Sábado, 30 de 11, na Casa de Juvenal Galeno, a ACE - Associação Cearense de Escritores - realizou o lançamento do livro Paradoxos no cárcere, de Cornlius Okwudili Ezeokeke. A obra foi apresentada pelo Diretor de eventos da ACE, Silas Falcão. Bernivaldo Carneiro foi o Mestre de Cerimônia da reunião.
Este é o chão sagrado da Academia de Letras de Crateús na internet. Como um templo ecumênico, nele há espaço para todos que adoram cultuar a beleza da virtude, a simplicidade da inteligência, a singeleza do verbo, o fascínio da cultura, a liberdade da palavra, a profundidade do amor.
domingo, 1 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
Próximo sábado, dia 30-11, às 15hs, na Casa de Juvenal Galeno, reunião da ACE – Associação Cearense de Escritores - ocorrerá o lançamento do livro Paradoxo no cárcere, do escritor Cornellius Okudili Ezeokeke. Segundo livro deste autor que é formado em filosofia e teologia, Paradoxo no cárcere narra as verdades das vidas humanas no cárcere. O livro será apresentado pelo diretor de eventos Silas Falcão.
Contamos com sua presença.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
O Dactilólogo (miniconto)
“Se alguém souber de algo que possa impedir este matrimônio”admoestou solene o
padre Gerlando “Que fale agora ou cale-se para sempre.”
Num canto
da capela, sob a imagem piedosa da Virgem, o surdo-mudo Celsinho que lera-lhe
os lábios sob a barba espessa se descabelou e se perdeu em caretas e gestos
desconexos na linguagem dos sinais.
Inútil.
Olhos centrados na beleza da noiva e na elegância do noivo, ninguém lhe
prestava atenção. Nada podia abalar a comoção que causava a abençoada união
daqueles dois jovens.
Chico Pascoal
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
CONVITE
LANÇAMENTO DO LIVRO HISTÓRIAS QUE O POVO CONTA - Um relembrar de causos interessantes de Carlos Leite - No Calçadão do Prédio da REFESA - Inauguração da nova sede da Academia de Letras de Crateús - dia 23 de Novembro (neste Sábado) às 19:00 horas - Você está convidado(a)!
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
sábado, 2 de novembro de 2013
A Vela
Dissipa-se,
no brilho das chamas
inebriadas no ar!
Invisível flama,
fornalha infalível
de ímpeto ardente.
Esvair-se, alfa e ômega
nas brasas da paixão!
Esgota-se, ósseo jarro
por um fio de seda
que urde a frágil luz
e sobeja as frias cinzas
do impudico barro!
Raimundo Cândido
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Samuel, um Bonfim Astuto!
Era uma vez um valente riacho,
tal potro selvagem a escramuçar pelo eito desolado do sertão, em luta insistente,
na laboriosa trilha e no resoluto curso vivificante até desaguar no leito
reticencioso do Rio Poti. Principiava, nas épocas oportunas, num pequeno monte
distante como um vidro mole que desce um aclive, cantando e rasgando o solo argiloso
do Curral Velho. A poesia sonora das águas é o próprio cadenciar melodioso das
sereias, suave, sedutor e convidativo. E o cantar do Riacho Serrote enfeitiçou os
Antônios, os Sebastiões e gerações inteiras da grandiosa família Bonfim. Do
tronco fundamental, tal qual Mourão de Aroeira, assentado na Casa Grande ao
lado esquerdo do Riacho Serrote, uma imensa taipa com madeirame atado em nós de
couro cru, ramificou-se a imensa descendência, sucessiva filiação diversificada
de trabalhadores braçais, sertanejos rudes, corajosos e honrados, donas de
casa, dignas mães de famílias, médicos, advogados, bancários, comerciantes, professores,
poetas, gente rica, gente pobre, gente culta, gente rude e algumas pessoas
sabidas e metidas a espertalhões, enfim: flores, muitas flores perfumadas, mas
vingou também os espinhos, como em todo grande roseiral que desabrocha pelo eito
dos Sertões de Crathéus.
Samuel Bonfim quando partiu do
Curral Velho para, na amplidão do mundo, ganhar à vida, já tinha as duas
grandes artes bem aprimoradas, profissões de habilidades manuais e fina
destreza mental: era um artífice na madeira, um carpinteiro talentoso, mas
tinha também o talento e esmero em subtrair o alheio.
Dizem-me, uns duendes
trapaceiros com quem tenho afinidades, que das águas que bebemos na infância
determinam-se as nossas qualidades. Então, segundo esses amigos invisíveis, as
habilidades do Samuel Bonfim são filhas das águas turvas do Riacho Serrote. Ele
perambulou com elas, suas competências, pelo planalto Central e até ajudou a
construir Brasília dos Candangos. Mas uma das artes sempre atrapalhava a outra
e teve que fugir para o distante Maranhão, onde também suas contradições, a
virtude do trabalho e a vil arte de surrupiar, fizeram com que retornasse
forcosamente, a cidade natal, a acolhedora Cratheús. Dizia,
para os amigos: “Andei pelo mundo, penei e paguei minhas penas! E de tanto perambular
perdi o penico e joguei a tampa no mato! Foi quando o conheci e
comecei a admirar a vivacidade e as habilidades, às vezes malvadas, do astuto
Samuel.
