quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Minha vida!


(A Miriam Menezes Teixeira)

Flor de Nabucodonosor não fui, não sou!
Fico ao vento, verde ramo, tal galho seco
imaginando borboletas que rebentam casulos.
De um inocente subsistir, prisioneira sou!
Oh, Deus... A minha vida!
Desaprendi o infantil sorrir,
mas não me retirei pranteando
o aguado sal a escorrer no rosto,
pela antecipada ruína da vida!
Nada disputei, perdi e ganhei a hora da dor.
Hora de um instante amargo,
é o que me restou!            
Oh, Deus... A minha vida!
O que pintei sem tom, o que fiz de ruim,
Deus dos Profetas?
O que deixei por fazer nas eiras que nunca trilhei,
Deus dos inocentes?
Que pesado holocausto imputam a mim,
Deus da humanidade?
Pois expio o fel do mundo com o reles doce
que em mim, ainda há!
Oh, Deus...Da minha vida!


Raimundo Cândido

terça-feira, 6 de agosto de 2013

ANIVERSÁRIO DO MEDO





Janeiro.
Uma carta apareceu. Curiosos, todos leram a história inacabada.
 
Lua do janeiro seguinte.

Na cidadezinha ainda com medo, a última frase da carta apareceu desvendando o mistério.

 
Do livro O colecionador de dedos – micro contos

Silas Falcão

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Um dia, Raquel bateu na minha porta.



Um dia, Raquel bateu na minha porta: Toc!  Toc!  Toc!   
- É o Professor Raimundo Cândido? Aquele que quer ser poeta sem poder?
- Mas menino, se não é a grande Raquel de Queiroz em viva alma, que vem da fazenda Não Me Deixes!
- Sim, meu amigo e vim lhe dar um conselho, e seriíssimo por sinal, em nome da boa literatura, já que alguns de seus amigos, como o intelectivo caçoador  Luciano Bonfim, o crítico impiedoso Silas Falcão, o tatu-bola zombador  Edmilson  Providência, o arisco poeta Lourival Veras, o pertinaz jornalista César Vale e muitos outros, indiretamente,  lhes preceituaram e você se fez de mouco!
- Não estou compreendendo, Dona Raquel!
- Viu! Já está se fazendo de desentendido.  É o seguinte, vamos direto ao ponto nevrálgico da questão! Amigo, você tem que parar de insistir com o que não poder ser! Quem já viu urubu querer cantar como galo. Você já viu uma vaca voar, Senhor Raimundo?  Poesia é coisa séria, embora não sirva para nada, mas somente os escolhidos das musas é que podem mexer e remexer com os seus acordes. Então, como você é uma pessoa de boa índole e até gostei quando reclamou do abandono da Praça dos Leões, aonde resido agora, vim lhe pedir para que você arranje outra coisa para fazer, a xilogravura por exemplo. Não vê aí, o Almeidinha, quem o observa até diz que é um grande ator de novela e nem nota que é melhor artífice do mundo.  Não querendo, vá ganhar dinheiro! Deixe essa desventurada profissão que escolheu, seja comerciante como seu pai foi ou se candidate a vereador por um partido sério, a cidade estar muito a precisar. Tem muita coisa para você fazer, pela arte e pelo pão, mas pela poesia... Não!
Mas pensando bem, por pura simpatia e notar que tem tanta gente sem a mínima condição tentando entrar no Reino dos Versos sem antes passar pela Portão da Virtude,  vou lhe desaconselhar da minha deliberação. Insista mais um pouco! Não dizem que quem não arisca não petisca, pois sim!  Olhe, um assunto que tenho bastante experiência é sobre as secas e na sua região é coisa que nunca faltou, escreva sobre isso. Água mole em pedra dura... Vá tocando a sua corneta devagarzinho, um dia a nota soa!
Mal Raquel dobou a esquina, rumo ao trono literário que lhe é reguardado, já tinha tomado uma firme decisão. Escorar-me-ei, como sempre faço, na infinita paciência de meu amigo Gilberto Pereira, pois sempre que escrevo uma prosa ele afirma que tem verso e eu, inocentemente, acredito! Seguirei o segundo conselho da amiga Raquel, um dia eu aprendo, e não darei, aos amigos da onça, o gostinho de me ver desistir de um sonho tão facilmente.
PS: Antes de dobrar a esquina, Raquel olhou para trás, com aquele sorriso doce-meigo de sempre, mas tinha um quê a mais, que ainda estou por adivinhar!
Raimundo Cândido

- E agora, Raimundo?


