terça-feira, 13 de maio de 2014


PROFESSORES DISCUTEM A ATENÇÃO DADA À LITERATURA CEARENSE

12.05.2014

O que a adesão das universidades públicas ao Enem pode significar para a difusão do autor cearense nas escolas


Para o escritor Batista de Lima, a literatura local perde com o Enem

Oliveira Paiva, Rogaciano Leite, Domingos Olímpio, Padre Antônio Tomás, Henriqueta Galeno. Mais do que ruas ou avenidas, esses e outros tantos nomes escritos em placas fixadas nas esquinas também se inscreveram na história da literatura cearense. Apesar disso, a história das nossas próprias palavras e narrativas corre, mais do que nunca, o risco de se distanciar dos mais novos por questões de prioridade no ensino.

Desde o semestre 2011.1, os alunos que ingressaram na Universidade Federal do Ceará (UFC), na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab) e no Instituto Federal do Ceará (IFCE) foram selecionados através do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e do Sistema de Seleção Unificado (Sisu/MEC). Com exceção dos cursos de Licenciatura em Teatro e ArtesVisuais da última instituição, que necessitam de um teste de habilitação específica (THE) e são regidos por um edital à parte, todo o acesso às graduações e cursos técnicos mantidos pelas entidades federais de ensino superior no Ceará passou a acontecer mediante aprovação na prova elaborada para ser aplicada simultaneamente em todos os Estados, logo, se pauta em conteúdos abrangentes a todo o território nacional.
Em abril, o Conselho Universitário (Consu) da Universidade Estadual do Ceará (Uece) aprovou a adesão da instituição ao Enem, tendo início em 2015.1, quando a oferta de 50% das vagas para o primeiro semestre letivo em todos os turnos e cursos de graduação presenciais da oferta regular serão preenchidas através da prova nacional.

Já as vagas para o segundo semestre permanecem regidas pela modalidade vestibular tradicional, que passa a ser realizado somente no meio do ano. A exceção acontece para os cursos da unidade de Tauá e, em Fortaleza, para Medicina - o mais concorrido da universidade - e Psicologia, que serão integralmente preenchidos através do Exame Nacional. Ainda que o reitor da Uece, Jackson Sampaio, tenha defendido, à época da adesão, a manutenção do vestibular tradicional pelas características da prova de abordar conteúdos regionais, a iniciativa não será suficiente para salvaguardar a literatura cearense dentro dos colégios e cursinhos preparatórios para o vestibular - principalmente porque, mesmo quando se utilizava integralmente do método tradicional de seleção, não valorizava a produção local com tanta força quanto fazia a UFC.
"Apesar da Uece ter mantido um sistema à parte do Enem, jamais esta Universidade demonstrou interesse em valorizar autores cearenses que não os mais famosos Alencar, Rachel ou Patativa", critica Roderic Szasz, há 18 anos professor da disciplina de Literatura no Colégio Juvenal de Carvalho.
"Seus vestibulares sempre foram mais voltados para autores de alcance nacional. Portanto, excetuando os autores supracitados e outros da mesma estirpe, os ditos 'menores' não tinham espaço nas aulas, pelo menos não por causa da Uece", afirma. O docente relata que mudanças no ensino e na abordagem das produções locais mais significativas se deram após a adesão da UFC ao Enem. Quando tinha vestibular próprio, a universidade cobrava na prova a leitura de uma lista de dez livros, dos quais cerca de seis ou sete correspondiam às obras dos escritores do Ceará.
"Com o Enem, a lista terminou, os interesses migraram para autores mais 'nacionais' e a literatura cearense ficou, sim, em segundo, ou melhor último plano nas escolas", condena o professor.

Consequências

Luciano Araújo, que leciona literatura na rede pública estadual e também no colégio particular Imaculada Conceição, aponta que as mudanças no conteúdo cobrado pelos exames de seleção privam os estudantes de conhecerem verdadeiramente, ainda na escola, nomes que fazem parte do seu cotidiano.

"É o que chamamos, na universidade, de 'Via da Literatura Cearense'! As pessoas conhecem osnomes de ruas e avenidas como Domingos Olímpio, Antônio Sales e Juvenal Galeno, mas nem sonham que essas pessoas foram grandes escritores do nosso estado", explica.