Assíduo freguês da bodega do
comerciante Chico Altino, na Rua Frei Viral, muitas vezes ri, às lagrimas, das
presepadas do Samuel. Enquanto não aparecia um freguês que lhe pagasse um
trago, ele tirava uma baladeira do bolso e disparava uma pedra em algum
esfomeado cachorro de rua que saia aos gritos num chamado bíblico: Caim! Caim!
Caim! Certo dia ele retira do bolso uma latinha de metal com torrado, coloca
uma pequena porção na mão e começa a cheirar. Uma curiosa senhora, ao lado de
uma ingênua menininha, pergunta: - O que é isso, Samuel? Ele responde: - É
rapé, minha senhora! Isso é feito com semente de imburana, fumo ralado, canela e
outros trelados! Coloca um pouquinho na mão da mulher, para ela experimentar. A
menina, inexperiente, também aspira um bocadinho do pó cinzento, foi o suficiente
para ela dá um grande espirro e, involuntariamente, soltar um estrondoso traque.
Desconfiada, se esconder atrás da saia da senhora. A bodega inteira riu! O
espirituoso Samuel, mais que depressa, retira outra latinha e diz: - Desculpe,
minha bichinha, esse aí que dei pra sua mãe é o que faz peidar, experimente
esse aqui que não peida não!
Esses são os momentos amenos
nas presepadas do astuto carpinteiro. O Chico do Guaraná contrata Samuel para
refazer o teto da casa, pois os cupins estavam devorando todos os caibros e as
ripas do telhado. Enquanto Samuel trabalha no teto os donos da casa trabalham
na rua e Samuel já notara as galinhas do quintal. Agarra uma penosa e coloca de
cabeça para baixo na sacola de material, dependurada no armador. Naquela
posição a galinha nem se mexe nem pia. No fim do dia, pega a sacola e vai
embora. A dona da casa percebeu o sumiço das galinhas e fica de olho no Samuel.
Ao fim do quinto dia, antes que ele desça do telhado, cutuca a sacola e a galinha se
estrebucha cacarejando: - Que arrumação é essa, Samuel? Essa galinha dentro da
sua bolsa! Ele logo se explica: - Ora ora minha Senhora, galinha é bicho
danado, deu vontade de pôr, aí ela entrou na minha sacola!
Samuel, se embriagado, andava
na companhia de seu irmão gêmeo e virtual chamado de Pedro. Quando o Luiz
Gonzaga Bonfim de Araujo, o gravatinha, trabalhava na Moageira Canário de Seu
Nereu, deixava que o Samuel Bonfim catasse os grãos de café que ficavam
espalhados pelo chão, caídos dos sacos, todos os dias e era um dinheirinho a
mais ao vender para as cafezeiras na feira. Naquele dia Samuel estava bem
calibrado pelo alto teor da cachaça Lagoa do Barro, e após colher os grãos
encostou a mão no peito do Luiz, como um forma de agradecer e ainda disse: - O
Samuel vem mais tarde!. O Seu Bidoca, ao
passar por ali, avisa ao Luiz que sua camisa estava manchada com pó de café
despertando-o para o desaparecimento da caríssima caneta argentina
esferográfica Sheaffer
do bolso. Gravatinha corre ao encontro de Samuel: - Primo vei, cadê
minha caneta? O que Samuel responde: - O Pedro escondeu... Vamos buscar!
Saíram, o Samuel na frente e o Gravatinha atrás, tangendo-o até o esconderijo
dos roubos nas ruínas da velha casa do Sr. Chico Antero na Rua José Coriolano
com a Rua Carlos Rolim.
Juramar Bonfim, também parente
de Samuel, o saúda:
- E aí, primo, como vão as
coisas?
Numa forma de se mostrar
cortês e dono de uma queixosa lábia, estava sempre espirituoso e brincalhão,
respondia com pilherias:
- Na terra que A for B, B for
C, C for D e nega dor dona, fode fora da feira quem for da família fodona!
O causo que mais marcou a vida
de Samuel, mitificando-o na história, foi seu encontro com outro famoso primo:
O Pe. Bonfim.
O Padre vinha da fazenda
Ponciano no seu Jipe Willys quando, lá pelo lado do Bairro dos Patriacas,
acabou a gasolina. Desespera-se, mas senti a providência divina quando avista o
Samuel caminhando ao seu encontro.
- Meu querido primo, graças a Deus que você
está aqui para me tirar desta situação! Pegue esse galão e esse dinheiro e me
faça o favor de comprar gasolina ali no posto da Rua Frei Vidal, que eu lhe
agradeço muito!
- É um prazer, ajudar o meu
primo vei Padre Bonfim.
O Samuel caminha rumo ao posto
e ao passar pelo Rio Poti que estava com água na altura dos joelhos, enche o
tambor com o líquido barrento, dá uns trocados a um menino e manda-o entregar o
galão ao Pe. Bonfim que despeja no tanque e tenta ligar o motor que tosse feito
um engasgado com asma: Uuuuummm tos tos tos....
Uuuuummm tos tos tos....
O Davi Bonfim estava com
vontade de comer carne, passa pelo frigorífico do Hamilton e compra uma chã de
dentro, a peça toda do colchão mole. Vê o Samuel e pede um obséquio:
- Samuel, me faça um favor, passa em casa e
deixa essa carne lá!
