segunda-feira, 9 de maio de 2011


Ficar

Lamber, efêmero,
a doçura sem sorver
água de sal que há
na lembrança da boca
e no incitar da pressa
esvoejar na solidão,
alinhado a rota e partir!


Raimundo Candido
www.raimundinho.hpg.com.br

sábado, 7 de maio de 2011

Nuvem

Tentou em toda sua vida
pôr-se numa linha de prosa,
feito nimbos, anunciando-se.

Só exprimiu ausências,
a inexistência pessoal
que se sobressai em si.

Tentou na errante vida
apontar-se em versos
feito um denso presságio

e só anuviou-se, exalando
a branca fumaça dispersa
que nunca passou de nuvens .


Raimundo Candido
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terça-feira, 3 de maio de 2011

DIDEUS SALES LANÇA LIVRO EM CRATEUS






A Academia de Letras de Crateús tem a honra de convidar Vossa Senhoria para o lançamento do livro "Jitiranas de Luz" do Poeta Dideus Sales.


Local: Restaurante o Wanderley
Data: 06 de maio de 2011
Horário: 20h



Compareça e prestigie a literatura e os escritores de nossa Terra!

joao silas falcao soares disse...


Dideus Sales construiu uma boa produção literária há décadas.Conheço este poeta de algumas boemias e bate papo em nossa Crateús.E agora ele nos brinda com Jitiranas de luz, que é um belo título.Parabéns Poeta.Silas Falcão

Sexta-feira, 06 Maio, 2011


Luciano Gutembergue Bonfim disse...

Dideus Sales,
matuto do pé rachado, versejador de flores vivas e mortas, homem da natureza, paz e poesia, parabéns pela nova obra e eterna maestria. abraços, do seu admirador:
Luciano Gutembergue Bonfim.





Bordéis

Eram aconchegos
..................distintos
.......................íntimos
...........trilhas surradas
........................oferecidas
.......................na tolerância
............................envelhecida
.............................das meninas!

Eram obséquios
...............ofertados
................no amparo
......................no dispor
...........................no afago
............................com calor
.............................compelidas
...............em assídua ausência!

Eram suntuosos
............a dedicação
....do pecado teatral
.....totalmente original
.......................feito escola
..............................inspirada
...................................em afeto
.................em impudico prazer!

Raimundo Candido
www.raimundinho.hpg.com.br

segunda-feira, 2 de maio de 2011

DESENCONTRADO

Elias de França








Perdi-me à caça do destino.
Fui ficando, enquanto me partiam as raízes.
Permaneço: esquecendo, esquecido, esquisito...
De pé, no itinerário do futuro,
como que a esperar à frente o que perdi atrás;
como que a cobrar o reconhecimento
dos que me ignoram.
Todo o suor que me rega as rugas
é o cansaço de tentar ser
o que ontem cansei de ser,
o que hoje já não quero ser,
o que amanhã não conseguirei mais ser.
E aqui vou ficando,
assim, passando... passivo...
Como uma nódoa do dia de ontem encravada na blusa,
tão lento pensando,
tão nada criando,
tão pouco fazendo,
que o passado me ultrapassa
e atira poeira nova na minha cara.
E assim vou passivo... passado...
Tentando, em vão, não cair no mundo oco,
vendo o oco do mundo vorazmente me engolir.


Isis Celiane disse...
Parabéns, amigo! Seu poema é simplesmente lindo, é a expressão lírica de uma angústia que todos nós sentimos e que você genialmente transformou em versos.
Segunda-feira, 02 Maio, 2011



domingo, 1 de maio de 2011


......................................O Dom foi único!

