terça-feira, 1 de maio de 2012

Torrão de Lampião

A luz dança como uma bailarina diluída nas pupilas do dia e realiza um coito ventral no seio da terra. Transborda de um sem fim trazendo um imenso calor que fecunda à vida e delibera um suor e um desassossego ardente nos corpos expostos a essa diurna excitação.
                Já transpirávamos aos borbotões nas primeiras horas do dia, pois a inclemência em Serra Talhada, o torrão natal de Lampião, começa pelo impiedoso Sol da manhã. Dizem que em Caicó, no Rio Grande do Norte, onde se realiza a famosa Festa de Sant’Ana, um patrimônio imaterial do Brasil, que em Teresina, capital do Piauí, e também em Crateús regada pelo intermitente Rio Poti, no sertão do Ceará, estão os dias mais quentes que se tem notícia, mas com certeza que, como na Terra do Xaxado em Pernambuco, não há nada igual. 
                O motivo de estarmos ali, numa região tão distante como imensamente quente, era pela fama lampiônica e pelo talento do poeta Edmilson Providência, que fora selecionado entre centenas de afamados compositores de todo País, para concorrer no II Festival de Músicas do Cangaço com uma elaborada letra chamada Convite a Lampíão.
Depois de saborearmos, com intrepidez estomacal, um delicioso angu de milho na manteiga da terra, queijo e galinha caipira ao molho pardo, um prato típico do Sertão de Lampião,  fomos contemplar a Feira, na Praça Barão do Pajéu, pelo Dia Nacional da Caatinga com encantadoras danças, declamados louvores poéticos, e uma mostra de fotos do Parque Estadual da Serra da Pimenteira, onde se localiza a famosa Serra Talhada, demonstrando um forte desenvolvimento intelectual no município. Inesperadamente alguém intercepta meu amigo e escritor Flávio Machado, insigne historiador dos Sertões de Crateús:
— Secretário de Cultura, o senhor por aqui?!
Passado o susto e aceito a explicação de que não era o Secretário do Governo de Pernambuco, lembrei-me que há pouco tempo uma grande parte da população crateuense desejou intensamente a candidatura do eminente acadêmico para a cadeira de prefeito, indicação que foi logo recusada. Agora repito o que dizem os pernambucanos quando desejam que algo de bom aconteça na vida deles: — Aí se sêsse, ô xente, ixi maria menino! Sei que, com a candidatura de Flavio, só tínhamos a ganhar.
É isso o que acontece com as pessoas que expelem honestidade pelos olhos e transpiram retidão pela alma, chamam atenção das outras. O Senhor Adauto Bezerra, um agrônomo aposentado que fez questão de dizer não ter nenhum parentesco com o militar que governou o Estado do Ceará, foi atraído pelo magnetismo de Flávio, com seu imenso poder de farejar as histórias que ficam esquecidas nos baús da vida. O versado senhor fez questão de nos contar tudo o que sabia sobre o Rei do Cangaço, e foi logo afirmando:
— A minha mãe dançou com lampião! Vou explicar, disse ele.
— O casamento estava marcado para acontecer na fazenda algodão, aqui pertinho, logo depois do Rio Pajéu. Meu pai e alguns convidados iam a cavalo, pois a noiva e o padre já esperavam por lá. De repente avistaram uns sujeitos muito bem armados e pensaram que era a “força”. Tentaram voltar.
                — Opa! Não voltem não! Ordenou um dos homens. Eram do bando de Lampião.  Depois de explicarem o que iam fazer, os cangaceiros disseram:
                — Lampião está aí, com oitenta homens precavidos. Se entrar, num sai mais não e se tentarem voltar correm o risco de não chegar. Escolham!
                Resolveram entrar. Virgulino Ferreira da Silva participou do casamento, pois conhecia os pais dos noivos, mas disse que na primeira dança fazia questão de arrastar o pé com a noiva. Depois da festança deixou os noivos voltarem para Villa Bella, hoje Serra Talhada que tenta se recuperar, culturalmente, do que perdeu na época do Cangaço. Seu Adauto se indignou foi com a primeira passeata gay da região, onde uns desavergonhados desfilaram vestidos de Lampião, com as vestimentas todas na cor rosa e ainda dizendo que o Rei do Cangaço era gay. Ousaram chamaram a tal marcha obscena de Gangagay.
                —Veja só se isso é possível! Tem um advogado gay por aí, um tal de Pedro Moraes, que vai lançar um livro com o titulo: Lampião, o mata sete. Há se Virgulino  voltasse e pegasse um cabra desse, dependurava amarrado por aquilo, como era de seu gosto fazer.
                Despedimo-nos da agradável feirinha regada a bolo de milho e caldo de cana com limão e fomos nos concentrar, para logo mais à noite assistir e torcer pelo “Convite a Lampião” num festival que nos lembrou outros, dos tempos idos, em que participaram Geraldo Vandré com “Pra não dizer que não falei das flores” e Chico Buarque com “A Banda”.
                É chegado o momento, os participantes vão se apresentando um a um para uma platéia animadíssima que aplaudia os seus eleitos. O nosso interprete, Ernesto Teixeira, na segurança e no requinte deu um show de desempenho numa performance emocionante.  A letra dizia: Meu padim Padre Cícero / Romão do Juazeiro / diga aí ao cangaceiro / Virgulino Lampião / para fazer uma turnê / e de perto poder ver / como está nosso sertão.
Tínhamos certeza de estar entre as cinco primeiras. E aguardávamos ansiosos, madrugada adentro, o resultado. Nada. O honrado Júri preferiu até uma música que tinha uns aís , uns uís, gemidos ridículos como coisas próprias de deboche, de chacotas, mas que por algum motivo obscuro encantou aquela comissão.
Nem o refrão final do nosso Convite a Lampião despertou sequer um vulto de um justiceiro vingador daqueles tempos de Lampião: Por isso te peço amigo / reúna os cangaceiros / para essa grande missão / sei que é cabra valente / mas vai ter que bater de frente / com a tal de corrupção.
O bacamarte do Rei do Cangaço desta vez bateu catolé. Sei não, mas penso que o tal advogado que escreveu o mata sete pode até ter razão. Esses tais lampiões de hoje em dia...