- Claro primo, pode deixar!
Ao chegar em casa o Davi
pergunta para a esposa pela carne que o Samuel tinha ido deixar para o almoço e a
mulher informa que na refeição daquele dia só tinha arroz e feijão.
Uns três dias depois, Davi
encontra o Samuel, andando pela rua:
- Samuel, tu é um sem-vergonha
mesmo, pedi para levar a carne lá para casa e você me enrolou!
- Não Senhor, você disse que
eu passasse em casa e deixasse a carne lá!
- Mas era na minha casa, cabra
safado!
- Ó rapaz, me desculpe! Agora
está sem jeito, nestas horas os meus meninos já comeram tudo!
No outono, quando os dias estão
mais cinzentos e as noites menos estreladas, nota-se a hora de se retirar. Doente,
deitado numa cama, apertando a mão de Mariazinha, a co-autora de muitos de suas estripulias
e olhando para teto da sua casinha, o folclórico Samuel parte, transpõe as
ripas e os caibros, os quais era exímio em fabricar. Deve ter voltado ao Curral
Velho e por lá se deixou ficar, a beber água do Riacho Serrote preparando
alguma nova presepada, pois é uma felicidade maravilhosa se podemos, ao fim de
tudo, ao fim da trilha, voltar como menino traquinas a nossas origens!
Raimundo Cândido
Regina Estela Bonfim disse...
Samuel... o perdulário e pródigo mais carismático que
conheci.
Nessa família tem de tudo mesmo.
Parabéns , Raimundinho
José Alberto de Souza disse...
Passa em casa (de quem?)
e deixa essa carne lá (aonde?),
sem deixar explícito o que queria,
cada um interpreta,
ora direis, à sua maneira!terça-feira, 22 de outubro de 2013
O centenário de Rosa Morais
O centenário de Rosa Morais
Um texto de Regina Estela Bomfim.)
Conhecida como: Tia
Rosa, Tiinha, Dona Rosa, Rosa Ferreira de Morais... professora
de Dona Inácia Ferreira Bonfim, sua prima e
minha mãe, na Fazenda Curral Velho (Crateús). Ela é do tempo em que os
donos das fazendas contratavam professoras por um determinado período, (quatro
meses). Meu avô Joaquim Ferreira Bonfim convidou-a, e com a anuência de
seus pais, ela passou uma temporada sob sua custódia, na "Casa
Grande". Ali naquela sala rustica, alpendrada, virada para o
nascente... ante a bela paisagem da várzea onde se esparziam
reluzentes "pés de oiticica", Rosa lecionava para os primos...
como ela mesma relembra: Os filhos do Tio Joaquim, do Tio Raimundinho e da Tia
Bebela (Isabel).
Eu frequento a casa
da Tia Rosa desde muito criança, nas visitas que minha avó Isabel fazia à sua
irmã Conceição, mãe dela. Tenho boas recordações de quando fui sua aluna no
Ginásio PIO XII... das tardes e dos finais de semana que passava em sua casa,
sob sua orientação... O pé de pitanga, o jardim, o cheiro das
rosas, as galinhas, o papagaio, o fogão de ferro a lenha, a mesa da
sala de jantar muito grande, os guarda-louças, os armários com muitos livros, o
ateliê, as tintas, os pinceis, OS QUADROS, o rádio numa mesa pequena com
uma linda toalha bordada.
Quantas
lembranças... da rede cheirosa, quando me deitava eu percebia o quanto
aquele telhado era alto. Meus filhos também foram orientados por ela. Muitas
tardes os deixei na casa da Tia Rosa... eles tinham aula de português e
merenda. Dalila, minha filha, sempre lembra dos pães e queijo, bolos e
biscoito feito por Tia Rosa.
Como a vida é curta, tanta beleza, tanto amor, tanta dedicação e tão
pouca vida... são só cem anos, neste sábado 26 de outubro de 2013!
Regina Estela Bomfim.
(Educadora)
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Bastiãozim e Datim numa só veia poética!
Ao contemplar o seio da Caatinga
inóspita, plena de mandacarus, de árvores semimortas em exibição fantasmagórica,
e repleta de esqueletos de animais espalhados pelas veredas tortas sobre um sol
escaldante, tudo como parte integrante do tempo, fico admirado que alguém divise,
neste quadro de horrores, uma fervilhante fonte de poesia.
O poeta francês Boudelaire uma
vez disse “A admiração começa onde acaba a compreensão”. Nunca entendi bem o
concretismo dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos, com seus poemas plásticos
que mais parecem uma paisagem de gravetos e ossos, numa estampa rústica do
sertão. Como também nunca ponderei sobre o motivo de, numa mesma família,
inesperadamente, brotar dois exímios poetas. Destino ou o DNA da família
Campos? Ou parte integrante de um chão, como o que ocorre no Distrito de Curral
Velho, ora um grande celeiro de flores, ora estorvo de touça espinhos e bem no
âmago da família Bonfim. Por lá, numa monta de quinze irmãos, dois tenderam
para as rimas.
Os poetas do Curral Velho nascem com a
disposição dos gatos, na mansidão do olhar a gente nota a efetivação de um
verso tal iminente bote de cascavel, e com o enxerimento do Bem-te-vi, um
corriqueiro que se imiscui em todos os acontecimentos que a vista alcança.