..............Ao homem não foi concedido tempo suficiente para contar a eternidade, nem para romper a ossatura dos séculos e rasgar as cortinas do mundo, que pena!
.............Um pesar, sim, porque no bojo da humana existência um fenômeno extraordinário ocorre, ocorreu e vem ocorrendo. O surgimento, invulgar, de criaturas que existem para se tornarem pilares da raça, bastiões de retidão e de exemplo, a nos transmitir a certeza de que podemos bem mais que isso que meus fatigados olhos veem. Não por eles, que em si já bastam de completude e firmeza, mas por nós, pobres mortais. Merecíamos que esses benfeitores, esses nossos preceptores, transpusessem o umbral do limite de tempo para que recebêssemos bem mais de suas benesses espontâneas e isso só pela suas simples presença entre nos, sem contar com suas ações construtivas e reparadoras.
............Segundo consta, de um trecho do inpirado Evangelho de João (10, 16) que preceitua: “Tenho também outras ovelhas, que não são deste redil. Também tenho de as conduzir; elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor ” foi de onde ergueu-se a fonte de toda coragem, de toda determinação, do amor e da fé que impulsionou uma dupla de dignissímos heróis, que meus olhos tiveram a honra de ver e minha alma o prezer de cortejar, Dom Antônio Batista Fragoso, o modesto, e o queridíssimo Padre Alfredinho, o puro, que consagraram cada pensamento, cada ação de suas honradas vidas à dos pobres mais sofridos desta nossa região, desta nossa imensa nação!
...............Revolucionário, justo, corajoso, construtor de consciências fundamentadas na realidade e não nas utopias ilusórias. De sua convicta voz ainda auscultamos: “Cabe-nos buscar com o coração humilde e a cabeça lúcida, o que supõe uma consciência longa e desarmada com o povo. A partir do pouco que vamos descobrindo, veremos que existe uma sabedoria popular sedimentada, multissecular. Se fôssemos ver, hoje, os livros da Sabedoria, não seriam apenas cinco ou seis que estão na Bíblia, mas várias dezenas, cujo conteúdo nasce no chão, na mente, na consciência do povo”. Hurra! E mil vezes hurras a este erudito poeta, profeta bíblico! Chego a ficar sonhando, como estaríamos agora, se tivéssemos, entre nós, dezenas de “subversivos” Fragosos! ( Subversiva era a realidade social do Brasil, afirmou ele em resposta aos ultrajes, aos infames insultos!).
...............O Dom que um dia, em Medelín, Colômbia, aliado a um Prêmio Nobel da Paz, o argentino Adolfo Perez Esquivel, destacou-se na defesa dos direitos humanos, enfrentando uma ditadura empoleirada em toda America Latina empregnada do desagradável aroma ianque, que impôs os desprezíveis crimes de tortura, os misteriosos desaparecimentos de militantes políticos e agentes comunitários e pastorais. Nenhum guerreiro se intimida em busca de uma justa paz!
..............O Dom que me lembra o nobre São Basílio, um venerável e notável orador que teve medo de que o orgulho de sua imensa sabedoria sobrepujasse sua piedade e vendeu tudo que tinha para se tornar um monge, afirmando: “Pertence aquele que tem fome o pão que tu guardas; àquele que está nu a capa que tu conservas nos teus guarda-roupas; àquele que está descalço, os sapatos que apodrecem em tua casa; ao pobre o dinheiro que tu tens guardado. Assim tu cometes tantas injustiças quantas as pessoas às quais poderias dar.”
...............O dom que enfrentou os anos de chumbo, numa época marcada pelo medo e pela repressão à liberdade, pisoteada pela cruel Ditadura. Uma existência inteira em desprendimento no amor ao próximo, exercendo sua missão religiosa em plenitude com a Teologia da Libertação, tornando viva e presente uma Igreja sem ostentação, dos Pobres e para os Pobres.
..............O Dom que saudava os jovens como se reverenciasse a um importante adulto, deixando-o cheio de júbilo por ter sido cumprimentado por um herói. (Bom dia, Raimundinho! Era como se enchesse um imenso balão.).
.............O Dom que lembra o imensamente singelo e tão altivamente pequeno São Francisco de Assis: "Onde houver ódio que eu leve o amor, onde houver ofensa que eu leve o perdão, onde houver discórdia que eu leve a união, onde houver trevas que eu leve a luz"
.............O nosso eterno Dom, um Profeta da Paz com sua luz ardorosa, incitando, inspirando nossas compadecidas almas. Um sertanejo paraibano, mas crateuense de coração com palavras carregadas de agradecido louvor e convicção :“O sonho que durante anos foi sendo inspirado dentro de mim encontrou, nos 34 anos de pastoreio em Crateús, um chão para germinar!”.
.............Ao Dom, em tempo algum agreste por esse caminho pedregoso, como sugere o sobrenome Fragoso, nosso modesto, mas franco tributo, por ter-se deixado semear neste árduo sertão e vindo a brotar como uma frondosa árvore de gratidão, na memória de nosso coração!

