 16 de abril de 2010
O título já suscita grande curiosidade sobre como
um professor de ciências exatas
tece a teia incerta e inexata da poesia.
Esquisites?
Teoremas?
sensações?
Coisas de poeta mesmo.
So vendo para conferir!
Prestigie!

EXPEDIENTE DO ABSURDO - Rogerlando Gomes

Da americana República Federativa do Brasil
O mais farsesco e, brasileiro, mais latino – e ladino –
Presidente, essa terra assistiu cuspir – Cuspiu
Glórias inverossímeis e, por sabedoria, pus e desatinos.


E se não nos, porque a mim, não, vos representou.
Vossa soberba, vossa empáfia, vossa sagacidade,
A vos que dele e por ele e nele e ele também espelhou
À arrebatadora miséria de impronunciada felicidade.


Ouvi rumores de risos de despossuídos – e lautos – vindos
De fóruns, da caatinga, das matas, de alagados,,, rumores de continental
E de incontida global satisfação de mesmerizados indivíduos
Que vislumbraram grandezas, a negarem-se à pequenez do que real.


Esse real que feito de medidas humanas ao surreal
Das coisas apenas em palavras constantes desfaz
E impacta assim muito mais e definitivamente tal
Só a Natureza por si sobre nós e sobre si mesma se faz.


Da metamórfica República Federativa do Brasil
Não espero nada que não seja assim fantástico,
Que não fascine o mundo: uma cuspida no rio
Do presente que congele o universo e degele o ártico.


E o absurdo disso tudo não surge nem vem do Oriente
Nem lá da África, ou irrompe cá no Ocidente ou ali na Oceania
E, se é com o que me atrito, não advém de gente, mesmo e se, rente,
O absurdo é do mundo – e humano, e deles meu expediente e poesia.

POETA RAIMUNDO CÂNDIDO LANÇA NOVO LIVRO

O poeta professor Raimundo Candido lança, neste dia 16 de abril o seu novo livro: "poema(raiz quadrada de), teorema pra nos tanger e outras esquisitices²". A noite de autógrafos ocorrerá no CEJA, a partir das 20:00h.
O CEJA Professor Luiz Bezerra está situado na Rua Luiz Chaves de Melo, 530, Bairro Cidade Nova, proximo a passagem molhada que dá acesso ao Bairro das Cajás.
Todos estão convidados a prestigiarem mas essa invençao da literatura de nossa Cidade!

domingo, 4 de abril de 2010

TARDE URBANA


Tarde Urbana, extensão harmoniosa,
Quanta bondade eu queria possuir
Para estender-me sobre o pomar
De teu largo peito silencioso.

Deixa que venha e passe, Tarde Mansa,
Dentro da casa do meu sonho,
Toda clareza sem medida,
Toda a prática mal pensada,
Todos os passos feitos de infância,
Todos os vôos cheios de azul,
Todos os destinos que tiveram
Por pétala somente o Pão,
Por rumo apenas a Liberdade.

Traz a mim, Quadro Cristalino,
Terra Dura, Barro de Afeto,
Os castigos que mais te doeram,
as visitas que mais te alegraram,
tuas reconstruções mais felizes,
a brasa que mais te ardeu
durante o Fogo do Combate
e a música que aprendeste
da Bandeira Vitoriosa!

Dá-me, ó Pensativa Tarde Calma,
De água secreta e sino parado,
Que sentes o peso do Dia
E sabes a espera da Noite,
A borboleta de Luz sobre o leito,
O horizonte que ninguém imaginou,
A ponte invisível que liga
O morro dos lábios da União
Ao coração da estrada da Amizade.

Que na minha contemplação
Estejam presentes o estouro distante,
Os raios áureos do teu ocaso,
A flor germinal, a rosa organizada,
O sol que banha as palmeiras,
As folhas que conspiram escondidas,
As pedras que se plantam nos rios,
O dínamo que movimenta os seres,
O edifício construído na areia
Mas que eu possa sentir, sobretudo,
O humano sorriso ... sobre tudo.