Sebastião Ferreira do Bonfim,
o poeta Bastãozim, tinha tudo para não dar certo na vida, exaurido fisicamente,
com problemas de saúde por Doença de Chagas contraída quando criança, afora uma
desastrada queda de cavalo que prejudicou a espinha dorsal. Mesmo com as complicações
sérias que a vida lhe impôs, vestiu a capa protetora dos poetas revertendo a
situação, e a dádiva da existência tornou-se uma alegria espontânea!
Na bodega do botafoguense José
Osmar, na Rua Frei Vidal, era um dos pontos onde Bastiaõzim gostava de prosear,
dobrava um perna, tão fina quanto um cambito, sobre o balcão e logo algum amigo
perguntava: - E aí, Bastiãozinho, como é que está o Galo? Foi o único torcedor
(E fanático!) do Atlético Mineiro que conheci por essas bandas. Com o semblante
triste, respondia: - O Galo virou pinto, todo mundo agora bate nele! Notem bem,
pois isso é atitude de poeta, ele projetou o dia de seu cortejo fúnebre e viveu
cada detalhe, bem antes de sua morte, encarregando um sobrinho, o Olímpio
Bonfim, de entoar o hino do clube do coração no instante de seu séquito:
“Lutar, lutar, lutar... Uma vez, até morrer!” Aquele emocionante momento
lembrou-me uns versos do poeta Erza Pound “Sim! Sou um poeta e sobre minha
tumba, donzelas hão de espalhar pétalas de rosas.”
Dizem que o espontâneo verso
só é liberado da veia lírica quando o poeta sofre, e depois de muito ter
sofrido, e quando o poeta ama, depois de muito ter amado. Assim Bastiãozim
verteu belas palavras como um rio de lágrimas: “Desde a minha mocidade / que
minha vida é sofrer / doente já pra morrer / vejo essa fatalidade / não pude
ter vaidade. / Eu ainda era criança / na memória ficou por lembrança / essa
glória de tristeza / foi oferta da natureza / que me deu como herança.”
Na família Bonfim os versos
estão embutidos nas reentrâncias do DNA, e se a mãe do Sebastião Ferreira do
Bonfim fazia sonetos musicados, o que esperar desta seara, a não ser
arrebatadores poetas com versos de mão cheia! Ele cantou, em suas mensagens
brejeiras, o amor, a natureza e a vida, de modo prazenteiro, como no poema Meu
Martelo de Aço: “Meu martelo de aço / Meu lápis pioneiro / Meu forte braço / Para
ganhar o cruzeiro. // Quando a manhã vem
aparecendo / Com meu lápis vou riscar / Com meu martelo vou batendo / Para o
pão poder ganhar / É trabalhando todo
dia / Pra melhor poder passar / E só me falta uma pessoa / A mulher pra me
zelar”
Bastiãozim registrou os
momentos poeticos do sertão de Cratheús em 70 cadernos, escriturais papiros,
como fazia no seu trabalho diário ao esculpir arte no couro curtido do gado.
O outro grande poeta daqueles
quinze unidos irmãos do Curral Velho foi o Joaquim, um duende esperto chamado
Datim Bonfim. Ele mesmo se dizia um sujeito extrovertido e brincalhão, mas nem
precisava anunciar-se, notava-se pela exuberante alegria e pelo ardor na vida!
Sertanejo da roça, um trabalhador braçal com o ânimo de um semideus (Ele dizia:
Na roça, eu dois duas por uma!), mas aparentando um desengonçado sertanejo
grego (Como o irmão Bastiãozim, também passou por penosas cirurgias), carregando
o espírito de um poeta embelezado pelo amor e pela vida, escrevendo belas palavras
com a tinta verde dos mufumbos e dos juazeiros, ou rabiscando versos com a cor cinza
da mata seca do sertão de onde ressoa a (des)harmonia nordestina.
Eis o poeta Datim, um erudito
e apaixonado sertanejo, confiram: “ ... Amar assim como eu amo / É um delírio
talvez / Uma loucura não chamo / Por
louco, não sou bem vez / É por força e
mistério / Não sei que dia etério / Que não seja da onde é de vir / É uma
atração de abismo / Aflui do magnetismo / Que sentimos sem sentir.”
O poeta Datim, um afinado lírico entoando uma Valsa
em Acorda Donzela: “Acorda, donzela / Que a noite é bela / Vem ver o luar // É
cor de prata / Teu olhar me mata / Na beira do mar // És uma flor / É meu primeiro amor / Vivo a ti amar // Lá no retiro / Por ti
suspiro / Em meu coração // Por ti
querida, / Eu perco a vida / E te aperto a mão // Teu bem querer / Me faz
sofrer / Esta ingratidão.”