- E agora, Raimundo? 
Teu verso acabou,
tua prosa sumiu
e vieste a mim.
 Milagre?  Faço não,
por tua fraca inspiração!
                                 - E agora, Raimundo?                             
Feito aventureiro,
metido a sabichão,
acabou-se a animação,  
minguo o dinheiro,
e foi-se a alegria
de quem corre atrás de poesia!
- E agora, Raimundão?
- Tem nada não, Drummond!
A gente se faz de itabirense
que tem ferro na alma
para confrontar o Vasto Mundo.
Com jeitinho crateuense
e muita coragem na cara
se inventa até disposição!
- Ah, agora sim Raimundo,
me animei deveras
e mesmo no aperto de aposentado 
lhe empresto uns trocados,
para voltares pro teu Ceará!
- Valeu, Drummond,
até a próxima!

Raimundo Cândido

sábado, 27 de julho de 2013

 
MUNDO
A esposa segredou à enfermeira, no quarto da mansão: Ele nunca deve acordar. Nunca! Ouviu bem?
Do livro O colecionador de dedos.
Silas Falcão

sexta-feira, 26 de julho de 2013

David, O Profeta da Física.


            Afirmam os estudiosos, ao analisarem a infância, que de um mês aos três anos, nas crianças em plena maturação, principia uma vivacidade que vai brotando, levemente, das meigas pétalas da inocência. Dizem que se desenvolvem os inúmeros reflexos, realça-se a percepção de pessoas e coisas, um sorriso prazenteiro se estampa no rosto e salienta-se a sensível curiosidade em descobrir tudo ao seu redor, concluem com altivez os eruditos da pedagogia. Mas se um irrequieto menino é dotado, inexplicavelmente, de uma esperteza maior, tudo vem medrando mais cedo e as inesperadas surpresas vão assustando os incrédulos professores, os parentes arregalam os olhos, para orgulho dos genitores.
- Reparem como meu filho é inteligente! Diz a mãe vaidosa, mostrando alguma façanha do pirralho, aos sobressaltados vizinhos. São os geniozinhos que, aqui acola, surpreendem e assustam o mundo.
O batismo foi na Igreja da Matriz, com ablução de água benta pelo Padre Eliesio, um renascer espiritual, mas que para o menino Karlo David não foi o suficiente, pois um ser intrépido tem que ser purificado é no ardor do fogo. Logo que completa um ano, David se encanta com a luz proveniente das brasas de uma fogueira. A claridade, o princípio de tudo, a causa primeira do próprio existir, alumbrou o menino de Dona Raimundinha. Quando correram, em desesperado socorro, David já estava com uma brasa incandescente nas pequenas mãozinhas, num batismo de fogo, que é a iniciação de todo guerreiro. A marca, que o acompanhou pela árdua vida, confirma mais que um renascer espiritual, denota a manifestação de fibra que se apresentou na raquítica criança, como sinal de extraordinária coragem para o homem que iria enfrentar os desafios e os mistérios do mundo.
O Menino cresce e frequenta a escola para apreender a vida como as crianças pobres da Rua Cel. Tobias, mas não é um deles, tem incumbências que aos pouco vão se revelando na responsabilidade em cumprir suas obrigações e deveres, no talento para os desenhos que impressionavam os adultos, na preocupação social em querer proteger o velho e intermitente Rio Poti, eternamente sufocado pela poluição, na vivacidade do raciocínio e do olhar, que adquiriu do braseiro que queimou sua mão e na modéstia da alma, força que nunca perdeu.