Arvore Pura, Tarde Urbana,
Vivei em mim e sobreviverei
Á minha própria morte,
Cantai para mim e caminharei
Com a estrofe mais bela da Terra,
Subi comigo e voarei
Pelos espaços da alegria perene,
Oferece-me tua Paz nua e terei
Um amor mais amplo que o infinito!
(Júnior Bonfim, in Poesias Adolescentes e Maduras)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

OPORTUNIDADE PARA LANÇAMENTO DE LIVROS

Caros Colegas da ALC
A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará está divulgando o Edital do Prêmio Literário para Autor(a) Cearense 2010, visando estimular a produção e valorização dos autores e editores radicados no Estado do Ceará, promover a circulação do livro, preservar o patrimônio literário, incrementar a produção editorial estadual e regulamentar as inscrições para apresentação de propostas e seleção de projetos em Literatura e Cultura em 14 (quatorze) categorias.
São elas:
Prêmio Caetano Ximenes Aragão, de Poesia inédita;
Prêmio Jáder de Carvalho, de Romance inédito:
Prêmio Moreira Campos, de Conto inédito;
Prêmio Milton Dias, de Crônica/Memórias inédita;
Prêmio Rachel de Queiroz, de Literatura Infantil e Juvenil inédita;
Prêmio Alberto Porfírio, de Literatura de Cordel inédita;
Prêmio Otacílio de Azevedo, de Reedição;
Prêmio Eduardo Campos, de Dramaturgia inédita;
Prêmio Braga Montenegro, de Ensaio e/ou Crítica literária inéditos;
Prêmio Guilherme Studart de Ensaio sobre Tema Cultural inédito;
Prêmio Luiz Sá, de Álbum em Quadrinhos inédito;
Prêmio Manoel Coelho Raposo, de Publicação de Selo Editorial;
Prêmio Edigar de Alencar, de Publicação de Revista Literária/Cultural;
Prêmio J. Ribeiro, de Publicação de Álbum/Livro de Arte.
O Valor do prêmio varia de R$ 4.285,71 a R$ 2.857,14, conforme a categoria, mais publicação. As inscrições podem ser feitas no período de 18 de fevereiro a 31 de março de 2010. Maiores informações:http://www.secult.ce.gov.br/categoria1/premio-literario-para-autores-cearenses/Edital%20de%20premios%20literarios.pdf

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O FISCAL E OS ROMEIROS - de Elias de França

Eu lá estava para ganhar R$ 2 000,00:
o mínimo!
Eles, por uma graça e porque pagaram R$ 200,00:
o máximo!
Eu de pé às duas para zelar o erário público,
no máximo;
eles ao chão às duas porque o erário público não os zelou,
no mínimo.
Eles são felizes ou infelizes?
...
No mínimo.
Eu também,
no máximo!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

REPENSANDO O MEMORIAL


O mês de janeiro, precisamente o seu terceiro dia, assinala o natalício do maior gênio militar brasileiro: Luis Carlos Prestes. O gaúcho de Porto Alegre, aparentemente frágil na compleição física, era um verdadeiro gigante na estatura moral. A sua fulgurante trajetória - semeando os sonhos mais profundos da alma humana - o imortalizou como o “Cavaleiro da Esperança”.

Apenas para pontuar a força de seu dínamo mobilizador, no remoto 15 de julho de 1945, recém-libertado da prisão imposta por Getúlio Vargas nove anos antes, ele conseguiu lotar o estádio do Pacaembu, em São Paulo. Mais de 100 mil pessoas se acotovelavam para ouvir a voz do líder.

Sua fala contundente hipnotizou o público, que só o interrompia para calorosos aplausos. Na ocasião, o poeta maior das Américas, o chileno Pablo Neruda, leu uma saudação poética que encerrava assim: “Peço silêncio à América da neve ao pampa / Silêncio: com a palavra o Capitão do Povo / Silêncio: que o Brasil falará por sua boca”.