O poeta é o fio condutor das
emoções e dos sentimentos e assim interage para transformar o seu rincão, como ele
fazia nos versos brincalhões, aspergia alegria nas almas rústicas dos
habitantes do Curral Velho ao versar sobre as “4” coisa do Mundo: “Tem 4 coisas
no mundo / que tinha vontade de ver / Um jumento fazer ação / Um cavalo com
fome correr / Um vaca dá leite / Sem ela
ter o que comer // Tem 4 coisas no mundo
/ Que o homem fica contente / É trabalhar com uma foice amolada / Brigar com um
homem valente / Casar com mulher bonita /
Namorar com moça quente // Tem 4
coisas no mundo / Que o homem fica em pé / Carne de vaca gorda / Toucinho de
porco baé / Com farinha de mandioca / E
os olhos de uma mulher.” Datim arrematava, numa finalização jocosa, tornando o poema mais regional: "Tem 4 coisas no mundo / que faz eu trocer o camim / uma rodia de cascavel / uma briga de guaxinim / dos bebos do Curral Velho / ser morador dos Bonfins"
Cheguei à conclusão que, no
sagrado e profano chão do Distrito do Curral velho, se a gente examinar bem, esmiuçando
como os arqueólogos, tudo há de se encontrar, que chova, que faça sol ou até que
falte o ar!
E como disse o poeta francês
Charles Boudelaire, mesmo que não se compreenda como as coisas misteriosas e
maravilhosas ocorrem no celeiro de flores e espinhos dos Bonfim, a nossa obrigação
é de admirar... E até mesmo de se espantar!
Raimundo Cândido
Luciano Bonfim disse...
Conheci estes senhores - principalmente convivi e, mesmo não sendo bom aluno, aprendi com eles o amor pela poesia. Do Tio Bastião [Bastiãozinho] ainda guardo uns versos escritos em "canhotos" de jogos da loteria esportiva. Do meu avô Joaquim Bonfim Filho, o vô Datim, trago as primeiras e mais fortes lembranças que a poesia pode suscitar em mim. Conduzido pelas suas mãos, vivi as batalhas de Carlos Magno e os 12 pares de França, conheci os encantos e mistérios da Donzela Teodora etc. Eduquei o meu ouvido para os ritmos e rimas através das suas "declamações" de cordéis reias ou imaginários . Meu primeiro livro traz a seguinte dedicatória: Para Joaquim Bonfim Filho, Datim Bonfim, meu avô e professor. Sei que não sou, nem serei bom aluno, mas continuarei tentando enganar a morte e encantar a vida através das luzes e sombras da poesia - poesia que a mim chegou primeiro através da[s] voz[es] destes 2 senhores. Salve a poesia! EvoéRaimundo Cândido.
Conheci estes senhores - principalmente convivi e, mesmo não sendo bom aluno, aprendi com eles o amor pela poesia. Do Tio Bastião [Bastiãozinho] ainda guardo uns versos escritos em "canhotos" de jogos da loteria esportiva. Do meu avô Joaquim Bonfim Filho, o vô Datim, trago as primeiras e mais fortes lembranças que a poesia pode suscitar em mim. Conduzido pelas suas mãos, vivi as batalhas de Carlos Magno e os 12 pares de França, conheci os encantos e mistérios da Donzela Teodora etc. Eduquei o meu ouvido para os ritmos e rimas através das suas "declamações" de cordéis reias ou imaginários . Meu primeiro livro traz a seguinte dedicatória: Para Joaquim Bonfim Filho, Datim Bonfim, meu avô e professor. Sei que não sou, nem serei bom aluno, mas continuarei tentando enganar a morte e encantar a vida através das luzes e sombras da poesia - poesia que a mim chegou primeiro através da[s] voz[es] destes 2 senhores. Salve a poesia! EvoéRaimundo Cândido.
domingo, 20 de outubro de 2013
Cratheús - 40 graus à sombra!
Algum infeliz, irresponsável,
soprou as brasas do inferno
e ao pino de um sol quente!
As labaredas descem
tostando as toscas almas
e calcinando os corpos
como nos tormentos de Dante!
Evaporou-se o horizonte
sublimando o que havia
de sólido ou de líquido ser
exalando o teor dos queimados!
Meteorizo-me em vapores,
rastro de fumaça no ar,
cauterizado, tostado,
como nas ardentes caieiras
que nos deixamos queimar!
Raimundo Cândido
José Alberto de Souza disse...
Será que nas lavas
desse tórrido vulcão
não se crema
tanta gente ainda viva
como se experimentassem
apocalípticas labaredas
na própria alma?
sábado, 19 de outubro de 2013
A Matriz
Vejo na luz difusa
um som do passado
vagueando no ar...
A Nave,
tal Arca de Noé,
fascina meu ser...
Ouço
os velhos reverendos
prostrados nas cruzes,
auteros, fervorosos
docemente afáveis:
a voz da inquietação,
o clamor de alerta,
e o brilho da ostentação!
Percebo,
no clarão dos vitrais
a iminente profecia
do capuchinho Vidal,
augure em iluminação,
divagando n’alma
inflamada no fogo
que arde no coração!
Raimundo Cândido
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Sem adeus
Eu era o abandono,
náufrago de mim...
Estendeste-me a tua mão!
Pássaro remido...
Divagamos na linha do tempo,
em nuvens de algodão,
aonde se nutrem ternas ilusões...
De mãos dadas, melhor: atadas!
Um ou dois tropeços
e não nos alvoroçamos...
Estávamos de mãos dadas,
mas já desatadas!
Não houve sobressalto
quando desalinhamos
e dissiparam-se as nuvens...
Soltaste a minha mão
e nas ruínas do tal naufrágio
regressei ao meu ponto insular..
Sem um adeus!