Na gloriosa e tradicional Escola Técnica de Comercio Pe. Juvêncio, patamar sólido das vitórias de muitos cidadãos, revelou a aptidão pelo estudo das Ciências Exatas. Estudar é um trabalho difícil, pesadíssimo, comparável a brocar uma roça no pino do meio-dia. É um fino dom e arte, coisa para poucos! E dedicar-se a Física? Só para os eleitos, que estudam mais que os outros e vivem queimando neurônios!
A claridade da Física de Isaac Newton, mesmo vindo da luminosidade de uma brasa, princípio de tudo, causa primeira do próprio existir, um dia alumbrou o espírito irrequieto de David. Os Físicos são aves raras, profissionais de ponta que fazem com que as pessoas olhem com espanto e mentalmente declarem: - Ah, isso é que é Físico? Mas é um ser em carne e osso! Sim, e num cidadão comum, como  David, é que se resguardam os tesouros de um País, numa profissão que alavanca o desenvolvimento de um povo e que o Brasil pouco soube valorizar.
Um dia, para minha surpresa e espanto, recebo a ligação de David: - Prof. Raimundinho, gostaria de lhe convidar para uma aula inaugural do curso Teoria da Relatividade, aqui na Universidade Estadual do Ceará. Aceitei com satisfação o honroso convite. Um auditório lotado de mentes jovens, com um belo futuro pela frente, assistindo uma aula de Teoria da Relatividade de Albert Einstein ministrada pelos dois únicos Professores-doutores, e foi a única vez que vi dois pós-doutores presentes na cidade de Crateús, pois David havia convidado o amigo, pesquisador de Física das Partículas Elementares e Campos, com ênfase em Teoria de Supercordas, Prof. Dr. Leandro Ibiapina Beviláqua para juntos ministrarem um curso de uma semana. Estava sem acreditar... Em Crateús? Fiz questão de repetir, mentalmente, a pergunta: - Isso está acontecendo aqui mesmo, no meu Cratheús?
Alguns Jovens, crateuenses daquele auditório, tinham sido meus alunos , via-os agora cavalgando num raio de luz, como velocinautas no tempo e espaço da Ralatividade, viajavam para um futuro bem melhor, um porvir que meus olhos podiam ver, estava ali na minha frente!
Aquele menino, que mostrou uma responsabilidade social pelo seco Rio Poti no começo da década de 90, apontava o destino daqueles ansiosos universitários e demostrava o amor pela terra em que nasceu, quando muitos - quase todos - ao se verem com um diplominha de nível de nível superior nas mãos, criam asas, debandam e esquecem o torrão em que nasceram.
          O conhecimento nos faz responsáveis. Se nossos “doutores” tivessem um por cento da afeição que tem o Prof. Dr. David, por Crateús, seriamos um município bem mais desenvolvido, pois o guerreiro resolveu ficar, fazendo o bem para sua gente, ajudando a juventude a conseguir um futuro digno.
Um determinado dia, o Prof. David convida o Químico, também professor e ex-aluno, André Aguiar a levarem o nome de Crateús até o longínquo Rio Grande do Norte. Eles concorrem no II Encontro Nacional de Química e arrebatam o Troféu “Erlenmeyer de Ouro”, e esse é somente um exemplo do impulso que o nosso Físico impõe na mente de nossa juventude.
Como David, o profeta Rei de Israel, que era dono de muitos dons, da música, da dança, da poesia e dos salmos, David , nosso Profeta da Física, é o dono do pensamento mais feliz de Einstein, quando disse que ao mergulhar no mais profundo silêncio a verdade se revelava. De meu incomum e longo silêncio vejo a verdade da Física do bem e da bondade iluminando os caminhos de nossos jovens com uma acesa brasa da sabedoria na mão. Só quero confirmar, com essa breve história, que, Karlo Einstein David Saboia, é um crateuense que tenho orgulho de ser conterrâneo!