Prestes foi o principal insuflador da germinação libertária no Brasil do século passado. Liderou a maior cruzada cívica da história brasileira: a Coluna Prestes. Através dela, tocou as regiões mais lúgubres e as feridas mais sensíveis da pele da Pátria. Reacendeu e espalhou a tocha de uma sociedade mais justa e mais bela. O padre Geraldo Oliveira Lima, o cearense que mais pesquisou o assunto, nos oferece um parâmetro para aquilatar sua real dimensão: “A Coluna Prestes superou a marcha de Mao Tse-Tung, em número de quilômetros e em sacrifícios. É a maior marcha da Idade Moderna, e um símbolo de valores como ética e justiça. E Crateús é uma referência da passagem da Coluna pelo Ceará”.

A terra apadrinhada pelo Senhor do Bonfim galgou destaque por ter sido palco do único combate das forças revolucionárias. Geraldinho pontua em uma de suas obras sobre a passagem da Coluna através do Ceará: Frutuoso Lins, jovem em janeiro de 1926, narrou que quando o relógio bateu 3h “reboou uma saraivada de rifles e fuzis”. Lins explicou que João Calixto, guarda da Estação, revelou a euforia dos revolucionários no local: “Entre 4 e 5 horas da manhã, corriam eles pelas calçadas cantando ‘Mulher rendeira’ e gritando ‘Queima Chicuta’ e batiam com o coice do rifle nas portas da Estação”. O infante Gerardo Mello Mourão, assustado com o barulho da batalha, escondeu-se debaixo de uma mesa. Foi um confronto carregado de contorno épico. Isso conferiu a Crateús status de protagonista no enredo da Coluna.

Tive o gáudio de, na gestão do ex-prefeito Paulo Nazareno, ter integrado o grupo que participou da arquitetura reflexiva de um Projeto que visava resgatar e registrar esse singular fato da vida local. Àquela época, meados dos anos 2000, mobilizamos importantes segmentos da intelectualidade local e estadual discutindo esse desenho memorial. Lembro de uma produtiva reunião, realizada nas dependências do Estoril, na Praia de Iracema, quando compareceram vários próceres da esquerda cearense. As sugestões fluíam de modo cadenciado como a onda do mar à nossa frente.

Recordo que, em sua original concepção, o Projeto contemplava uma gama de ações distribuídas em três frentes:

1. Edificação de um Marco em homenagem à Coluna em local de grande visibilidade, preferencialmente na entrada da cidade.

2. Tombamento da Residência onde o Capitão Pretinho, disfarçado de mendigo, fora identificado e transformação daquele espaço em um Centro de Documentação e Registros da História da Coluna Prestes, reunindo ali um amplo acervo de pesquisa e informação. Tudo isso sob a coordenação da Universidade Estadual do Ceará – UECE/FAEC.

3. Construção de uma Praça, no Campo dos Vencedores, no bairro Ponte Preta, em homenagem aos membros da Coluna que tombaram em Crateús.

Dessas três ações, apenas uma se concretizou. Há cinco anos, em 14 de dezembro de 2004, foi inaugurado um marco à Coluna na Praça da Estação. É o quarto do Brasil. Único no Ceará assinado pela grife de Oscar Niemeyer. Quando miro essa obra, fincada em local impróprio, fico imaginando o quanto ignoramos sua importância histórica. Parece que é apenas um irrelevante espigão de concreto. Quase ninguém se detém a perscrutar sua significação simbólica. Até porque inexiste sequer uma pequena placa descritiva do Marco.

A praça está sendo objeto de reforma. Se tivesse ocorrido uma discussão prévia com a população, esse poderia ser o momento de recolocá-lo em local mais adequado.

É hora, também, de ressuscitarmos esse debate. Requalificando-o. Repensando-o na direção de sua contribuição ao futuro. Pois exemplos de dedicação, heroísmo e compromisso com as mais elevadas causas sociais precisam ser ressaltados.

