Este é o chão sagrado da Academia de Letras de Crateús na internet. Como um templo ecumênico, nele há espaço para todos que adoram cultuar a beleza da virtude, a simplicidade da inteligência, a singeleza do verbo, o fascínio da cultura, a liberdade da palavra, a profundidade do amor.
“Com a criação da Diocese de Crateús e a nomeação de Dom Fragoso como seu primeiro bispo (1964), surge na cidade um forte movimento em defesa dos mais pobres. A criação das associações de bairros e o trabalho por elas desenvolvido foram de grande importância para as comunidades mais carentes como enfrentamento às dificuldades historicamente estabelecidas. Neste período muitas foram as ações em prol de uma sociedade mais justa, tais como: a construção de casas e escolas comunitárias, politização e evangelização da população simples e menos informada, mas, principalmente, sua conscientização e organização na luta por seus direitos.” (Karla Gomes)
“Após esse período de estiagem que durou 5 anos (1979-1983), é chegado o momento de alimentar e ser alimentado pela esperança cantada pelo poeta. Por meio da resolução Nº32/83 de 31 de agosto 1982, chega em nossa cidade, com o propósito de modificar a face da região, a Universidade Estadual do Ceará. Passando a funcionar efetivamente no ano seguinte - tornando-se historicamente a primeira instituição a iluminar nosso sertão em um processo efetivo de interiorização do ensino, por meio da implantação de cursos de nível superior. Nesse contexto, impregnado pela cultura retirante dos sem rumo, dos sem letra, dos sem chuva e dos sem trabalho, toma corpo o ensino superior em nossa região, tendo como precursor o curso de Pedagogia da Faculdade de Educação de Crateús – FAEC...” (Nêga)
“Nessa viagem de aprendizagens significativas, faço hoje uma “chamada escolar” destes mestres com elegância, poesia, criatividade e entusiasmo. Uma chamada daqueles que são inesquecíveis porque levam o verbo de uma página para mentes que precisam aprender, acreditando que a proximidade com o divino se deve ao fato de que esses professores, por serem especiais, têm o privilégio de ficarem em nossas memórias apaixonadas, definitivamente.” (Ana Cristina)
“Ir às ruas buscar esse direito é expor à comunidade a lesão que os manifestantes sofrem. É não só denunciar, mas, sobretudo, juntar apoios. É partilhar de seus saberes reivindicatórios e aprender mais no exercício da cidadania, feito às ruas. É aprender e ensinar que o tráfego das comunidades – antes dos carros, dos semáforos e das leis que o regem – é composto por pessoas, e a estas todo o resto está submetido. É perceber que a contramão não está exatamente na placa de seta indicando “em frente cortada ao meio”, mas na ausência de reflexão das tantas faltas necessárias ao desenvolvimento humano pleno, atento aos princípios da igualdade, tolerância, fraternidade, justiça social e felicidade.” (Adriana Calaça)
Outros 100 anos para todos!
Relojoeiro
O primeiro assunto que nos surge para impulsionar uma conversa afável, em rodas de amigos, é quase sempre sobre o preponderante tempo. Normalmente principiamos pelas aparentes condições meteorológicas: ” —Oh! tempo quente!”, “—O tempo está bom”, “—Acho que o tempo logo vai desabar!”. Quando não, é sobre uma sucessão que nos envolve, irreversivelmente, formando noções de passado, presente e futuro e que servem, às vezes, de argumentos para velhas desculpas ou para novas mentiras: “—Estive muito ocupado, não sobrou um tempinho sequer, para lhe visitar”, “—Ainda é tempo de reconsiderar!”, “—Como o tempo caminha a seu favor, só o renova e o enriquece!”
É irredimível, o tempo, por ser eternamente atual, convergindo tudo para um só fim, que é o instante presente, como anuncia em tempo e hora o atemporal Poeta T. S. Eliot: ”Vai, vai, vai, disse o pássaro: o gênero humano não pode suportar tanta realidade, o tempo passado e o tempo futuro, o que poderia ter sido e o que foi convergem para um só fim, que é o sempre presente”.