Raimundo Candido
ASSISTAM AO VÍDEO NO YOUTUBE: http://www.youtube.com/watch?v=IwtOCWF3jvs&feature=youtu.be

José Alberto de Souza disse...
Parabens a todos crateusenses que se fizeram presentes no II Festival de Músicas do Cangaço, em Serra Talhada, levando sua solidariedade aos conterrâneos Edmilson Providência e Ernesto Teixeira, pela brilhante participação nesse evento

quarta-feira, 25 de abril de 2012

CORTEJO HISTÓRICO PELA CULTURA DE CRATEÚS


Os olhos dos transeuntes de algumas ruas de Crateús puderam, hoje pela manhã, presenciar uma inusitada manifestação de protesto. Eram artistas de diversas linguagens, vestidos de seus "papeis", desfilando os trajes e facetas das artes, para chamar à atenção da Sociedade quanto a importância da cultura para o nosso povo.
O movimento de protesto, batizado pelos manifestantes de CORTEJO, denunciava a situação da gestão pública da cultura em Crateús, que padece um quadro de abandono e secundarização por parte da Administração do município.
O destino da passeata foi o Centro Administrativo, onde foi entregue ao gabinete do Prefeito una Carta Aberta, traçando um diagnóstico da atual situação cultural de Crateús e apresentando as reivindicações. A mesma carta foi distribuída à população durante o cortejo.

 

Carta Aberta ao prefeito Carlos Felipe Saraiva Bezerra


Senhor Prefeito,

"Cultura é comportamento, se manifesta nas mínimas relações do cotidiano, é postura frente ao mundo. [...] É com a cultura que um povo pode dar um salto no refazer da solidariedade, no direito à apropriação de sua memória e no conhecimento da importância do seu papel transformador." (Célio Turino)
Os que assinam esta Carta Aberta entendem ser urgente e inadiável uma política municipal de cultura que defina uma agenda mínima e contínua de atividades culturais em Crateús.
Passados mais de três anos da atual administração, apesar de conhecidos esforços da SECULT, do MINC e da comunidade artística local, no sentido e envolver os municípios no processo de construção dos sistemas públicos de cultura, vê-se em Crateús a continuidade do desmazelo e da secundarização desta área da gestão pública. A ausência de, pelo menos, um mínimo de planejamento nos leva ao diagnóstico a seguir:
1. Secretaria de Cultura e Turismo: A criação da Secretaria foi um avanço e trouxe grandes expectativas ao setor, mas esta tem se revelado potencialmente vazia, uma vez que não dispõe dos recursos necessários para implementação das ações que lhe competem. Seus gestores, embora pessoas afeitas à cultura, encontram-se limitados pela completa falta de verbas ou em realizar eventos (que, como a própria palavra revela, é vento).
2. Lei do Fundo Municipal de Cultura: Outra reivindicação do setor aparentemente atendida pela atual administração, mas inteiramente nociva. Isto porque não diz de quais receitas virá esse recurso e não estipula qualquer percentual para abastecer este fundo, o que o torna incongruente.
3. Pontos de Cultura: Crateús é uma das cidades do interior cearense melhor assistida em quantidade de Pontos de Cultura: são cinco! Cada um com investimento de 180 mil reais, recurso empregado todo ele em formação e desenvolvimento da cultura local. Mesmo assim, apesar das inúmeras tentativas de seus dirigentes em firmar parcerias com a administração local, não existe uma política voltada para estas entidades. Afora uma relação de proximidade com os Pontos de Cultura Beira de Rio, Topo de Serra e Cultura é para Todos (que são atendidos com o pagamento do aluguel e em uma ou outra ação), o restante é nulo.
4. Carnaval e Quadrilhas: Os dois carros-chefes da cultura de massa de nosso município encontram-se de pires na mão, praticamente pedindo esmola para poderem acontecer. O que se percebe, a cada ano, é um retrocesso violento em relação ao ano anterior, tanto em recurso quanto em qualidade do que é visto nas praças e avenidas da cidade. Algo que tem hora e dia marcados para acontecer, somente é pensado nos últimos dias, e feito de qualquer jeito, como se fosse para inglês ver.
Embora seja duro afirmar, é necessário dizer que todos os setores da cultura encontram-se em petição de miséria. Os grupos de teatro praticamente não existem mais; as companhias de dança extinguiram-se; o circo sobrevive apenas pelo trabalho abnegado de alguns multiartistas e seus panos de roda; a cultura popular dos reisados e das Danças de São Gonçalo não resistiram ao abandono; as artes plásticas, a música, os artesãos, a capoeira, as culturas afrosdescendente, indígena e cigana se encontram relegadas à própria sorte; o setor do livro e da leitura infelizmente não existe, e a biblioteca pública é apenas um depósito de livros. Todos os setores da cultura do município, enfim, pedem atenção, respeito e investimento.
Diante disto, vimos reivindicar a urgente implantação [1] do Sistema Municipal de Cultura, [2] criação do Plano Municipal de Cultura, [3] criação do Conselho Municipal de Cultura, [4] criação do Fundo Municipal de Cultura (com o repasse de no mínimo 1% da arrecadação municipal para o Fundo), [5] criação de leis e editais de incentivo à cultura, [6] criação da Lei do Patrimônio Material e Imaterial, [7] políticas de formação continuada em cultura e [8] apoio às produções artísticas locais.
Senhor Prefeito, não é mais aceitável, nos dias de hoje, com toda informação a que estamos sujeitos, entender a cultura como um artigo de 2ª categoria, relegada às questões menos importantes de uma administração. Conforme ressalta Marilena Chauí, "é a cultura que forma as realidades que nos condicionam e projetam os destinos da vida em comum". A cultura não é e nem deve ser entendida como artigo de luxo, é produto elementar para identidade de um povo. É a cultura praticada em Crateús o que nos torna únicos em relação aos demais povos do planeta. Sem cultura seremos para sempre desmemoriados.
Em razão da proximidade das eleições, queremos propor uma reunião até o dia 3 do mês de maio do corrente ano, para discutir a pauta ora entregue.
Atenciosamente,