A saga da Coluna Prestes, com seus arroubos equivocados e seus rumos certeiros, constituiu o mais expressivo movimento nacional rumo ao império da justiça e ao reino da liberdade.


(Por Júnior Bonfim – na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro-Oeste, Crateús, Ceará)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Isto é uma vergonha!"

"Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras.
O mais baixo na escala do trabalho."
Hoje não liguei a TV, não ouvi o rádio, nem quis saber da internet. Atitudes preconceituosas e desrespeitosas como a de Bóris Casoy me envergonham, atingem em cheio o meu orgulho de ser brasileira. Ligar a TV é ter que dar de cara com uma burguesia arrogante e desmedida, que embora se sustente na força do trabalho dos homens simples, ao fazer uso de uma hipocrisia disfarçada de generosidade, se apresenta a eles como solidários.

A mídia no Brasil é porta-voz da elite, nela a classe trabalhadora não tem espaço, se aparece na TV é para protagonizar a miséria e as mazelas sociais, para serem os coitados que os programas sensacionalistas necessitam para que seus apresentadores e patrocinadores sejam generosos. A miséria no Brasil dá IBOPE.

Mas um dia alguém se esquece de apertar um botão, de desligar um fio, de apertar um parafuso, e sem querer vem à tona quem verdadeiramente se esconde por trás da aparência solidária dos homens da TV. Foi assim, quase sem querer, que Bóris Casoy mostrou sua verdadeira face, que se confunde e se mistura a face de toda burguesia, a quem garis são simplesmente lixeiros, que ofendem pelo simples fato de aparecerem num jornal desejando felicidades ao povo.

Não fecho os olhos à hipocrisia de meu País, mas muitas vezes tenho vontade de fazer o que diz a canção de Renato Russo, porque “... se o mundo é mesmo parecido com o que vejo, prefiro acreditar num mundo do meu jeito.” Nele garis são heróis, enfrentam todos os dias a indiferença das pessoas nas ruas e colhem de lá toda sujeira que depositam.

Lamento que a sujeira maior os garis não possam limpar, nem colher como lixo, porque esta está na mente perversa dos homens.

É como Renato Russo que eu me pergunto: “Que País é esse?”

Isis Celiane

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O Tempo
Aldo Costa

Dizem que o tempo não volta
Porém, eu volto no tempo
Pro tempo em que todo tempo
Tudo ou nada era igual
Corria descalço na várzea
Tomava banho de rio
Passatempo de moleque
Ignorava fome e frio.

É... dizem que o tempo não pára
Porém, eu páro no tempo
No tempo em que tinha tempo
Para sonhar e amar
Sonhava com um mundo melhor
Um mundo em tempo de paz
Primeiro amor aflorava
E eu me entregava demais.

É... dizem que o tempo não corre
Porém, eu corro no tempo
No tempo capitalista
Não posso ter contratempo
Do tempo, somos escravos
Não dá prá temporizar
Na ciranda financeira
Falta tempo para amar!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Corre veloz o tempo
Escapando aos dedos de quem sonha tanto
Os anos passam, passam ligeiro
São como os ventos passageiros
Curando dores, enxugando pranto

Já não vejo o mesmo rosto
Não tens mais aquela face
Teu olhar agora acalma
Parece encher-lhe a alma
Como se nada mais lhe faltasse

Há somente um sentimento
Não é tristeza nem felicidade
É um vazio que não é solidão
Parece alcançar longe a imensidão
É sim uma enorme saudade

Do que ficou para trás
Do que foi sonhado e vivido
Do que não tivemos
De quem nem conhecemos
Do que foi fácil e sofrido

Saudade não é solidão
Às vezes nostálgica lembrança
É pesar pela ausência
De tudo que deixa sua essência
Porque deixa também a esperança

Esperança não é espera
É fé que se movimenta
Impulsiona o homem sempre adiante
Ele é dos tempos viajante
Somente a esperança o alimenta

E corre veloz o tempo
Escapando aos dedos de quem não insiste
Os anos chegam, logo vão embora
Não há certeza senão o agora
Mas sem fé ninguém vive, apenas existe

Isis Celiane

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

FLÁVIO MACHADO


Primeiro, um apelo aos representantes do povo no Legislativo da minha terra: aprovem, com aclamação e louvamento, à unanimidade de votos, um título de Cidadão Crateuense para Flávio Machado e Silva.