É esse fluxo perpétuo e ininterrupto que, aproximadamente, há quatorze bilhões de anos matura o mundo com espirais de poeiras, gases e luzes numa fenomenal força gravitacional compondo uma engrenagem de incalculáveis peças e que funcionam harmonicamente com um infinito relógio. Se há um relógio universal, há o Divino Relojoeiro! O Grande Relojoeiro responsável pela criação e manutenção desta imensa máquina cósmica.
Há, também, uma filosofia do tempo, a matéria-prima de todo tiquetaqueante relógio. Só podemos medir o tempo enquanto ele passa. Não medimos o futuro que não é ainda, nem o passado que não é mais, nem o presente que não tem duração, mas comensuramos uma ilusão que é circundada pelo nada, como a voz humana que começa e acaba em meio ao silêncio.
De segundo em segundo, vamos construindo uma estrada com nossos atos, nossas alegrias, nossos medos, nossas ânsias sem nos tornarmos donos do tempo e nem seus escravos, mas com a certeza de sermos manufaturados pelas horas que os relojoeiros tão bem dimensionam, em fina arte e precisão, nos instantes da longa caminhada humana.
É uma profissão que exigi paciência, nervos de equilibrista e é para bem poucos que se propõem a exercê-la, por pura vocação. Alguns começam por um curioso diletantismo, mas logo estão conectados, num efeito de magia, àquela estupenda engrenagem de transmissão que gira em sentido horário, dando a impressão que trabalham contra as outras peças, que se movem no anti-horário, mas estão bem conectadas e em harmonia, a mover os determinantes ponteiros.
O homem sem paciência é como uma lamparina sem óleo, e a serenidade, a perseverança tranquila que pressentimos no luzidio rosto de Seu Carlos Leite que já o iluminava deste aquele dia em que leu na Revista O Cruzeiro uma propaganda sobre um Curso de Relojoeiro por correspondência. Lá no Distrito de Monte Nebo, seu torrão natal chamado Caldeirão, na Serra da Ibiapaba, consertou o primeiro aparelho, um antigo relógio de parede que pertencia ao Senhor João Mascarenhas. Os relógios de Crateús logo lhe acenaram os ponteiros, convidando-o para vir montar uma oficina.
Aliou-se a uma barbearia com uma banca de conserto, a mesma que ainda usa no seu ponto comercial Grão Duque, na Praça João de Melo Cavalcante, a que tem um nome popular que lembra a idade avançada dos velhinhos. De lá saiu o pão, a poesia e a educação dos filhos e do irmão Raimundo, todos executando, antes de outras atividades, a fina arte de relojoaria. — Os relógios, naquele tempo, eram como jóias, que passavam como herança de pai para filho. Hoje, de cada dez relógios que nos trazem para conserto, a metade volta porque não adianta nem um simples reparo.
Seu Carlos Leite completa 50 anos exercendo a arte da paciência, e o tempo que lhe sobrou gastou agradavelmente interpretando peças teatrais ou confabulado com musas( A Dona Verônica, sua esposa) para a produção de belíssimos poemas, quase sempre de cunho político e social: “Tem gente falando grosso/ que é um pré-candidato/ mas a lei da ficha limpa/ vai cortar o seu barato/ sua ficha, dita cuja/ se encontra muito mais suja/ do que poleiro de pato.”
O destino de Seu Carlos já estava traçado, era mesmo consertar os relógios, impulsionar o teatro e dar asas a belos versos, em Crateús.
Um antigo relojoeiro é como um médico afastado da mesa de cirurgia, a qualquer instante por ser solicitado a prestar um socorro, como seu Zé Pires que aos 88 anos ainda conserta as Vigorelles e as Singers que embirram nas mãos das costureiras impossibilitando seus cosidos zigue-zagues. Como relojoeiro está parado há algum tempo e lá alguma vez é que o convocam para consertar um cansado relógio de parede, que lentamente volta a respirar no ritmo de um ofegante tempo. Seu Zé descobriu a arte dos relógios como as crianças descobrem as engrenagens dos carrinhos de pilha, por pura curiosidade de uma afiadíssima inteligência. Relembra de quando trabalhava num salão de barbearia com Seu Deusinho, na Rua Santos Dumont quase na esquina da Coluna da Hora. O freguês chegava pedindo para que o seu Roskopf ficasse a prova d’água e ele logo respondia: — Meu amigo, relógio é para marcar as horas, não foi feito para nadar no Poti, não!