Raimundo Candido
WWW.raimundinhp.hpg.com.br



joao silas falcao soares disse...
Caro RaimundinhoCrateús sempre viverá a bela memória do revolucionário, justo, corajoso, construtor de consciências que foi Dom Fragoso. Parabéns pela homenagem prestada ao nosso Profeta da Paz.Silas Falcão.
Segunda-feira, 02 Maio, 2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011






................Ausência

Sobreveio um daqueles ventos de nostalgia
Que apaga velas e acende fogueiras
Impregnado de ausências que incomoda

Soprou-me como um aguçado temporal
Encharcando meu perplexo silêncio
Que escorreu pelos meus olhos

Ostentava uma recordação de mim
Na urgência de voz e no anseio do riso
No desejo de ilusão do que nunca fui




Raimundo Candido





Sandra Helena Queiróz Silva disse...
Um blog que evidencia uma essência única,o que nasce d'alma.Cativa com maestria e nos faz viajar por um Universo sem limites; o de sentir, amar, chorar e mesclar todos os sentimentos em único lugar . Nesta bela Academia de Letras de Crateús.Parabéns! Estou incluindo ao meus blogs preferidos.Beijos de Luz!
Sábado, 30 Abril, 2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

CONVITE AOS ACADÊMICOS


O Bêbado

Achegou-se ao botequim, assim... retraído!
Fingindo... dissimulando uma intenção.
Nem parece que dormiu pensando nela.
Num roí-roí dos nervos, numa submissão!

Do simples prazer brotou o costume.
Do hábito veio o pesadelo de um vício
que ele nem notou. A corrente atada
aos pés, a porta da masmorra que se fecha.

Abranda a sequidão pela abrideira
e daí inúmeras saideiras até a caideira
vergonhosa, deprimente pelas coxias
de um ser humano avinhado em álcool.

Após a imunda cuspida ao pé do balcão,
lúgubre, triste, como sepultura do cidadão
esparge uma ao santo e outra ao diabo
que já vem engarrafado e de encomenda!

Raimundo Candido
WWW.raimundinho.hpg.com.br

segunda-feira, 25 de abril de 2011


A Profissão


Aflige a solidão no repleto mundo,
sem fragrância de poder e sexo,
sem sedução, sem vida, sem nexo.

E deixa de ser o grande deserto,
por Cleópatra, farta em Oasis,
ventre de fêmea a serpentear.

Embeveço assim, seduzido,
absorto em arte, vida e morte,
pelo fogo que arde em libido.

Uma Cleópatra em cada esquina
há, a dançar com facas e fascínio,
tirando véus, que desvelam o céu.

Raimundo Candido
www.raimundinho.hpg.com.br

sexta-feira, 22 de abril de 2011


Amigão

Nunca foi necessário
um santo testemunho,
uma prova de lealdade
além do clarão nos olhos.

Nunca uma só atitude
desleal. És todo natural
abnegação, a toda hora
na expressão do rabinho.

Nunca a desonestidade
ladrou pelo elo de ternura
invisível que bem nos uniu,
em teu puro abraço franco.

Nunca haverei de esquece,
o teu sincero devotamento
contra minha dura ingratidão.
Mil honras a ti: Nill, Luppy e Half!

Raimundo Candido
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quarta-feira, 20 de abril de 2011