Ele apenas nasceu na bíblica Palestina (hoje distrito de Novo Oriente), que pertencia à antiga freguesia de “Pelo Sinal”, atual Independência; porém toda a sua caminhada histórica foi trilhada em Crateús. Todos os registros da sua memória primária se concentram na terra do Senhor do Bonfim, onde passou a residir desde os três primeiros setembros de vida. Sua alma é um monumento comemorativo às pessoas, aos lugares e às cousas da cidade que ama. É um dos raros nobres da nossa ex-Príncipe Imperial.

Ao beijar a cidade de Crateús, o rio Poty se bifurca e, como um bolo atraente, uma coroa de terra emerge: é o bairro da Ilha. Quando Flávio abre o filme das recordações, a primeira imagem o remete ao espaço de ternura desenhado pelo rio. E, em especial, àquele caminho constituído por dormentes de aroeira, trilhos de ferro e uma passarela cerimoniosa, imponente e primorosa que liga o bairro ao restante da urbe: a ponte de ferro.

Flávio é daqueles cuja infância esteve indelevelmente vinculada ao som do trem e à magnitude da ponte. Incorporou às veias do coração o hábito dos bons ferroviários: amar o trabalho sereno, cultivar a velocidade constante e andar sempre nos trilhos. Descobriu e cultiva a liturgia da rotina. Na música Caminhos, Raul Seixas e Paulo Coelho fazem uma peroração sobre a rotina: “E você ainda me pergunta: /aonde é que eu quero chegar, /se há tantos caminhos na vida /e pouquíssima esperança no ar! /E até a gaivota que voa /já tem seu caminho no ar!” Segundo o comercial do perfume, “a rotina do destino é a certeza. Toda rotina tem a sua beleza”. Esse apego à rotina, no entanto, nunca significou acomodação. Pelo contrário. O filho do casal Izauro Machado Portela e Antonia Silva Machado desde cedo revelou pendores para a atividade intensa. Sertanejo de clara e gema, ainda criança criava galinha e vendia os ovos para juntar dinheiro. Após o curso primário na Escola da D. Delite, tomou assento no trem e foi estudar em Sobral, no Seminário Diocesano São José.

Em que pese ser uma figura compenetrada, descobriu que se sentia melhor com o blusão de leigo do que com as vestimentas clericais. Voltou aos bancos escolares crateuenses e, na Escola de Comércio, concluiu o Curso Técnico de Contabilidade. Estudante ativo, militou no Grêmio Clóvis Beviláqua, onde começou a alinhavar artigos para o jornal O Estudante. Integrou a Juventude Estudantil Católica – JEC – e incursionou pelas ondas sonoras da radiofonia, compondo a equipe da única emissora da região, a Rádio Educadora de Crateús, onde apresentou programas como “Sertão do Ceará” e “Discoteca do Fã”. (Anualmente, era promovida a festa para a escolha da Rainha dos Radialistas. A eleita de 1968, Izabel Morais Barros, foi por Flávio desposada e lhe deu quatro filhos: Izauro Neto, Elizabeth (Betinha), Eliane e Flaviana).

Sua imagem de compenetrado virginiano e comedido torcedor do Fluminense só se transformava quando era convidado a entrar em campo como jogador de futebol. Aí virava um verdadeiro tufão: aonde ia arrastava tudo e arrancava com a bola até o gol. Ganhou, por isso, o apelido de Caterpillar, numa referência à famosa multinacional fabricante de máquinas pesadas.