Quem conserta um relógio em dois tempos é Seu Wilson, num Box do Shopping Popular (Shopping Souza Neto), troca o pino de um bracelete, muda a bateria de um automático e os trocados vão caindo na gaveta. Avisa-nos: — A vida de relojoeiro é dura, precisa de muita paciência e concentração, mas dar para garantir o ganha pão e sustentar a família. Começou a trabalhar com Seu Carlos Leite e depois que criou asas levantou um longo vôo solo e, mesmo enxergando com um só olho, domina o dinamismo das máquinas como se fosse com o olhar de uma águia que perscruta o rústico solo do sertão.
Um especialista é um homem que conhece cada vez mais sobre cada vez menos, não deixando de saber sobre o restante das coisas da vida, como o relojoeiro Andre que possui uma coleção de Certificados de Cursos Técnicos de Relojoeiro com respaldo na Terra da Garoa e até na Suíça, o país dos relógios. Mas Andre aprendeu o verdadeiro segredo foi na prática, quando trabalhou com um mestre-professor, judeu e austríaco, que veio escapar das garras de Hitler na selva paulista e lhe passou todas as dicas e manhas dos relojoeiros. Uma vez Andre consertou o relógio que a vaca comeu. O bovídeo esfomeado mastigou a camisa de um leiteiro com um relógio no bolso e Andre teve o privilégio de consertar o estrago que o ruminante fez, mas trabalho especial mesmo foi conserta um magnífico relógio de parede pertencente à Condessa de Matarazzo que ainda deve está dependurado numa parede de uma antiguíssima casa na badalada Avenida Paulista.
Voltando para a nossa bucólica Crateús e caminhando pela Moreira da Rocha, no prédio de Nº 933 e um acabamento por terminar, encontramos a trabalhar em sua oficina do Sr. Zé Maria Camelo, mecânico, pedreiro, carpinteiro e até poderia ser um grande orador, pelas palavras fáceis que saem de sua boca, chega a me parecer um profeta, quando diz: Eu sei ver as coisas! Zé Maria foi o relojoeiro da antiga nobreza crateuense: o Sr. Deusteth Albuquerque, o Sr. João Melo Cavalcante, o Sr. José Bezerra, O Sr. Raimundo Machado, O Sr. José Cardoso Rosa, o Sr. Chico Lopes, todos eram fregueses habituais . Foi quem consertou o relógio da Coluna da Hora a pedido da prefeita Leonete Camerino e de lá para cá, pelo abandono no tempo, os ponteiros foram ficando birutas e foi soando 3 horas da tarde bem antes do meio dia, tocando 5 horas da madrugada muito antes da meia noite. Há muito parou!Está a espera da boa vontade de um zeloso prefeito, que peça ao Seu Zé Maria para consertá-lo novamente, e possamos ouvir o sino da matriz em harmonia com os badalos da Coluna da Hora nos desejando um Feliz Natal!
“Mas o mundo mudou, posso sentir na água, posso sentir na terra, posso cheirar no ar”, são as palavras de abertura de um filme de aventura adaptado de um livro de J. R. R. Tolkien que aproveito para fantasiar com os fantásticos relógio de hoje, que também mudaram. Não se ver mais um elegante cidadão puxando uma áurea correntinha do bolso da calça, com um cromado relógio na ponta orgulhosamente a dizer: foi uma herança de meu avô! Após tantas revoluções tecnológicas os relógios aparecem agora na TV, na geladeira, no fogão, no freezer, no carro, no celular e espantosamente me dizem que existe um relógio atômico que mede até o micro milésimo de um segundo pelas oscilações do átomo de césio-133 só para tiquetaquear toda a pressa do mundo, que realmente mudou!
Sim, o mundo mudou... E eu, embirrento, teimo em não mudar! Por isso vou ficando por aqui, no meu esquecido tempo, com um olhar esmaecido a contemplar a areia que escoa de minha ampulheta de onde também escorrem minhas lágrimas de saudade, que nunca param! E vêm-me, mais uma vez, os doces versos de meu querido poeta Quintana, que me acalma e me diz, mesmo acabando os relojoeiros do mundo, que só a saudade é que fazer as coisas no tempo pararem...