SABI (Sociedade Amigos da Biblioteca Norberto Ferreira Filho)
ORCA (Organização Karatiús)
Ponto de Cultura Quintal com Arte
Ribuliço Ecoart
Academia de Letras de Crateús
Frente Social Cristã
Cáritas Diocesana de Crateús
Movimento Negro de Crateús / Comunidades de terreiros
Paróquia Imaculada Conceição
Centro Espírita Boa Nova
Centro Acadêmico de Pedagogia Luís Palhano Loiola – FAEC/UECE
IDSAF (Instituto de Desenvolvimento Social Dom Antonio Batista Fragoso)
Acadêmicos do Tykerê
Bloco Alternativo Inkomuns
Escola de Samba Malagueta
Quadrilha Junina Roça de Milho
Quadrilha Junina Arraiá Esperança
Quadrilha Ceará Junino
Família Norberto Ferreira Filho
Francisca Erbênia de Sousa
José Carlos de Paula Miguel (artista plástico)
Hilda Cristina (artista plástico)
Francisco Welington Alves Lira (ator)
Raimundo Cândido Filho (escritor)
Flávio Machado e Silva (escritor memorialista)
Maria do Socorro Malveira Siqueira (atriz)
Waldenia Bezerra Rosa (cantora)
Messias Gomes (ator)

terça-feira, 24 de abril de 2012

SOBRE POESIA E POLÍTICA




Hoje pela manhã fui despertado por um telefonema do César me lembrando de que era dia de fechar mais uma edição do Jornal. Portanto, aguardava minha crônica. Na sequencia me narrou seu encantamento com a fala do recém-empossado Presidente do nosso Tribunal Constitucional, Carlos Ayres Britto. Colhi daí o mote para estas linhas: a intercessão entre as linhas da poesia e da política.

Aproveitei para, primeiro, revisitar um verso de Ayres Britto: “Namore bem com a vida./ Deixe que ela seduza você./ Permita-se ter um caso de amor/ Com ela,/ Mas não pare por aí:/ (…) Faça tudo isso e prove da vida/ Como do néctar das flores/ Prova o colibri,/ Sem se perguntar se existe outro céu/ Fora daqui”.

Pois é... O verso acima é produto da tecelagem poética de Carlos Augusto Ayres de Freitas Britto (eis o seu nome completo). Um sergipano de Propriá que assumiu na última quinta-feira, 19 de abril de 2012, a Presidência da mais alta Corte de Justiça Brasileira, o Supremo Tribunal Federal. Ayres Brito ganhou relevo pelo fato de povoar suas intervenções no STF com frases que destoam do trivial, forjadas na máquina de tear de sua genial renda literária. Teima em provar que continua inalterado: “Hoje me chamam de ministro/ E eu decido sob respeitável toga./ Meu coração, porém, não mudou nada./ Continuo um romântico indiozinho/  a remar sua piroga/ E a cismar por entre as árvores, à noitinha,/ Vendo em cada pirilampo e em cada estrela/ Os faiscantes olhos da namoradinha.”