Raimundo Cândido

quinta-feira, 25 de julho de 2013

AS HORAS




Das cinco a sete da manhã o condomínio ouvia vozes, sorrisos e música.
Até a manhã seguinte, um silêncio extenso.
 
E há décadas que concreto lacra porta e janelas do apartamento.

 
O colecionador de dedos – micro contos.
Silas Falcão
 
 

DIDEUS SALES E A POESIA POPULAR

                

POR DIMAS MACEDO
 
 
                                             DIDEUS SALES
  

                Existe uma tradição (e uma tendência) na poesia de todos os tempos que resiste à tentação das vanguardas e da modernidade: a poesia de inspiração e ritmo popular. Não se enquadra nos rótulos de nenhuma gramática, não cabe em manuais acadêmicos e não se mede pelos parâmetros do mercado onde se vendem mercadorias e serviços.
 
               É espontânea como as energias do amor, a plenitude e o brilho das estrelas ou como as águas que descem fagueiras das escarpas em busca dos regaços que as levam de volta para Deus.
               Trata-se de uma poesia heroica e multifacetada, que paga tributo unicamente à vida e às grandes esperanças do homem. É revisada e atualizada sempre que entra em contato com o leitor, pois é para ele e não para as ilusões do mundo que ela se refaz e sempre se renova.
 
                Foi assim com a poesia épica de Homero, com os jogos florais do medievo, com os movimentos trovadorescos de todas as idades e com a poesia popular ibérica que nos deu as linhas de pesquisa e os formatos de bolso e de linguagem da literatura de cordel.
 
                Está mais próxima do romance e do enredo de gosto popular do que qualquer outra forma de representação veiculada pela palavra ritmada. Está mais próxima do leitor e das suas aventuras do que as projeções ou a dança das imagens que remarcam a existência da sociedade moderna.
 
                O sertão é o seu locus privilegiado, pois é aí que ela se elabora e se reproduz pela voz dos aedos populares. Leandro Gomes de Barros, no campo do folheto de cordel; Aderaldo Ferreira de Araújo, no setor dos cantadores de viola; Lobo Manso, na seara das profecias e da poesia de combate; e Patativa do Assaré, na linha de todos os ritos polifônicos que unificaram a voz dos deserdados e despossuídos em busca de igualdade e de justiça – são exemplos de poetas do Nordeste que mudaram o curso da literatura popular no Brasil. 
 
               A afirmação do extrato máximo da cultura, para a minha visão, não está nas Universidades, tampouco nas Academias, esses nichos de petulância e de quase nenhuma produção, mas naqueles que fazem a cultura prosperar, em todos os quadrantes do mundo e, especialmente, no sertão. 
 
               Os grandes produtores de cultura do Ceará não estão somente em Fortaleza, como pensavam, até bem pouco tempo, os pesquisadores eruditos, mas em toda a extensão da terra de Alencar. Juvenal Galeno, Patativa do Assaré, Oswald Barroso e Gilmar de Carvalho conheceram ou conhecem o Ceará e as suas tradições muito mais do que os poetas que mourejam no Ideal; ou muito mais do que os eruditos que estudam a extensão da sua ignorância nos corredores do Benfica. 
 
            Dideus Sales, andarilho e pastor de sonhos, que costura a ligação vilas e cidades, no interior do Ceará, é um legitimo representante da cultura cearense e da poesia popular do Nordeste. E mais do que representante, Dideus é o maior e o mais vivo dos poetas cearenses a fazer, no Ceará, a ponte da cultura entre o sertão e o litoral.
 
              Jornalista, poeta e guardador de tradições sem conta da alma sertaneja, Dideus não para de crescer e produzir. Editor da revista Gente de Ação, sediada em Aracati e que se espraia por todo o Ceará, Dideus atravessa o sertão da sua terra sempre a carregar nos bolsos (e na alma) a verve do povo cearense e as suas mais belas tradições.
 