Júnior Bonfim:“No meio da praça havia um busto. Um busto, robusto, em meio aos arbustos, um organizado labirinto de algarobas que enfeitava a praça principal, a geradora de todas as agendas da urbe. Era a pedra angular, o pátio do povo, a praça, a praça da matriz. Menino sem hino, ainda não havia descoberto a fonte da alegria, a poesia, sempre perto da nossa mais perfeita tradição. Mas sabia, com emoção, que alguma coisa ocorria no meu coração. Sem susto, me intrigava aquele augusto busto. Indagava: quem é este? Respondiam-me: é o doutor José Coriolano de Sousa Lima... Depois descobri tratar-se de um dos maiores gênios da poesia no século XIX.”
Juarez Leitão: “... quando o homem regressou, não trazia nem o carneiro, nem o couro e nem um centavo de dinheiro. Com a maior cara de pau, o peralta (que havia vendido o presente e gastado o dinheiro com mulheres e cachaça) afirmou que precisou comer toda a carne do carneiro na longa travessia. E o couro do animal? Onde estava o dinheiro? O homem cinicamente respondeu que não tinha.
A mulher virou uma fera:
‘Não me diga nem de graça
Uma história como esta.
Procede desta maneira
todo homem que não presta.
Eu fico logo é danada
E você não me contesta.’
Mas o marido encerrou a discussão com as razões de sua prepotência:
‘Deixa de asneira, mulher,
vaca não briga com touro!
Cala logo esta buzina
tua zoada de besouro
que carneiro em Tamboril
nesta época não tem couro!’”
Vá e leve toda a turma!
MAIS CEM ANOS PARA CRATEÚS!
domingo, 4 de dezembro de 2011
Poesia na Escola
A poesia brotou na roça e em pleno verão, pelos ardentes versos de Drummond. Voou pelo rústico sertão, livre como um pássaro chamado Quintana. Veio marejando, lá de Portugal, só para se confraternizar com centenas de Curimins-Poetas que recitavam versos de Pessoa, aos borbotões. A natureza transbordou com um olhar de espanto e fascinação com o que ali se viu! Nesta sexta-feira,dia 2 de dezembro a poesia foi arrebatada em êxtase e agradeceu a grandiosa homenagem recebida na culminância do Projeto Literário da Escola de Cidadania Umbelino Alves da Silva, cujo lema é: Educando com experiência, aprendendo com a diversidade e por nossa conta completamos, com muita sabedoria, mas também é a Escola Nota 10 consagrada em prêmios pelo Governo do Estado. Esta localizada no povoado de Curral do Meio no poético Distrito de Curral Velho. A Academia de Letras de Crateús agradece a homenagem recebida e parabeniza o núcleo gestor, os dedicados professores da ECUAS e seus talentosos alunos pelo belíssimo espetáculo literário ( sarau poético) que aqueceu nossos corações.
Albery Gomes( Diretor) disse:
Obrigado pela participação, pelo aplauso e toda emoção que nos fez sentir com suas presenças, desejamos que a academia de letras seja nossa parceira nesse rumo a cultura poética, sabendo que vocês sendo está referencia sejam o remo desta canoa em direção não só a poesia lida mais escrita. Mais uma vez obrigado! E contamos com vocês.
O MUNICÍPIO EM SEUS ASPECTOS DEMOGRÁFICOS E SOCIAIS
“Quase todos foram formados de singelos povoados quase sempre às margens de rios ou riacho, com casas totalmente dispersas e muitas vezes subordinadas à casa grande da fazenda, até se constituir em distrito. A aglomeração, o apinhamento de residências mesmo rústicas, o crescimento das atividades econômicas para a sobrevivência exige que o nível de associação avance para maior organização, o que vai mobilizar a política, quando se desencadeia a promulgação de leis municipais que instituem os distritos. Assim, a história de estirpes é contada de geração em geração, do saber avoengo para a erudição do pai e desse à lembrança nostálgica dos filhos. Com o registro cartorial, povoados são tornados reais, passam a ocupar o mapa do município e assim surgem os distritos de Crateús. [...]Buscamos o que foi, para não cair no esquecimento, e o que continua sendo, para que se tenha ideia do que pretende para si e para os seus o homem do interior.” (Raimundo Candido) ..........