Seu discurso de posse se constituiu em uma tela de delicada tessitura criativa. Exala o orvalho de sensibilidade que brota do autor. Urge registrarmos quão raro é a nação assistir um poeta tomar as rédeas de um dos três poderes da República. Oh! Quanta falta faz, no áspero e belicoso bioma da política, a presença de seres banhados pelo sereno do bom senso!

Alguém pode imaginar que considero os poetas como homens acima da média, bafejados por alguma aura extraordinária. De jeito nenhum. Concordo com Neruda: “o poeta não é um «pequeno deus». Não, não é um «pequeno deus». Não está marcado por um destino cabalístico superior ao de quem exerce outros misteres e ofícios. Exprimi amiúde que o melhor poeta é o homem que nos entrega o pão de cada dia: o padeiro mais próximo, que não se julga deus. Cumpre a sua majestosa e humilde tarefa de amassar, levar ao forno, dourar e entregar o pão de cada dia, como uma obrigação comunitária. E se o poeta chega a atingir essa simples consciência, a simples consciência também pode se converter em parte de uma artesania colossal, de uma construção simples ou complicada, que é a construção da sociedade, a transformação das condições que rodeiam o homem, a entrega da mercadoria: pão, verdade, vinho, sonhos”.

Pois bem. É isto que quero dizer: a política - o serviço à polis, à cidade, à comunidade - é essa atividade magnífica de tornar acessível a todos os bons frutos da árvore da vida.

Um pulsante exemplo da poesia materializada na política é a capital da França. Paris, a bela, a exuberante, a formosa Paris, com suas marmóreas construções, com suas pontes esmeradamente decoradas, seus prédios amarelos e suas catedrais cinzentas é um belo modelo da transfusão lírica nas veias de uma metrópole. Paris realizou o onírico rito de passagem, a incorporação da sensibilidade artística na reunião das pedras para as edificações arquitetônicas. É sintomático que um dos seus programas mais festejados seja o passeio pelo rio Sena. O rio, artéria vital, é como que reverenciado pela cidade. As principais e as mais tradicionais construções estão à margem do leito fluvial que banha a urbe.

Mirando Crateús, surgem as indagações. Por que desprezamos nosso rio? Por que as nossas construções estão de costas para o Poty?

Imaginemos, por mera divagação ou louvor ao diletantismo, um rio despoluído e perenizado, as margens recuperadas, a mata ciliar preservada!... Imaginemos as pontes iluminadas, exibindo esculturas de arte dos artistas locais!... Imaginemos uma orla prazerosa, com espaços de lazer, pistas de Cooper, jardins de meditação!... Imaginemos pequenos barcos disponibilizando passeios românticos e culturais ao longo do percurso urbano!...

Saber que nada disso é devaneio gratuito, mas possibilidade desperdiçada. Saber que temos muito mais potencialidades inexploradas... Saber que outras regiões do planeta, sob condições bem mais adversas, executaram ideias incrivelmente mais arrojadas que esses simples e modestos desejos... Confesso que me dói...

Confesso que me dói ver nossas lideranças políticas reféns de uma agenda mesquinha, entrecortada pela futrica menor, pelo alarido da maledicência.

Meu pequeno coração de poeta me diz que falta algo ao estrume da nossa política, que o torne gerador de vida, germinador de alegria: sementes de poesia! 

(Júnior Bonfim, na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro Oeste, Crateús, Ceará)

sábado, 21 de abril de 2012

                                                
                                          SAIDINHA BANCÁRIA

Um bando de certezas assegurou a Stuart, após semanas observando, que a mulher que saia do banco foi o seu grande amor na adolescência.