             Na condição de poeta, já nos deu meia dúzia de livros e opúsculos que o colocam em posição de relevo. Mas Dideus não para de escrever e publicar. Prova dessa sua paixão de ordem cultural, é o seu livro: Veredas do Sol (Fortaleza, Expressão Gráfica, 2006), que dispensa prefácios ou apresentações. É sóbrio, sereno, espontâneo, equilibrado e arrojado como todos os grandes e pequenos projetos literários do autor.
 
              Ter sido o autor do prefácio desse livro constitui um privilégio para mim, porque nesse texto me vejo retratado também. E para além da minha condição de poeta, orgulho-me de ser amigo de Dideus, de ser hóspede do seu coração e do seu afeto e de ser leitor de suas intenções e dos seus grandes achados no plano da cultura.
 
              Não vou entrar no conteúdo do livro. Deixo para o leitor o prazer de desfrutar, de primeiro, as imagens e os ritos do sertão que esse volume documenta: lições de vida e de beleza, lições de vida e esperança, lições de vida e de amor desse trovador e poeta do sertão, que o Ceará e o seu povo legaram à poesia telúrica do Brasil.
 
 
Postado por Silas Falcão


terça-feira, 16 de julho de 2013






Janeiro.

A carta apareceu. Curiosos, todos leram a história inacabada.

Lua do janeiro seguinte.

Na cidadezinha ainda com medo, a última frase da carta apareceu desvendando o mistério.

 
Do livro O colecionador de dedos

Silas Falcão

sábado, 6 de julho de 2013

CONFESSIONÁRIO


 

- Pode contar seus pecados, meu filho.
- Padre, sou seu neto.

Silas Falcão


Do livro de micro contos O colecionador de dedos.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A Coruja esfomeada.

                                                           
Uma grande crise se abateu sobre o Planalto Central. No desespero, sem saber o que fazer, o Centro Administrativo dos Camundongos convoca todos os ratos, ratinhos, ratões e as ratazanas da nação  para uma Grande Convenção entre os salafrarios , ordinários,  patifes, tratantes  e roedores larápios do Brasil. O que tinha de rato em Crateús, (E não eram poucos!) pegou carona, clandestinamente é claro, nos ônibus e caminhões que se dirigiam à Brasília. Quem sofreu bastante foram as pobres corujas! Procuraram um ratinho para matar a fome e não acharam! Estavam ficando magras e desnutridas.
                Uma coruja branca, destas orelhudas e da cara redonda, moradora dos telhados do Colégio Vitória, teve uma ideia brilhante , pois não aguentava mais passar tanta fome. Iria comer um dos saborosos alunos daquele estabelecimento, alguns até pareciam uns ratinhos dentuços. Ficou de olho, bem atenta! Percebeu uns quatro meninos que moravam ali por perto e tramou um plano. Estes estavam no papo! Sábia, como é toda coruja, eliminou logo dois, pois eles não tinham carne nem para fazer um pastel!  Dos outros,  viu que o mais gordinho, metido a alemão, era muita sustância para sua fome. Pronto, estava escolhida a vitima: Arthur Goiano, até o nome era sugestivo como cardápio de lanchonete, não precisaria nem de maionese nem ketchup.
Sorrateiramente, voando leve como uma pluma, penetrou no quarto dos meninos e, bem oculta, aguardou. O coraçãozinho do Arhur quase pula pela boca quando viu aquele bico arregalado e as pontiagudas garras de cinco centímetros da coruja esfomeada. Foi um pega num pega, um corre que corre tremendo e Arthur gritava desesperado:
- Socorro!!! Alguém me ajude! Esta coruja doida está pensando que sou um rato! 
- Já que alguém aqui não tem coragem, chamem o Tio Dim, e bem depressa, por favor!
Alguém pegou o telefone e, rapidamente, liga para o tal corajoso Tio Dim que, como um Super Herói das revistas em quadrinho,  voa rápido  e apreende a Coruja malvada, salvando o menino Arthur, que nem fôlego tinha mais, de tanto correr.  
A Coruja foi solta nas margens do Rio Poti, que é o seu verdadeiro lugar, mas mandou um recado para o gordinho Arthur:
- Oh, seu intrometido Tio Dim, diga para aquele ratinho roliço, que se nossos alimentos não vierem logo de Brasília eu volto lá, e ele agora não escapa não! E levantou voo, piando tristemente, com suas longas asas talhadas ruflando no ar, rumo à inóspita Caatinga para se alimentar de algum desprevenido e saboroso calango.