CULPA DE VAQUEIRO

Elias de França


Há um trato de risco e um hiato de sina entre o homem e seu vaqueiro, o vaqueiro e seu cavalo. O homem confia ao vaqueiro seu gado e o paga com sorte. O vaqueiro confia ao cavalo o alcance da rês e o paga com a fama. Pelo gado e pelo homem morre o vaqueiro, e pelo vaqueiro morre o cavalo. Mas não havendo bezerros nem queda de boi, não há de haver nem sorte nem fama. Não havendo o homem não há vaqueiro, e sem vaqueiro, não há o cavalo.
O crime era daqueles sem perdão, pelos séculos sem fim. Valia o castigo de quem mata um santo em cujo túmulo os enfermos acenderiam velas, depositariam oferendas e apostariam promessas e milagres, gerações a fio. E como na alusão a Joana d’Arc, tornar-se-ia hábito de qualquer um responder, quando alguém lhe quisesse atribuir missões penosas: não, eu não matei o Doutor Olavo.
Então o vaqueiro, que já não havia, era feito um bicho ferido, vagando na caatinga, andando a esmo, dormindo ao relento, escondendo-se do mundo e de si mesmo. Se comia ou bebia, era graças aos préstimos da esposa e filhos, que lhe levavam uma marmita e uma cabaça d’água, quando o podiam encontrar. Parecia um corpo sem alma, cão que, por querer, ficou sem dono.
Todo o tempo passado e as pessoas com quem vivera apagaram-se. Restou-lhe aquele pequeno lapso de instantes, imensurável em segundos, sem começo nem fim, quando, depois de ir à casa do patrão, na cidade, trocara a montaria pelo banco do passageiro do automóvel que levaria os dois à casa da propriedade vizinha. Donde ouviu, e obedeceu, como bom vaqueiro, a ordem do patrão para esperar no carro. Donde ouviu as vozes ferozes dos vizinhos gritarem ódio e tiranias. Donde covardemente viu, encostado nos paus da cancela do pátio, o pai e os dois filhos, armados de facas, desferindo o ataque ao doutor, que debalde tentava alcançar o veículo andando de costas, dando a própria carne dos braços como defesa, até cair desfalecido. Donde embrenhou-se em fuga, pelo matagal, até perder-se, para nunca mais se achar.
Há, sim, um trato de risco e um hiato de sina entre o homem e o vaqueiro. O homem confia ao vaqueiro seu gado... Pelo homem morre o vaqueiro... Não há de haver sorte nem fama... Donde covardemente viu, encostado nos paus da cancela... até cair desfalecido... Não havendo o homem não há vaqueiro... os paus da cancela... cipó... não há cipós que possa prender cada instante daquele lapso, imensurável em segundos, sem começo nem fim...
E na manhã do dia em que completava um mês que o mundo se acabara, a esposa, de marmita e cabaça d’água em mãos, procura desesperada o vaqueiro, que já não havia, até encontrá-lo pendurado no alto do galho de um juazeiro, enforcado com cipós de taipa. Debaixo do cadáver, o cavalo, que também não havia, babando relinchos de lamúrias, escavando aflito, chorando o final de uma historia de vaqueiro e gado.

terça-feira, 19 de abril de 2011


Chocalho e Gibão

Era um gibão feio e rude, mas
caia-lhe nos ombros feito lã.
No rumorejar dos sapos e grilos
que absorvia a lua a cortejar o sol.

Exacerbava os lábios, num gesto:
- Está bem aííí... a rês desgarrada!
E se antecipa ao sonolento galo
para campear o extravio, no breu!

Já perscruta o ar. Colhe os aromas.
Capta sons e ausências nas veredas.
O dia delineia-se vestido de enfado.
Abriga o suor e a fome de fim de tarde.

Repentino, aviva-se. Afia a atenção.
Será um badalo a chocalhar ao longe?!
A exaustão foge com a impressão
da novilha em alerta. Um convite!

Flecham-se! Estica-se na sela
feito um guerreiro medieval.
Uma trincheira de juremas pretas
é um estorvo traiçoeiro e cruel!

Sombras e réstias de luz mesclam-se
na inextricável mata de espinhos acesos.
Arrematam-se pelo sem fim da caatinga
insensível, a tanto heroísmo, a tanta destreza!

Raimundo Candido
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sábado, 16 de abril de 2011



Clown
A Carlitos

Ri alto no choro, clown,
pois a aflição é a queixa
de quem chora e não ri!

Como máquina em pranto
simula teu riso de solidão
em lágrimas, exaltado palhaço!

Ouça! São aplausos, todos
para ti, magnânimo andarilho,
que gira com chapéu-coco!

Prodigioso vagabundo
que troca a luz do sol
pelo encanto da noite.

E mesmo que chore ou rias,
assim tão feliz ou tristonho,
nem sabe mais quem sois.