Silas Falcão

quinta-feira, 19 de abril de 2012

José Coriolano - Príncipe dos Poetas


É provável que a estirpe dos Coriolanos provenha do lendário general Caio Márcio que recebeu a alcunha de Coriolanus, por se distinguir na Batalha do Lago Regillus, no cerco da cidade de Coriolli, povoada por uma gente antiguíssima chamada Volscos, eternos adversários daquela Roma dos primeiros tempos. Contam que os irmãos gêmeos, Castor e Pólux, ajudaram imensamente aos romanos, liderados por Coriolano, a obter êxito nesta importante batalha.
 Isto foi bem antes dos inseparáveis messênios Idas e Linceu matarem o Castor pelo rapto das irmãs Hilária e Febe, fazendo com que Pólux implorasse a Zeus, à vida do querido irmão e, daí em diante, passaram a dividir suas lendárias existências: interpondo-se, vida para um, enquanto o outro amargava um dia inteiro numa iníqua dor do fim. Tamanha prova de amor fraternal fez com que Zeus os castaterizassem na Constelação de Gêmeos, donde não podem mais ser separados nem pela crueldade da morte. Mas isso é outra belísima história, relatada pelo vate Shakespeare e sublimada  num emocionante músical, pelo gênio de Beethoven. 
O que nos desperta para essas narrativas de longínquas eras, após o período ingenuamente Colonial, onde fomos vítimas da gananciosa  exploração europeiante,  que nos levou ao ecoante Grito da Independência – e que ainda retumba por aqui - é a busca de uma poesia que ficou perdida no tempo. Época em que o hábil José Bonifacio tutelava com sua larga sabedoria um nobre cidadão que foi talhado para ser monarca e funcionário público exemplar, o bonachão Dom Pedro II, que acabou tomando um caminho totalmente diferente daquele trilhado pelo pai, aventureiro e boêmio, a viver em busca de glória, embora nos tenha feito um imenso favor em romper com os vínculos de sujeição a Portugal, num pacato grito de independência ou morte.
Longe das bulhas litorâneas, a copiar eternamente uma cultura estrangeira, havia um Brasil exalando séculos de atraso e miséria. Um sertão em que tudo escasseia e nada falta, mas exige de nós uma firme adequação para sobrevivê-lo na rusticidade de uma dura lei da natureza, pastando farinha, rapadura e carne-seca como o bovino pasta a erva rala, num imenso desertão, o causticante sertão de Guimarães Rosa, onde o medo nunca domina, mas facilmente se perde a vontade de ter coragem. Enquanto dos rastros dos bois brotavam as oblíquas estradas, onde se caminhava protegido pelo rígido gibão de couro curtido e se via surgir, inesperadamente, uma cidadezinha ao redor de uma singela capela, agregada a uma bucólica fazenda de gado.
A Vila Príncipe Imperial conformou-se aos pouco, de casinha em casinha, mas sentindo o aroma do estrume dos currais e a aragem que o vento soprava das melancólicas barrancas do Poti que se ia encobrindo numa estreita garganta de serra. Das subsistentes roças brotavam as espigas de milho sobre um tapete esverdeado de bagens de feijão, e nas cercanias o verde pasto que crescia ia ficando lentamente aloirado pelos raios de sol, antes que a ruminação do gado desse conta de saciar uma interminável fome. Porém, o que de magnífico houve, foi ver brotar um poeta do rijo chão, desabrochar de forma telúrica, do barro amassado e aguado com suor e lágrimas, feito um milagre no ermo do sertão. Como havia dito um imaginoso poeta romântico, John Keats, se a poesia não surgir tão naturalmente como as folhas de uma árvore, é melhor que não surja mesmo. Ali, num mundaréu desabitado da fazenda Boa Vista, no benéfico ano de 1829, calcinado pela terra, moldado pelo vento, forjado pelo fogo e esculpido pelas águas majestosas do Poti, emerge um grande poeta, só comparável ao grandessíssimo Gonçalves Dias, para fazer nascer poesia por aqueles rincões distantes de Crateús.
O menino-poeta se embebe do esplendor do sertão para depois estampá-lo com sua lira, cheia de cores em que se pode ver as campinas, os prados verdejantes, as fontes, as flores, os pássaros e um agreste impiedoso nos momentos difíceis, quando entoa seu canto: “As aves da minha terra,/ Quer no sertão, quer na serra,/ Sabem falar!/ Esta seu fado carpindo, / Aquela a lira ferindo /No seu trovar!  //  De outra parte saltitando/ De galho em galho cantando/ Gentil sofreu, / Toca na lira afinada/ Uma canção modulada/ Que o amor lhe deu!”
E o poeta foi crescendo na Fazenda Boa Vista, circunspecto nos trabalhos diários com a rústica natureza e com a lida do gado, enquanto se encantava com aos espetáculos do Touro Fusco: “No belo Crateús, sertão formoso, / Obra sublime do Supremo Artista,  /Num terreno coberto de mimoso, / Está sita a Fazenda Boa Vista”; /Do Príncipe Imperial, pravo e rixoso, / Vila do Piauí, seis léguas dista: / Ai, num massapé  torrado e brusco, / Nasceu o valoroso “touro-fusco”. // “Quando vinha ao curral, tocando adiante / A manada de vacas que guardava, / Tinha um modo de andar tão elegante, / Tão grave qu’eu com gosto lh’o notava! / Tinha um urro saudoso e retumbante / Que nos vales florido reboava: / Toda a terra do urro estremecia, / E o mato em derredor todo tremia!”. E por aí vai, num longo poema a descrever as aventuras extraordinárias de um touro valente e destemido, o herói da fazenda Boa Vista. O poeta dizia que se o touro fosse gente seria mais heróico que o herói de Alexandria.
José Coriolano já com asas de gigantes preparadas para um longo revôo parte para conquistar um imenso e bravio Piauí, mas abraça é o mundo. Um poeta maduro que verseja cantado os sentimentos, as mulheres, à Deus e à vida. Sobre o amor asseverava: “Mas, se teu peito torturado geme, / Quando o sorriso nos seus lábios pousa, / Se tua alma se alegra a sós contigo, / Quando os seus olhos umedece o pranto; / Se, a meiga voz te cala n’alma / Seus ternos, suavíssimos acentos, / Descrer do que ela diz, do que ela jura, / E logo te arrependes e te humilhas, / E incrédulo, depois, o amor praguejas: / Se assim é o teu amor – amar tu sabes.”
               