Raimundo Cândido
José Alberto de Souza disse...
Esta é a dor
que nos provoca
um simples adeus
para virar saudade
num rosto sem feições
que teima em desaparecer
como esperança derradeira...
José Alberto de Souza disse...
Esta é a dor
que nos provoca
um simples adeus
para virar saudade
num rosto sem feições
que teima em desaparecer
como esperança derradeira...
A Missão
Aos que passaram
e deixaram o perfume
feito índole, feito fibra,
em ação, caminho e vida!
Aos que passam
alicerce, explanação,
doses de inspiração
como preces sagradas!
E continuam a passar,
se doando, sem grilhões,
misto de dor e amor,
guias em proceder.
Aos que passarão,
uma lição: Esperança
é a alma do mestre
a sorver angústias.
E que passem feito dom,
consagrando a Apolo
os júbilos e as aflições
trituradas nas moedas!
Raimundo Cândido
Zacharias Bezerra de Oliveira disse...
A professora das professoras, amiga leal e tutora
Dona Delite é o início do anúncio da profecia
Foi uma mulher, em vida, muito batalhadora
E sua obra estará, para sempre, em nosso dia a dia..
Zacharias Bezerra de Oliveira disse...
A professora das professoras, amiga leal e tutora
Dona Delite é o início do anúncio da profecia
Foi uma mulher, em vida, muito batalhadora
E sua obra estará, para sempre, em nosso dia a dia..
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
O Pião
Na ponta
do fio de algodão
gira um pião, revoluteia
no vórtice do tempo
rabiscando versos
que adocicam a minha mão.
Na ponta
do fio de algodão
deixei um brinquedo
a girar e minha vida
prosseguiu a bailar,
efêmera, feito um tufão.
Na ponta
do fio de algodão
ainda circula emoção,
rodopia uma poesia
na alma do menino livre:
pião zonzo, ingênua magia.
Raimundo Cândido
LAVRADOR
No feitio da pele,
na chama da carne
e no lenho dos ossos
lavramos a vida...
Labor sem fim!
A enxada repousa
olvidada no canto
e nos ombros um enfado
infindo
prossegue...
Esgotou-se o ânimo,
debilitaram-se os braços,
esmaeceu-se o olhar para
roçar o limo do
chão!
E a terra nua, sequiosa, crua,
no lavor final e supremo,
é que ara na pele da gente!
Raimundo Cândido
domingo, 13 de outubro de 2013
A Cerca
Às vezes,
na ponta da estaca
pousa uma sabiá,
mas só de passagem,
a peneirar as penas!
E sempre o intrometido
Bem-te-vi vem curiar!
Às vezes,
há perfume de roseiras
e o colorido da jitiranas!
Num momento invulgar...
Todavia,
o que predomina no ar
é um cinza decadente,
desdouro de paus-a-pique,
das velhas estacas abraçadas
no peito de um Mourão
que o tempo rói o limo,
retornando-o ao chão!
A cerca corre na fila torta
escoltando uma vereda
na trilha da amplidão!
Às vezes,
no desalinhamento rude,
ancora um passador
onde a fé se transpõe
de lado a lado, elevador
de ossadas e esperanças,
na senda da solidão!
Raimundo Cândido
Zacharias Bezerra de Oliveira disse...
Maria do Socorro Cavalcanti disse...
Meu prezado amigo e Presidente da Academia de
Letras de Crateús, Raimundo Cândido
T. Filho, sou realmente uma privilegiada! Contar com o envio de variados
textos advindos de tão nobres confrades, é realmente agradável e proveitoso. O
seu poema A CERCA vai fundo no interior de cada Nordestino, que venha a ter a feliz
oportunidade de ler tão importante obra. Parabéns!Zacharias Bezerra de Oliveira disse...
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Pedro Basílio - O Maravilha Negra
Uma letra de música, da irreverente Banda Pop Skank, entoa assim:
”Bola na trave não altera o placar
/ Bola na área sem ninguém pra cabecear / Bola na rede
pra fazer o gol / Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?” Embalei esse sonho, como milhares de crianças
brasileiras acalentaram e alimentam a esperança de ser, um dia, um jogador de
futebol.
Um
franzino e pequeno menino, o Zico, nas peladas pelas ruas de Quintino, também
acalentou. Até que um dia o radialista
Waldir Amaral vendo aquele “sonho” pincelando arte, o apelidou de Galinho de
Quintino. O Progenitor de Pelé, o Dondinho,
como o craque crateuense conhecido por Sebo, era um exímio cabeceador e chegou
a marcar cinco gols de cabeça numa só partida. Então, com o que Pelé podia
sonhar? Só precisou que o Waldemar de Brito o descobrisse, para que esse “infalível
sonho” se transformasse no Rei do Futebol, dentro de um esquadrão imortal, parte
integrante do Dream Team brasileiro de todos os tempos, o imbatível Santos de
Douval, de Coutinho, de Pelé e Pepe.
Na década
de 60, na cidade de Cratheús, aquecida pelos raios do sol como um manto dourado
no sertão, o futebol também fazia parte dos sonhos dos meninos, que assistiam aos
jogos pelos radinhos de pilha, torcendo pelo mesmo time que seus pais e depois
saiam a correr pelos campinhos da beira do rio ou nos terrenos baldios, aonde a
população despejava lixos.