“Faz-se imperioso reconhecer, desde logo: a situação material de existência miserável da maioria dos habitantes de Crateús os excluiu, objetivamente, durante um lapso temporal centenário, das postulações judiciais perante o Estado-Juiz, às mais das vezes elitista, formalista e plutocrata. A constatada conjuntura local nos remete a uma conclusão romanística, inspirada nos versos de Ovídio, segundo a qual cura pauperibus clausa est, ou seja: também na Terra do Senhor do Bonfim “o Tribunal sempre esteve fechado para os pobres”. (José Arteiro e Isis Celiane) .........
“... Crateús, ou melhor, o Brasil, fundamentado no Catolicismo, só iria experimentar novas filosofias num tempo bem posterior. De fato, as Igrejas Protestantes que o município possui fazem também seu papel evangelizador. Inicialmente fundou-se a Assembleia de Deus, e assim outras filosofias religiosas passam a existir. De vertentes vinculadas às Testemunhas de Jeová, Evangélicos ou Crentes... Crateús conta com diversos credos cristãos. A cultura africana também é presente em diversas manifestações. Oficialmente, conforme os “pais” ou “mães de santo” que travamos diálogos, existem no dizer deles “3 terreiros”, ou casas de Umbanda...” (Ericson Frabrício)
Convidamos os membros da Academia de Letras de Crateús para Reunião, que se realizará no dia 03 de dezembro de 2011, às 17:00h (sábado), em sua Sede, à Rua do Instituto Santa Inês, n° 231 - Centro - Crateús, para deliberar sobre a seguinte pauta: 1) preparativos para lançamento do livro; 2)outros assuntos do interesse da Arcádia.
Crateús: As Origens “[...]provavelmente, lá pelo início do século XIX, num ponto da Serra Grande ou Serra da Ibiapaba, à altura do hoje distrito de Montenebo, no município de Crateús, região centro-oeste do Ceará, vivia um grupo de indígenas abrigados numa furna. Viviam da coleta de frutos e raízes, da pesca e da caça de mocós, cotias, queixadas, jacus e outros pequenos animais. Difícil sobrevivência, principalmente nas épocas de estiagem, quando recorriam à captura de gado que era criado à solta e que, por não terem a mesma noção de propriedade do homem "branco", consideravam como animais de caça semelhantes aos outros existentes naquela região. O gado, no entanto, pertencia ao proprietário da fazenda Bebida Nova cujo dono era José de Barros. Sentindo falta de reses e ovelhas o proprietário mandou investigar e descobriu que os animais estavam sendo caçados pelos índios.” (Luís Carlos Leite) aaaaaaaaa "No imenso vale do Rio Poti, que mede 120 quilômetros de largura por 180 de comprimento, predominou a civilização do Couro, pois, a partir do couro, se faziam praticamente todos os objetos necessários à vida do sertanejo, através de um rico artesanato, vez que as áreas para a criação de gado se concentravam no sertão. [...]O município de Crateús é essencialmente de vocação agrícola e pastoril e sua economia, ao longo do tempo, teve como suporte maior o ciclo da carnaúba, com a exportação da cera e o artesanato da palha da chamada árvore da vida. A oiticica, a mamona, o algodão, as peles de caprinos e ovinos, as peles silvestres e o couro do boi foram nossos produtos de exportação durante décadas, mas, hoje, nada mais representam economicamente para o município.