Com o surgimento do livro “Impressões e Gemidos”, publicação feita por fieis amigos, José Coriolano, a maior figura do romantismo piauiense e crateuense, faz com que a literatura no Piauí deixe de ser um mero produto português, para ser algo genuinamente nacional, pois cultivava um compromisso com as raízes locais, através de um sentimento nativista que passou a fixar teluricamente as paisagens e a alma da gente piauiense. Por isso foi consagrado O Príncipe dos Poetas naquele estado.
             E, mesmo nobre e grandioso, nunca esqueceu a terra natal, que logo passaria a ser um município cearense : “Lindo sertão meus amores, / Crateús, onde nasci, / Que saudade, que rigores, / Sofre meu peito por ti! / São amargos dissabores / Que em funda taça bebi! / Que saudade, ó meus amores, / Crateús, onde nasci!”
             Como os irmãos da velha mitologia grega, configurados nos Gêmeos zodiacais, o nosso vate maior também foi castaterizado na constelação dos grandes poetas nacionais, não pelo imponente Zeus, mas pela inspiração e liderança do deus das musas, o idílico Apolo. E um dia, brevemente talvez, veremos reerguida a estatua de José Coriolano de Souza Lima, na mesma Praça da Matriz e no mesmo lugarzinho que lhe é de direito, na praça que é das urbes como o céu é das nuvens, só para lembrar um contemporâneo que era também poeta,  o dos escravos, que tem sua festejada Praça Castro Alves, e devemos por honradez, consideração e dignidade, rebatizar o lado esquerdo da Igreja da Matriz com um belo nome: Praça José Coriolano. Façamos isso, antes que um aventureiro a pegue, não  acham?

Raimundo Candido

José Alberto de Souza disse...
Sabe que as vezes fico imaginando a sua biblioteca como um harem de inúmeras odaliscas (metaforicamente falando dos seus livros), as quais não tem por que se queixar do seu sultão, todas elas recebendo equitativamente o carinho dispensado a cada uma. Com essa crônica antológica, parece que você plantou tanta leitura para colher a sua prodigiosa cultura

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Cultura vai cortejar Crateús!

 
Aconteceu na noite de ontem (17), na Casa de Arte e Cultura João Batista, encontro com diversas entidades que representam a Cultura no município de Crateús. Organizada pelos Pontos de Cultura, a reunião contou com dois objetivos principais: [1] a elaboração de uma Carta Aberta ao prefeito Carlos Felipe, na qual se fará uma radiografia da Cultura no município e, ao mesmo tempo, reivindicando providências urgentes na implantação de uma Política Municipal de Cultura (que não existe); e [2] a realização de um Cortejo Cultural, que percorrerá algumas ruas do Centro da cidade, encerrando seu percurso no Centro Administrativo, com a entrega da Carta Aberta ao prefeito.
O Cortejo Cultural está marcado para acontecer no dia 24, próxima terça-feira, às 8:00h., saindo da Casa de Arte e Cultura João Batista, em frente a Praça dos Pirulitos. Desde já, convidamos a todos que fazem cultura no município a se fazerem presentes.

Bote sua fantasia, venha cortejar com a gente!

Maiores informações: (88) 9201.5010 (Lourival), 9258.8798 (Edilson), 929216.3872 (Otaviano)

terça-feira, 17 de abril de 2012

A Poetisa Mariana Sales Melo


               A Poetisa Mariana Sales Melo tem somente 10 anos e já se mostra uma grande promessa nas Letras de Crateús. Tem um caderninho escrito “Meu diário” que é um tesouro repleto de belíssimos poemas. Ela faz o 5º ano no Colégio Vitória e é filha de Antonio Marcos Lima Melo e Ana Patrícia Fernandes Sales Melo.  Aguardem, meus amigos, que está vindo uma nova Cecília Meireles e é por aqui mesmo! Deleitem-se, só um pouquinho!

Queria ser poeta, mas
poeta não posso ser, porque
poeta pensa em tudo e eu
só penso em você!
________________

É um canto afinado
de uma voz acolhedora.
É um sorriso apaixonado
de uma alma sonhadora.
__________________

Fiz “A” para te amar.
Fiz “Q” para te querer.
Fiz “D” para te deixar,
somente quando morrer.
___________________

Troco um muro amarelo
quase coberto de hera
por um pezinho de rosa
em tempo de primavera!

Raimundo Candido disse...
               Imaginem quando ela tiver o dobro da idade, um prodígio!
 Marcos e família disseram...             
Raimundinho, muito obrigado por divulgar as poesias da nossa filha e ficamos muito grato por essa imensa felicidade que vc nos deu ao publicar essas verdadeiras e sinceras palavras. Marcos, Ana Patrícia e João Pedro, a família da poetisa Mariana
                                          

                                                         O PAI

            – Eu não lhe falei que tivesse cuidado com o outro em você?!


Silas Falcão

segunda-feira, 16 de abril de 2012

De volta para casa



Ao amigo Elias de França

Aos dez, admirava índios nas mil ladeiras de Barra do Corda e arriscava os dedos nas poderosas rasga latas das noites de São João. Mas o que eu mais desejava era voltar pra casa.

Aos doze, apaixonava-me pela beleza morena de Jordaty, a vizinha que me permitia um abraço, vez por outra, talvez por pura delicadeza de menina, e sonhava em ser marinheiro e me perder no fim do mundo. Mas, mesmo assim, eu ainda queria voltar pra casa.