Raimundo Candido
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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Crateús Eterna Princesa

Aldo Costa



Domingos Jorge Velho – O Bandeirante
Desbravador dos sertões nordestinos
Em busca de fama e riqueza
Em nome da coroa portuguesa
De São Paulo seguiu seu destino
Adentrou pelas ribeiras do Poty
Ergueu vilas, tribos dizimou
Feroz capitão.
Herói ou Vilão?
Faz parte da história da nação
Dona Luiza Coelho Rocha Passos
Tomou posse dessas terras pra fazenda de criar
Piranhas – foi assim batizada
Pela imagem do Bonfim abençoada
Rio Poti veio apadrinhar
Em trinta e dois, Vila Príncipe Imperial
O Piauí não tem mais tua nobreza
Em mil novecentos e onze
Ainda com a coroa em bronze
Crateús é cidade e princesa
Bela história de luta e conquistas
Quantos filhos ilustres pariu
Orgulho prá os que hoje te habitam
Exemplo para os que acreditam
Que um novo horizonte surgiu
Te desejo um futuro brilhante
De progresso num grande cenário
Rainha nunca perde a realeza
Crateús - minha eterna princesa
Parabéns pelo teu centenário.
Parabéns prá você!
Parabéns pelo teu centenário!
Parabéns Crateús!
Parabéns pelo teu centenário!
Ressaca

Se da tempestade
à calmaria
ou acalmaria
a tempestade?
Sei que sorvi todas,
com direito,
sem dinheiro,
fui além da cota,
irrefreavelmente
sem fronteira!
Zonzo, cobram-me
a conta, amarga,
atordoado!
Busco uma toca
que entoque
meu sentimento
como uma toupeira!

Raimundo Candido http://www.raimundinho.hpg.com.br/

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Karatiús", crônica de Pedro Salgueiro para O POVO


Há quase quinze anos não ia a Crateús, localizada no centro-oeste de nosso Estado, que sempre foi uma espécie de sub-capital da região em que nasci, porque antes de ser fácil se viajar para Fortaleza, as cidades menores (como a minha Tamboril) resolviam todos seus negócios por lá.

Eu adorava quando meu pai ia comprar sola, vaqueta e outros utensílios para sua pequena sapataria. Era oportunidade para encontrar revistas em quadrinhos e, principalmente, a saudosas Placar, que corriam nas mãos dos amigos o resto do ano.

Voltei a convite dos escritores amigos Lourival Mourão Veras e Elias de França, que fariam lançamento conjunto de suas ótimas peças de teatro (respectivamente, Açucena não é flor que se cheire e Histórias de Roça – ciranda, cirandinha, venham monstros cirandar; as duas premiadas pela Secult em seus editais de Literatura). Então fomos, eu e os amigos Bernivaldo Carneiro, Luciano Bonfim e Silas Falcão, desbravar sertões juntos em direção às antigas terras do Piauí.

Além de rever os dois amigos e participar de uma noite de autógrafos com quase 350 pessoas, tive a oportunidade de visitar a Casa de Arte e Cultura João Batista, capitaneada pelo grande Edílson, de ouvir as valorosas memórias futebolísticas do Aldo (que, junto com seu irmão Ari e uma geração de ouro, ajudou a construir a história do futebol da cidade e da região) e conhecer mais de uma dezena de pessoas inteligentes e simpáticas.

Achando pouco ainda fomos a um saboroso almoço sertanejo na residência da linda família de Elias de França, depois tomar cerveja com tilápia acompanhando o movimento do trenzão em frente à Praça dos Pirulitos e do trenzinho do Louro da Cruz carregado de crianças e sonhos.

P.S.:

Antônio Elias de França é crateuense nascido na localidade Arvoredo, no distrito de Santo Antônio, e autor de livros de poesia, teatro e literatura infantil, além de músico e artista plástico. Vencedor de diversos prêmios e festivais.

Lourival Mourão Veras é dramaturgo, poeta e contista nascido e radicado em Crateús. Tem marcante atuação nos movimentos culturais de sua terra, onde, em cima de sua alada cadeira de rodas, é referência há várias gerações.