Raimundo Cândido

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Piauí terra querida...

( De Maria José Carvalho Coelho, sobrinha do Ilustradíssimo e saudoso  Nonato Bonfim, professora na cidade de Salvador - BA e trabalha poesia(cordel) com seus alunos – Nasceu em Campo Maior – terra da Batalha de Jenipapo, de Gonçalves Dias e Torquato Neto)

“Piauí terra querida
Filha do sol do equador”
Por isso és bela e quente
Feita torrente de amor

Eu sou da terra das serras:
Das Confusões, da Capivara
Presentes dado por Deus
Ao mundo que Ele criara

A Chapada do Corisco
Tem valor inestimável
Em São Raimundo Nonato
Tem arqueologia notável

Temos rios cachoeiras
Até um braço do mar
Fica em Luís Correia
É lindo cê vai gostar!

O Delta do Parnaíba
É nosso cartão postal
Visite ele pra ver
Que Deus só fez esse igual

Único em mar aberto
Das Américas é o maior
Com 66 km de extensão
Ecossistema, o melhor.

Sou de uma terra linda!
E com muitas coisas raras.
A opala pedra preciosa
Em dois lugares encontras

No Piauí tem de tudo
Ilhas, lagoas, igarapés
Praias de areia fina
Tem hotéis e tem chalés

Temos dunas e coqueirais
Tem o Morro do Gritador
Tem a Cidades de Pedra
Que ao mundo encantou

Tem a Pedra do Castelo
Cachoeira do Urubu
Tem a Lagoa do Portinho
Vamos lá fazer um tour.

Temos frutas exóticas
Bacuri e buriti
Encontradas no cerrado
Como o famoso pequi

Pequi é afrodisíaco
Rico em vitamina A
Por isso somos saudáveis
Não temos do que queixar.

Nós também exportamos
Carnaúba, algodão,
A cera, soja, castanha,
Manga, caju e mamão...

Temos também a mamona
Que vira combustível
Pra fazer o carro andar
E chamam de biodiesel

“Minha terra tem palmeiras”
E verdes carnaubais
As aves também gorjeiam
Saudando belos pardais

Temos festas populares
Bumba-meu-boi, Zambelê,
Temos lendas, marujada...
Tem festejos pra se vê

Sou filha de Campo Maior
Cidade linda e acolhedora
Tem a melhor carne do sol
Pra fazer comida boa

Foi lá em Campo Maior
Que lutamos por liberdade
Pra nos livrar de Portugal
E toda sua crueldade

A Batalha do Jenipapo
Foi “guerra” de três estados
Contra as tropas de Fidié
Lutamos sem ter soldados

Em 13 de março de 1823
A batalha foi decidida
Foi bom pra Independência
Mas pra história esquecida

Faltou vontade política
Pra fazer divulgação
E validar nossa luta
Nos livros da Educação

Nossa bela capital
Chama-se Teresina
Auspiciosa, hospitaleira
Tem cheiro de cajuína

Bebida que vem do caju
Feita sem muita proeza
Tem um sabor refrescante
Igual a mãe natureza

Da Costa e Silva fez o hino
Do meu belo Piauí
Teus filhos cantam e encantam
Tal qual um pitiguari

Sou da terra de Torquato Neto
Sou matuta sou brejeira
Sertaneja, ribeirinha
Piauiense matreira

Piauí terra querida
Majestosa, altaneira
Orgulho de ser sua filha
Terra amada, brasileira.

Maria José Carvalho Coelho

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