Aos quatorze, meus cabelos desgrenhados, minha calça boca-de-sino, meus tamancos de madeira, pouco em mim denunciava o ávido aprendiz de tipógrafo que, nas tardes de sábado, duelava ao lado de Clint Eastwood nos cinemas de Teresina. Aí eu pouco pensava em voltar pra casa.

Aos quinze, enquanto sorria satisfeito com os encantos da vida, mergulhei nas areias do Poty e fraturei a terceira vértebra da coluna cervical. Agora, a coisa que eu mais desejava era nunca mais voltar pra casa.

Então, eu voltei pra casa.

Lourival Veras



Raimundo Candido disse...



Como uma rara flor de cactus, demora a gente ver, mas sempre compensa esperar e esperar para se ler Lourival quando inesperadamente brota!
AnônimoSocorro Aguiar disse...
Parabens pela bela cronica. A foto da ponte sobre o Rio Poty me fez voltar aos tempos da minha infancia. Nas minhas travessuras eu costumava pular quando o rio estava cheio. A lamentar somente o fato do editor do notebook nao permitir a grafia dos acentos. Peço-lhe permissao para postar sua cronica, qualquer dia, no meu mural. Abraço.

FONTE DA MINHA INSPIRAÇÃO


                       No Salão Paroquial, sábado dia 14, houve o lançamento do belíssimo Livro FONTE DA MINHA INSPIRAÇÃO , de um agricultor que, tal qual Patativa do Assaré, também lavra as palavras, além de alfaiate e feirante, Joaquim Manoel de Carvalho, o escritor, é o digníssimo progenitor do padre João Batista da Diocese de Crateús, numa solenidade simples mas aconchegante, com a presença da família do vate, de diversos amigos, da Jornalista e escritora Silvania Claudino ( Diario do Nordeste) e do acadêmico Edmilson Providência representando a ALC.  

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Princesa, cadê sua majestade?


Elias de França

"...aquela que se proclama “Princesa dos Inhamuns”, cá nos SERTÕES DE CRATEÚS presta, isto sim, um medíocre e ordinário serviço de Bruxa."