Na Rua
Frei Vidal havia um colégio que aguava sonhos, não os do futebol, mas da
cidadania e do trabalho, em prol da vida, o Externato N. S. de Fátima. O aluno chamado Pedro, canelas compridas com uma
sariema, dissimula como quem nada quer, para fugir da sala de aula, pois no
sangue fervilha um forte desejo de ver realizado o sonho de se tornar um
profissional da bola. Arguciosamente abaixa-se, por trás dos colegas, e
escapole pela porta da frente, mas a fuga é percebida pela mestra, Dona Delite,
que sabendo de sua sujeição à bola, de súbito, o argúi: - Já vai fugindo de
novo, Pedro Basílio? Não faça isso! Volte, a gente vence na vida é trabalhando
com a cabeça. O menino Basílio, já no meio da rua, vira-se e responde à
mestra: - Mas eu vou vencer é com os pés, Dona Delite! E some na esquina do
mundo, atrás da concretização de seu sonho.
No
campinho poeirento do barrocão configura-se a criatividade, arredonda-se a
habilidade, tempera-se a malandragem com a bola, coisas que só os craques
adquirem, e somente na infância, pois as essenciais qualidades técnicas e
táticas vão alcançar é nos treinos duros e repetitivos dos gramados, pelo
Brasil afora.
O implacável
tempo passa desfazendo os sonhos ou tornando-os realidade. Um dia Pedro Basílio
retorna à casa da mestra, como um respeitável senhor de sorriso largo e sincero
e com uma vistosa foto na mão, vinha confirmar aquela esperança, corroborar o
diamante bruto que fora lapidado, mostra a sua imagem numa fotografia ao lado
do Rei do Futebol: Pelé. O menino traquina que sempre fugia das aulas, tinha
vencido, sim senhora, e pelos seus habilidosos pés, coisa que a professora não
acreditava.
O mundo
recebe um talento com aplausos e alegrias, se o artista tem o dom de deslumbrar
nossa alma com danças, com músicas, com pinturas, com poesias e se este
artífice é uma mistura de tudo isso, como ocorre nos bons momentos de futebol,
aí o espetáculo é de uma beleza ímpar. O crateuense Pedro Basílio
pertence ao rol dos grandes artistas deste esporte bretão e acostumou-se às
glórias, aos brilhos, aos belos espetáculos, pois foi o maior colecionador de
títulos dos campeonatos cearense. Ídolo do Fortaleza Esporte Clube que o levou
do Comercial crateuense aonde, ainda menino, jogava descalço e de lá pulou a
patamares mais altos, como o Botafogo do Rio de Janeiro, o Internacional do Rio
Grande do Sul e o Sport Club do Recife encantando platéias e emocionando os
corações de todos os torcedores por onde passava.
O
jornalista Sílvio Carlos, amigo de Pedro, afirmava: “O Basílio ajudava a todo
mundo. A generosidade dele era grande. Às vezes, pegava um bicho, em dinheiro,
e saia ajudando os vizinhos". O mesmo repórter Silvio Carlos, que
também foi diretor do Fortaleza, conta que depois de testarem uns quarenta substitutos
para o lugar do zagueiro crateuense que estava jogando no time rival, nenhum
deu certo, e resolveram passar a perna no Ceará Sporting. Programaram a troca
do ponta direita Mazolinha pelo Basilio e Sílvio ainda estava disposto a voltar
uns 500 mil Reais, na transação. Antes entregou uma boa grana ao Pedro e pediu
que bebesse uma e outras, à vontade, como gostava de fazer e que fosse à
reunião no dia seguinte, com a diretoria do Ceará, com uma feia aparência de
ressaca. Na reunião, o Silvio foi logo dizendo:
— Rapaz, se eu trocar o menino Mazolinha, por esse Pedro Basílio, que está aí neste estado, velho e acabado,
a torcida do Fortaleza vai me matar.
A
ingênua diretoria do Ceará caiu na armadinha e foram eles que voltaram 500 mil
reais. Deste ano em diante, as faixas de
campeão cearense estiveram sempre estampadas nos peitos dos tricolores, para nosso
desgosto, os alvinegros.
Basílio
deixou os gramados da vida aos 56 anos, e depois de pelejar o duro combate pela
concretização do sonho do menino que saiu das várzeas do Rio Poti e se tornar um
herói, honrado com o título de Craque
da Era Castelão, pela Crônica Desportiva e pela Secretaria de
Esporte e Cultura do Ceará (Sejuv) e como o glorioso Pelé, que foi escolhido o atleta do
século, nosso Basílio virou até nome de Troféu.
Ao
menino da Dona Maria Lica, que apanhava da irmã, toda vez que abandonava a marmita
do almoço, no meio da rua, e ia jogar bola em qualquer esquina que via uma
redondinha quicando, ao pivete bom de bola, que gostava de surrupiar os cajus nos
quintais alheios e fugia em disparada louca, já treinando sua típica
velocidade, toda nossa imensa gratidão pelos belos espetáculos nos Estádios,
Presidente Vargas, Castelão, Juvenal Melo e no campinho do Barrocão.