[...]Nestas condições, a cidade está completando o seu centenário em novembro vindouro, e vai, inacreditavelmente, sobrevivendo, com boa parte de sua população ostentando luxuosos carros novos, nacionais e importados, com o comércio aquecido e com grande valorização de seus imóveis. Numa análise perfunctória, diríamos que em Crateús dá-se um milagre econômico, pois a cidade não para de crescer, a construção civil caminha a passos largos e o setor de serviços se mantém em pleno aquecimento. Grandes empresas de eletrodomésticos se estabeleceram na cidade e aqui fazem bons negócios." (César Vale) aaaa
"Quando aqui chegaram, bandeirantes e sesmeiros, como: Domingos Afonso Sertão (Mafrense), Bernardo Pereira Gago, Julião Afonso Serra, Francisco Dias De Ávila, Leonor Pereira Marinho, Vital Maciel Parente e Luiza Passos, trouxeram consigo a força física e o pensamento trabalhado para dominar, não só essas terras, mas o Nordeste. Esse homem colonial da época caminhava, com firmeza, por atalhos e matas virgens, atravessando rios com suas famílias, Terços e serviçais, que, por vezes, eram acometidos por infortúnios no corpo, na alma e nas ideias." (Cheyla Mota)
"Naquele tempo era comum se conceder terras para serem exploradas, por brancos que instalavam fazendas de gado e exploravam a agricultura. As terras eram cedidas pela coroa dentro dos costumes normais. Os primeiros sesmeiros vinham acompanhados de familiares, agregados e escravos. Estes desenvolviam serviços domésticos e auxiliavam nos trabalhos das fazendas lidando com gado e outros animais. Nenhum direito lhes era concedido e apesar de tudo ainda eram maltratados pelos patrões. Era vasto o território a ser explorado e os fazendeiros pouco se interessavam por elas. Por isto existiam grandes áreas de terras abandonadas. Dona Luiza Coelho da Rocha Passos, baiana da Casa da Torre, interessada em instalar aqui uma fazenda de gado conseguiu com Dom Ávila uma posse destas terras. Instalou a fazenda e deu-lhe o nome de Fazenda Piranhas. Alguns historiadores informam que este nome originou-se por causa da grande quantidade deste peixe no rio Poti. Porém, há outra versão que este nome decorre em razão da localidade Piranhas, em Alagoas, ser a terra dos ascendentes de dona Luiza." (Flávio Machado)
"O imperativo de consciência, de que falamos, pretende-se ao desgosto que temos – assim como vários crateuenses que não tem voz – em se acoplar o nome de Crateús dos Inhamuns. Nada mais falso. [...] Só um dado topográfico já separa os dois regionais: Crateús é sertão. Tauá, um planalto, um platô. A identificação errônea "Crateús – Sertões dos Inhamuns" tem um braço mágico oculto... Trata-se de um plano montado fora de Crateús – extras muros – para o desvio de obras para os Inhamuns. Enfraquecendo economicamente Crateús, quebra-se o status da cidade, como centro irradiador do centro-oeste, e abre-se uma porta larga para políticos às botas, à cata de votos, não comprometidos, tornando Crateús um magnífico, porem, mercado persa, com bancas de botos, vigorando o toma lá, da cá! Como não sabemos conjugar o verbo ter medo, fomos levados a revelar este imperativo de consciência... Permita-nos o leitor uma frase singular, com um toque de ironia e rima, acerca do que acima contestamos: comparar sertões de Crateús ao platô dos Inhamuns significaria também comparar Frei Damião com pneu de caminhão." (Pe. Geraldinho)
UM GRANDE PRESENTE PARA CRATEÚS
Mais 100 para todos os crateuenses!!!
Relógio
Tique-taque tique-taque
Uma sagrada Íris
irradia-se na fornalha
e lança pó
e solta gás
no singular
ímpeto inicial.
T i q u e – t a q u e
Sopro divino
evolution e consumi
florestas inteiras
para manter
o turbilhão
de meu relógio.
Tiq ue
Enfastiam-se
os ponteiros
de meu firmamento
e prossigo assim:
em cosmológica
solidão....
taq
Raimundo Candido
sábado, 26 de novembro de 2011
Aurineide, uma felina poetisa.
O incomensurável duende –profeta–poeta Pablo Neruda em seu belíssimo poema, Ode ao Gato, afirma que ninguém consegue perscrutar os mistérios da vida como sabe um simples gato na sua performance de monge, de guardião do inextrincável, de explorador manhoso da metafísica natural para, em seguida, se recolher a um profundo silêncio de majestosa aceitação e sensualidade.