Muitos crateuenses não compreendemos nem absorvemos positivamente a mudança no transporte intermunicipal Crateús-Fortaleza, de quando as empresas Rápido e Trans-Crateús foram substituídas pela Princesa dos Inhamuns.
Sabe-se que ocorreu num processo licitatório de concessão promovido pelo Estado do Ceará, por certo à luz da lei, segundo a qual há de vencer quem possui condições de oferecer melhores serviços a menores custos. Fora o preço das passagens, que vem se mantendo praticamente inalterado, no mais tem sido difícil notar esse plus de qualidade. Para não soar como injustificado apego ao passado e a resistência às “mudanças”, vamos a algumas comparações.
Comecemos pela frota, que deve ter sido um dos critérios considerados no processo licitatório. As velhas Rápido/Trans-Crateús não possuíam tantos ônibus, mas eram bastantes para dois horários diurnos e dois noturnos, diariamente, ida e volta. Nas datas especiais sempre eram disponibilizadas aos passageiros tantas conduções extras, quanto necessárias. É certo que a maioria emprestada e algumas davam prego, mas ter, tinha sim. Quanto à qualidade dos veículos, boa parte era de nível básico. Mas havia alguns bem melhores, com padrão semi-leito e até de dois andares, parecendo uma espaçonave.
Já a nova Princesa dos Inhamuns, dizem ter uma frota gigante, com centenas de veículos. Porém todos nos quais viajei, no itinerário Crateús-Fortaleza, são rigorosamente iguais e ordinários. Tirando-se o ar-condicionado, nenhum item de conforto relevante: mesma marca, modelo, tamanho. Poltronas estreitas e magras, de pouca inclinação para o sono, braço de apoio fino e seco e, as vezes, inexistente do lado da janela. Porta-pés desconfortável e de pouca mobilidade, e ausência de apoio de pernas – que no caso das velhas empresas era frequente. Nos dias especiais, é um sufoco conseguir passagem, mesmo com três, quatro dias de antecedência. Ônibus extra é sempre uma incógnita e, muitas vezes, também emprestado.
Vamos aos serviços, que devem ter sido outro critério considerado. As velhas Rápido/Trans-Crateús não tinham venda online de passagens nem aceitavam cartão de crédito. No mais, tudo era facilitado. Estivesse lá ou cá, bastava dar um telefonema para as agências e tudo estava resolvido. Se pedíssemos, alguém trazia a nossa passagem em casa. Para os mais exigentes e que desejassem uma viagem executiva, tinha um horário mais rápido, sem paradas, ao custo de R$ 5,00 a mais. Os passageiros eram saudados por uma produzida e simpática “rodomoça”, que oferecia chocolate quente de graça. Não bastasse isso, o serviço de bordo disponibilizava a venda de refrigerante, água mineral e outros. Enquanto se “pegava” no sono, sempre se podia assistir a um bom filme, no padrão “lançamento”, durante o percurso. No desembarque em Fortaleza, quem precisasse ir além da rodoviária central, até as garagens, não via cara feia. Moradores do bairro Montese e vizinhos também podiam saltar do ônibus na porta de casa ou há alguns quarteirões, assim como os que moram nas imediações da Bezerra de Menezes/ Mister Hull.
Nos tempos da nova Princesa dos Inhamuns, também nada de vendas online ou cartão de crédito. Os horários são todos ordinariamente iguais. Os ônibus param mais do que jegue cansado nos vilarejos da estrada, seja que hora for. Ainda que não haja passageiros a subirem, o motorista estaciona em plena madrugada para comer seu lanche e joga a luz interna nos olhos de todos os que dormem. Do sorriso da “rodomoça” e do chocolate quente, só a doce lembrança. Quem não tiver tempo de pegar a fila do quiosque de água na rodoviária, viaja com sede. Em vez do filme no padrão lançamento, só se for um galo na testa após bater nos inúteis monitores que descem do teto dos ônibus. Não tem história de garagem. Para termos a compra deslocada, foi preciso provocar uma confusão. E agora, se não remarcar in loco a viagem três horas antes, perde a passagem. E na última viagem, fui avisado de uma novidade: uma espécie de check-in para quem está em Fortaleza e compra a passagem em Crateús. Tem que chegar uma hora antes de embarcar para retirar a passagem na agência. É assim ou não viaja.
Poder-se-ia reclamar de muito mais, como agora a trama para privatizar a rodoviária (como já foi feito em Canindé e outras cidades); ou da cobrança de taxa de embarque e a ameaça de fechamento do único ponto de apoio remanescente, coisas “nunca antes vistas na história de Crateús”.
Em síntese, não se trata aqui de defender o retorno do velho. Sabe se que os serviços de antes tinham suas precariedades. Também não é mera bravata anticapitalista contra o que dizem, a grandes bocas, quanto a existência de um processo de cartelização do transporte no Ceará, em torno de quatro grandes grupos. Ao usuário, isso não desperta atenção. Muito lamentamos ter que fazer comparações entre presente e passado, quando já devíamos nos mirar pelos padrões de embarque internacionais, como nos aeroportos, em que se pode agendar e programar todo o pacote de casa, escolhendo voos, formas de pagamento, poltronas e até check-in.
O que nos toma é a sensação de mau trato e desconforto atormentando as necessárias viagens ou retornos da capital. Trata-se tão somente de manifestar o sentimento de que nós crateuenses merecemos muito mais do que já tivemos um dia: merecemos ao menos um horário executivo que chegue ao destino mais rápido com tempo de um descanso reparador para o trabalho no outro dia; merecemos – por que não? – uma condução com padrões de conforto melhores, quem sabe até um leito; merecemos saltar o mais perto possível de nossa casa e embarcar/desembarcar na Rodoviária, construída com recursos públicos, no ponto de apoio, na rua... sem barramento de cancelas e taxas extorsivas.
A palavra “princesa”, que dá nome à atual empresa responsável pelo deslocamento dos crateuenses, remete-nos a ideia de realeza, nobreza, grandeza, pompa, majestade. As sensações que vivenciamos no dia-a-dia das viagens, entretanto, nos deixam a impressão de que aquela que se proclama “Princesa dos Inhamuns”, cá nos SERTÕES DE CRATEÚS presta, isto sim, um medíocre e ordinário serviço de Bruxa.
 
Elias de França é Pedagogo, especialista em gestão, auditor fiscal do Estado e escritor.


Socorro França disse...

 "Bela reflexão de Elias de França com a qual concordo e ainda acrescento: somado a tudo isso, ainda há a descortesia e falta de habilidade de alguns que assumem a cadeira de motorista e de 'cobrador'. Um ou outro lembra de desejar uma 'boa noite' e 'uma boa viagem' quando lhes entregamos o bilhete de passagem. A alguns falta tanta habilidade para dirigir, seja pela excessiva lentidão seja pela excessiva pressa e falta de cuidado ao passar nos buracos e quebra-molas.
Aida bem que uns poucos são corteses e habilidosos, a exemplo de
Junior Candido, um crateuense com quem, para mim, sempre é um prazer viajar sob sua responsabilidade.
  Penso que precisamos fazer valer nossos direitos e concordo com você que precisamos de mais opções, mais conforto, melhor tratamento de uma forma geral, enfim, precisamos fazer valer a tal REALEZA!
 Diana Márcia Resende disse...
 Muitos foram aqueles que renunciaram ao títilo de nobreza por não terem aptidões. Como também muitos foram aqueles que perderam seus súditos, por incompetência

terça-feira, 10 de abril de 2012

Silêncio

Emudeço,
asfixiado pela palavra obscura,
na primazia de um longo silêncio
a me devorar, no mar das coisas
que não sei como dizer.

Raimundo Candido

                                                          O LEGISTA

Já autopsiou centenas de corpos, mas nunca a de uma pessoa que ele mesmo matou.

Silas Falcão

sábado, 7 de abril de 2012


                                   HARLEY, O PALHAÇO CARA MELADA

                                                                                    Brutalmente assassinado.

                                              UM MINUTO DE RISOS


Silas Falcão