Pedro Salgueiro

terça-feira, 12 de abril de 2011

CRATEÚS PRESTIGIA LANÇAMENTO DE LIVROS PREMIADOS






A noite de sábado, dia 09 de abril, em Crateús, foi movimentada pelo lançamento de dois livros: "Açucena não é flor que se cheire", de Lourival Veras - ilustrado por Eduardo Azevedo, e "Histórias de Roça: ciranda, cirandinha, venham monstros ciradar", de Elias de França - ilustrações Daniel Diaz. As duas obras foram vencedoras do Prêmio Eduardo Capos de Dramaturgia - Edital Prêmio Literário Para Autor Cearense, da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará.


O Evento aconteceu no Teatro Rosa Moraes e superlotou aquela casa de espetáculo. Estiveram presentes admiradores das letras de Crateús e outras cidades da Região, alem dos Escritores: Pedro Salgueiro, Bernivaldo Carneiro e Silas Falcão, que vieram da Capital, e Luciano Bonfim, de Sobral, para prestigiar a festa das letras em Crateús.


Os autores e obras foram apresentados pela professora e arte-educadora, Adriana Calaça, que apresentou Elias de França e sua obra, e pela atriz, pedagoga e produtora cultural, Karla Gomes, que apresentou o livro e o autor Lourival Veras. Falaram tambem sobre os autores e suas obras os escritores Pedro Salgueiro e Luciano Bonfim.








TEATRO NO TEATRO


O lançamento dos livros, ambos de gênero dramatúrgico, já que tratam de textos/roteiros para peças de teatro, foi alem da costumeira noite de autógrafos e exibiu uma belissima perfórmance teatral, baseada em trechos de ambas as peças, estrelada pelos atores/atrizes da terra: Teodora Calaça, Socorro Siqueira, Maria de Jesus, Welington Lira, Márcio Renê e Vânia Kézia.

Com a palavra facultada, vários convidados se pronunciaram, dando ênfase à importância de eventos como aquele para a Cidade e região, bem como a utilização do Teatro da Cidade como palco de atividades artístico-culturais, para as quais se destina.

ENCONTRO DE LETRAS E LETRADOS


Dia 9/04/,Crateús viveu uma noite literária inesquecível. O Teatro Rosa Moraes – justíssima homenagem a esta educadora de várias gerações de crateuenses – recebeu centenas de convidados para o lançamento dos livros Açucena não é flor que se cheira, de Lourival Mourão Veras; Histórias de roça: ciranda, cirandinha venham monstros cirandar, de Elias de França. A cultura literária foi muito bem representada pelos autores dos livros e convidados que se manifestaram no momento da palavra facultada. Agradecemos aos acadêmicos da Academia de Letras de Crateús – ALC – nas pessoas do presidente Elias de França, Lourival Mourão Veras, Aldo – Secretário de Cultura de Crateús – e Raimundo Cândido Teixeira. O convite para participamos desse evento literário muito nos honrou.


Saudações literárias,


Silas Falcão, Pedro Salgueiro, Bernivaldo Carneiro. Terça-feira, 12 Abril, 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

DO EMBRIÃO AOS FRUTOS

Crateús, ainda em sua embrionária formação, lá pela segunda metade do século XIX, apresentou sua inclinação para artes. Nas letras, o primeiro poeta na terra a surgir fora José Coriolano de Sousa Lima (1829-1869) ou simplesmente José Coriolano. Hoje esquecido em Crateús, mas na outra margem da Serra da Ibiapaba, em virtude de seu livro póstumo Impressões e Gemidos, de 1870, é considerado no Piauí como o fundador da literatura piauiense. Aliás, José Coriolano é o patrono da cadeira nº 8 da Academia Piauiense de Letras. Nesses 141 anos, ou seja, de 1870 a 2011, Crateús ainda não conhece aquele que igualmente deu início a história de nossa literatura local. Mesmo assim, hoje ao ver o lançamento das obras Açucena não é flor que se cheire, de Lourival Mourão Veras, e Historias de roça: ciranda, cirandinha venham monstros cirandar, de Antonio Elias de França, percebo que o bom grão, semeado pelo poeta José Coriolano, germinou faz tempo, pois entre nós as gerações estão se perpetuando para a germinação de novas...cujos ciclos, espero que prospere para sempre. Nisso, parabéns para Lourival Veras e para Elias de França, pela contribuição a esse ciclo vivo.


Carlos Bonfim

Domingo, 10 Abril, 2011