Sou fervorosamente cão, por isso nunca entendi direito o porquê desta forte atração dos poetas pelos gatos. Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Morais, Mario Quintana, Guimarães Rosa sempre a conversar com seus dois gatos persas, Charles Boudelaire ( três poemas felinos nas Flores do Mal), Rainer Maria Rilke, Mark Twain, Charles Perrault (o criador do Gato de Botas), o sublime T. S. Eliot (com um livro de poemas inteiramente dedicado a seus gatos, depois transformado no famoso musical Cats na Broadway), Clarisse Lispector e uma felina poetisa crateuense chamada AurineideMartins e seus 40 gatos manhosos. Se formos enumerar a todos os vates, seria uma lista enorme de apaixonados por bichanos. Desconfio que nós, ordinários caninos a balançar o rabinho, não passamos de mera prosa, enquanto os felinos, com seus misteriosos olhares de desdém, conduta interesseira, desconfiados e contraditórios representam a pura poesia que os enfeitiçam. Também imagino que os cães pensam que são humanos, os gatos; que são deuses.
Um lugar Sus Generis é aquele em que a luminosa e imperceptível magia sucede-se e o marca indelevelmente na linha do tempo, como no cruzamento da Rua Pe. Juvêncio com a Frei Vidal, minha Regina Viarum, religiosamente protegida. De lá, vem um espanto e um êxtase, despertando-me para o mundo, como a cruel queima de Judas na frente da casa de Dona Francina (com suas duas cadelas ferozes: Não sei e Depois eu digo) e a visão estonteante de uma belíssima Rosa chamada Regina debruçada à janela, a irmã da professora, poetisa e prendada artesã Aurineide.
O Senhor Pitágoras Martins, afamado galã namorador, aquietou-se de uma agitada vida noturna para embalar o sono da princesa Aurineide até o dia em que a candidatou a miss crateuense, um tempo suntuoso, em que o belo e o nobre tinham valor. Àquela época, para as jovens inteligentes e prendadas, a vida lhes oferecia um bom casamento, um lugar no convento ou o árduo caminho na educação como nobre missão. As freiras da Escola Normal impediram que Aurineide seguissem este caminho de esplendor, desfilando nas passarelas.
A professora Aurineide e Supervisora da Secretaria de Educação recorda do tempo em os alunos realmente estudavam: Havia exames no inicio e no fim de cada ano, para realmente se avaliar e dizer se podiam ou não passar. Lembra-se de quando, uma turma de seu colégio, o Lourenço Filho, tirou brilhantemente o primeiro lugar, numa Feira de Ciências, competindo com toda uma Região Nordeste do Brasil.
A Escritora Aurineide, recorda-se dos três anos de árduas pesquisas, realizada com sua colega Ivane Sales, para escrever o livro Resgate Histórico de Piranha à Crateús e das dificuldades para publicá-lo, mesmo sendo um livro de utilidade pública.
A Artista plástica Aurineide, guarda dezenas e dezenas de belíssimos quadros, caprichosamente trabalhados com folhas de árvores, pólens, galhos e gravuras de belos pássaros, obras que com certeza encantaria até o naturalista Augusto Ruschi e é, certamente, um patrimônio cultural riquíssimo que Crateús ainda não conhece.
Da vida alegre e boêmia de Aurineide, este escriba se orgulha de ter participado, quando o saudoso botafoguense José Osmar, filho de Seu Antonio Deó (primeiro prefeito de Novo Oriente), com um inseparável violão, começava a cantoria com o Caboclo Vingador de Augusto Calheiros: No meu sertão /Numa linda palhoça /Vivia uma cabocla /Filha de Chico Simão /Namorou-se /De um caboclo renitente /Conhecido por Clemente /Apelidado Lampião e o restante da noitada era a belíssima voz da Aurineide que tomava de conta.
Mas o que realmente quero não é falar dos 40 felídeos de unhas afiadas da Aurineide, liderados pelo Mimoso que faz gato-sapato na sua residência, nem lembrar a digna professora que se indigna com a situação atual da educação pública no Brasil, nem somente alertar para o riquíssimo valor cultural de sua obra de arte, sem um merecido apoio das secretárias de cultura, mesmo no centenário de nossa cidade, nem é só recordar a gostosa época da boemia que ela muito bem plantou em seus poemas, quero sim, mostrar ao mundo a verdadeira poetisa e felina Aurineide Martins que certa vez, com um majestoso poema social, foi dispensada pela professora universitária de fazer uma avaliação final no curso de Pedagogia, e assim lhe disse: Quem escreve um poema desses, Aurineide, está acima de qualquer avaliaçãozinha pedagógica. Leiam essas duas estrofes, de um longo poema que diz das injustiças sociais:
Você já cumeu Sá Dona,
Angu d’água na refeição
E ficá do mesmo jeito
Pruquê num há digestão
Ingana só a fraqueza
Mas num faz volume não.