Pelo
privilégio de ter contemplado o talentoso Pedro Basílio elevando o nome de
nossa cidade em letras rubras, com a mesma emoção que brota do peito junto ao
distintivo do nosso clube e na fina elegância de um extraordinário craque a
desfilar com uma bola como se a amada fosse, sinto-me na a obrigação de
repassar a essa nova geração de conterrâneos, o imenso feito deste cidadão, que
concretizou um grande sonho, o sonho de vencer com a bola nos pés como prometeu
a Mestra Dona Delite, o sonho de se eternizar como o notável Maravilha Negra.
Há
pouco, sentado na Praça da Matriz, me deleitado com um animado jogo do Vozão, na Lanchonete de Edvan Viera, soube que a sua Escolinha de Futebol – ASEEJOC– já
enviara alguns atletas crateuenses para times
de Fortaleza, de São Paulo e até do Rio Grande do Sul, a terra do Poeta das Águas doces José Alberto
se Souza, que muito gosta de futebol. E rebatendo a uma letra de música de John Lennon quando
diz “O sonho acabou / O que posso dizer? / O sonho acabou” digo, com certeza
absoluta, que o sonho de um bom retorno ao futebol em nossa cidade, não acabou. E
até achei o Edvan bem parecido com o deus grego Morfeu, o moldador de sonhos. Tomara
que ele produza logo, entre os jovens sonhadores de suas categorias de base, um
substituto a altura para o Maravilha Negra do Sertão.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
O Pitel
Um espelho invisível
ofusca a mansidão
na pele da água.
A irrequieta infância
arremessa pedrinhas
que quicam na lâmina e no ar
e permanecem a quicar,
cumprindo a proeza
suspensa no êxtase
de resvalar e pular...
de resvalar e pular...
Saltam, desenhando no ar
a inquietação das esferas,
em promessas concêntricas,
no olho a brilhar!
E de tanto quicar,
espasmos curtos
de asmático relâmpago
na face do tempo,
a dispnéia do pitel
o faz naufragar!
a dispnéia do pitel
o faz naufragar!
Raimundo Cândido
José Alberto de Souza disse...
Ao escutar pelo caminho,
no riacho, o som do moinho,
tchum-bum, tchum-bum,
as pedrinhas deslizando,
n’água círculos formando,
e tchum-bum ...
Socorro Cavalcanti disse...
José Alberto de Souza disse...
Ao escutar pelo caminho,
no riacho, o som do moinho,
tchum-bum, tchum-bum,
as pedrinhas deslizando,
n’água círculos formando,
e tchum-bum ...
Boa noite, Prof. Raimundo:
Deixei significado de "farrancho" em comentários do nosso blogue:
Agora, também andei buscando PITEL (pitéu, gostosura, coisa gostosa, mulher gostosa) no Google e acabei descobrindo esse Dicionário Cearês:
Então, meti-me a elaborar um acróstico com aqueles termos e me saiu este texto:
Obras amarelo queimado
Liso e ingembrado
Abufelas meuzovo
Malamanhado, pedes penico
Acunhas a mundiça
Capas o gato chei dos pau
Hein, tira a macaúba da boca,
Ôi de goiaba, tu lá chupa nada!
Rebolas no mato a meiota,
Engabelando bãe de cuia
Inhaca, arre égua!
JASaudações.
Socorro Cavalcanti disse...
Presidente da ALC Raimundo Cândido, bom dia!
Encantada com seus textos, transcritos neste Blog, e a sua atuação com Presidente da Academia de Letras de Crateús (ALC). Parabéns amigo, você é um herdeiro da vocação Divina, predestinado ao trabalho grupal. Transmita sim, através da palavra escrita e falada, aos associados da ALC, a comunidade e especialmente ã juventude, a necessidade de atuar, de produzir como verdadeiros cidadãos e cristão.
Um abraço acadêmico.
domingo, 6 de outubro de 2013
Canapum
Vinha, serena...
Mas com olhos de lince,
pele macia,
maneio de pantera,
orgia e orgasmo
que não se espera!
Chegou!
Nos lábios de mel
a pura magia e meiguice,
sem nada dizer, sem apreço
de bônus ou prêmio
por merecer tal ósculo suave,
incomensurável, espontâneo,
imortal como mergulho no mar,
viagem as estrelas a me iluminar,
e o volátil, inusitado beijo
estalou no meu rosto:
Muaaaaahh!
Deleitei-me...
E foi o mais delicioso
de todos os maduros canapuns!
Raimundo Cândido
José Alberto de Souza disse ...
Sensualidade explícita
num implícito desfecho,
provocante, instigante
como sugar de morcego
que pega bastante indefesa
a presa desprevenida.
Francisco Pascoal Pinto disse... ( Haicai Canapum)
José Alberto de Souza disse ...
Sensualidade explícita
num implícito desfecho,
provocante, instigante
como sugar de morcego
que pega bastante indefesa
a presa desprevenida.
Francisco Pascoal Pinto disse... ( Haicai Canapum)
Kigo (tema) : Lua
Abro o canapum
O que encontro lá dentro?
Filhote de Lua
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Outrora, quem sabe, maneirosas juritis...
A cerca, outras vezes, já não se destaca,
Pois nada mais cerca, são apenas estacas.
José Alberto de Souza disse...
Enxergas uma sobrevida
pairando no ar eterno
como se quisesse contar
uma história oculta
na solidão de paus a pique
cravados na terra morta.