Membro de uma geração dedicada ao labor e ao estudo, varava madrugadas à luz de um candeeiro de petróleo preparando-se para concursos públicos. Sem maiores dificuldades, foi aprovado nos certames que enfrentou para ingressar nos quadros da Associação Nordestina de Crédito e Assistência Rural – ANCAR-CEARÀ, do Banco do Nordeste e Banco do Brasil. Optou definitivamente por este último, onde assumiu destacadas posições até atingir o posto de Gerente Geral.

A aposentadoria, no ano de 1995, foi apenas um detalhe, dês que continua em embalada atividade, pois considera que “a ociosidade atrofia a mente e o corpo”. Rui dizia que “oração e trabalho são os recursos mais poderosos na criação moral do homem. A oração é o íntimo sublimar-se d'alma pelo contato com Deus. O trabalho é o inteirar, o desenvolver, o apurar das energias do corpo e do espírito, mediante a ação contínua de cada um sobre si mesmo e sobre o mundo onde labutamos”.

Flávio ora e labora. Homem de fé, colaborou no Conselho de Assuntos Econômicos da Diocese de Crateús exercendo o cargo de ecônomo.

Além de tocar, com o irmão Antonio, a Casa Comercial Santo Antonio, herança paterna, administra uma empresa rural que trabalha com frango de corte, criação de ovinos, bovinos e suínos.

Às filhas Edite e Larissa, da sua união com a professora Lindalva F. de Carvalho, sua atual companheira, dedica todo o tempo livre. Porque, além da intensa atividade empresarial, continua a labutar com vigor juvenil, reservando espaço para o estudo e a produção literária.

Como Roberto Marinho, que fundou a Rede Globo após ter completado sessenta anos de idade, Flávio encara novos empreendimentos após virar sexagenário. Alimenta quinzenalmente a Coluna “Crateús de Ontem” e lançou, no último dia 05 de dezembro de 2009, o livro “Crateús, lembranças que aquecem o coração”, um conjunto de belas crônicas sobre a vida florida e espinhosa de personagens reais que, na comuna dos seus amores, tocaram o badalo do sino do progresso. É, também, um dos fundadores da Academia de Letras de Crateús – ALC, onde ocupa a cadeira número 04, cujo patrono é seu ex-reitor Dom José Tupinambá da Frota.

Que continues, bom companheiro, seguindo as paralelas da rotina transparente, sob os auspícios da serena crença, no ritmo equilibrado da decência, aquecendo os nossos corações com as lembranças do passado e sempre atento ao apito inconfundível do trem do futuro!


(Por Júnior Bonfim, publicado na Revista Gente de Ação e Jornal Gazeta do Centro-Oeste)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Plágio a Clarice...

Falso Plágio à Clarice

Não és tu a outra parte que faltava...
Então não posso dizer que:
Jamais vai habitar em meu coração...
E nunca vou murmurar a frase:
Eu quero o teu amor por toda vida
estou certo de que
não te quero por não me preencheres...
Logo, não posso estar convencido de que:
és minha vida, meu ar, és meu coração...
Não posso negar o fato de que:
Tu me fez sofrer e me causou tristeza!
Então é justo não querer dizer:
Eu te amo!
( LER DE BAIXO PARA CIMA)
Por Éricson Fabrício

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A lua e Maria
Aldo Santos

Lua cheia Oh! lua cheia
Que clareia a escuridão
Ao surgir por trás da serra
Ilumina meu coração
Lua que a terra veste
Com teus raios de cristais
Não te zangues, mas tem algo
Que prá mim brilha muito mais

São os olhos de Maria
Quando cruzam com os meus
Não tem noite sem estrêlas
Quando estou nos olhos seus
Lua cheia Oh! lua bela
És o encanto do sertão
Não te zangues, me entenda
Falo com a voz do coração

Os teus raios prateados
E os olhos de Maria
Me encantam e me fascinam
dia e noite, noite e dia
Lua, rainha da noite
És de Deus grande magia
Teus raios me iluminam a noite
Noite e dia os olhos de Maria

A lua do Céu
Beleza irradia
Teus olhos Maria
São estrêlas do dia