Sá dona a vida na roça
Só servi para o patrão
Qui tem tudo de mió
Sem gastar nenhum tostão
Pruque nóis é que faz tudo
E a paga é a isploração.
A um momento que descobrimos uma fatalidade interior e ficamos vulneráveis ao cruel mundo exterior. Desfalecemos momentaneamente em desvario que espanta àqueles que esperam bem mais de nossa capacidade. Aurineide perdeu o pai, sentiu a despedida da irmã Rosinha e foi dolorido o adeus da querida mãe, como um infortúnio, um algoz a lhe pesar nos ombros, retirando-se para um deserto de aspereza em que somente os gatos lhe aliviavam o pesar. Ainda assim não perdeu a sensibilidade de poetisa, pelo olhar e pela alma, continuou ajudando os que necessitavam de seu apoio.
Hoje encontrei um homem
Caído de cabeça baixa
A olhar o chão,
Decadente, esfarrapado,
Pedindo um pedaço de pão
A mão estendida,
Trêmula, suja, enrugada,
Quanta humilhação
Perdeu o orgulho, o amor próprio
Quanta degradação,
Todos passavam, olhavam
Sem lhe dar atenção!
Uma estrofe, de outro longo poema, que como um anjo com uma espada azul protege os mais velhos a cantar:
Não existe para o idoso
A menor consideração
Falta remédio, assistência
Abrigo, alimentação
E se um deles adoece
É melhor ficar em casa
Do que receber um não
Em portas de hospitais
Onde o pobre, o indigente
Morre sem medicação.
Lá na Rua Pe. Juvêncio, onde outrora admirava uma bela Rosa na janela, uma poética alma de mulher, novamente sai de seu casulo, e nos dá a esperança de um retorno para batalhar contra as misérias da vida, com suas duas poderosas armas, gatos e poesias. Ouçamos, mais uma vez, a felina poetisa a cantar:
A política no Brasil
precisa ser repensada
a maioria dos políticos
vivendo de enrolada
a ganância é o que persiste
fidelidade não existe
partido não vale nada.
É por isso que aí está
a tremenda confusão
todos trocando de partido
para enganar o povão
porque onde ele atuou
todo povo observou
só deixou a decepção.
Quem era de extrema esquerda
oposição radical
hoje é extrema direita
porque não tem ideal
engana o eleitorado
logo após muda de lado
e ainda quer ter moral.
Quem era inimigo antes
hoje andam abraçados
quem sempre foram amigos
agora são intrigados
toda esta confusão
pra ver se na eleição
engana o eleitorado.
O desespero é tão grande
pra não perder o poder
se perderem esta mamata
não vão ter o que comer
em parte eles tem razão
se acabar a corrupção
eles vão viver de quê?
Tem gente falando grosso
que é um pré-candidato
mas a lei da ficha limpa
vai cortar o seu barato
sua ficha, dita cuja
se encontra muito mais suja
do que poleiro de pato.
Tem políticos descarados
que vão à televisão
dizendo: “Junte-se a nós
pra mudar a situação”,
o eleitor está sabendo
o que ele está dizendo
é mais uma enrolação.
Se político criasse vergonha
sabem o que ele faria
de tanto enganar o povo
com certeza ele sumia
tomava um sumiço eterno
se escondia no inferno
nunca mais aparecia.
Caros amigos eleitores
preste-me bem atenção
tem políticos tão safados
que se elegem na oposição
como é um caloteiro
por benesses ou por dinheiro
vende-se pra situação.
Tudo que estou dizendo
eu assumo as consequências
político só muda de partido
porque não tem consciência
não cito nome de ninguém
semelhança com alguém
é mera consciência.
Peço pelo amor de Deus
a justiça eleitoral
descartem estes fichas sujas
pra resgatar a moral
puna-os exemplarmente
senão serão coniventes
com este tremendo mal.
Mas se a justiça falhar
nós estamos preparados
para expulsar estes canalhas
unindo o eleitorado
este é o nosso princípio
começando pelo Município
no Brasil e no Estado.
(FIM)