"Para a Literatura Cearense é o fim", avalia Batista de Lima, colunista do Caderno 3 e professor de Literatura Cearense na Uece, de 1995 a julho de 2013. "O autor cearense geralmente fica recluso com suas obras nos limites do nosso Estado. Os vestibulares locais, antes do Enem, ainda se lembravam da gente. Agora nem isso. As escolas de ensino médio de nossa terra que eram resistentes ao autor cearense, agora é que não vão mais divulgá-lo".

"A literatura local está fadada a se tornar um objeto cada vez mais restrito aos estudiosos locais e aos obcecados por 'curiosidades'. Dificilmente o valor de autores menos badalados voltará a ser exaltado ou mesmo estudado no ensino médio, por conta do atual sistema de seleção vestibular", lastima Roderic Szasz.
Para completar o quadro, o docente acrescenta que, entre os jovens estudantes, cresce também o desinteresse pela literatura como um todo. A maioria sequer reconhece ou se importa com a origem dos autores. "A Literatura tem sido um grande tédio para os mais jovens, o que é uma lamentável realidade", analisa.
Já Luciano Araújo percebe um relativo interesse dos discentes em conhecer o que é e foi produzido no lugar onde vivem, mas com restrições. "Em sala, tento remar contra a maré, levando textos de escritores cearenses, como Moreira Campos, para mostrar aos alunos que nós possuímos um leque enorme de bons escritores", relata.
"Os meninos até que gostam de conhecer nossa literatura, mas não a valorizam tanto porque 'não cai no Enem'. É triste, mas é verdade", lamenta o docente. Para Batista de Lima, especialista em literatura cearense, a solução deve ser pensada pelos sindicatos, pastas públicas e academias que se englobam no contexto da educação. "Devia haver uma lei estadual para que toda escola do Ceará fosse obrigada a exigir entre os quatro livros paradidáticos pelo menos um que fosse de autor cearense", sugere.


Postagem: Silas Falcão

terça-feira, 29 de abril de 2014

Aonde me levas rio que amei?


                                   Éramos dois meninos travessos,
                                   o rio da minha infância e eu!
                                   O temor das águas turvas
                                   diluiu-se no turbilhão
                                   afeito abraço aquoso
                                   quando fluente desci
                                   disperso nas margens,
                                   onde a meninice acabou!
                                   No deleite de um instante,
                                   em direção ao vento,
                                   o rio triste me arrastou!
                                   Desígnios difusos deixei,
                                   haurindo à luz inclemente
                                   sendo penumbra da noite,
                                   pois sozinho fiquei
                                   quando contigo parti!
                                   Aonde me levas rio que amei?

                                           Raimundo Cândido


José Alberto de Souza disse...
Olho essas águas 
que correm para o mar 
e fico a pensar 
aonde poderia chegar 
seguindo seu curso sinuoso 
com remos compassados 
da minha canoa.

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Para não esquecer


Um dia,
difuso e triste,
sobressalto inverso,
silenciosamente,  
embarcamos!
Espesso e sem pressa,  
no sossego das ondas,
desassossego da vida
dissimulamo-nos 
no horizonte!

Mas, já havíamos partido...
Nos sonhos que já não mais se suspiram.
Veemências que já não mais se exprimem.
O prezado gozo não é, nem mais, sofreguidão.
E a solidão estampada no silêncio do rosto
é mansa  brisa de praia no fim de tarde a marejar...
O que não é bagagem expressa efemeridades
 a nos lembrar!

Calaram-se os passos de um vai e vem, prá lá e pra cá!
No semblante deteriorado da tarde escorre um limo verde
como lágrimas deslembradas no ar...
E neste dia,
 assim de sombras lacrimosas,
implorarei ao momento presente
que será  outrora na linha do tempo para,
mesmo impassível, não me olvidar!

Raimundo Cândido

José Alberto Souza disse...
Ao passado retornar 
eu sei que não adianta, 
mas minha vontade é tanta: 
não consigo deixar de tentar.


sexta-feira, 18 de abril de 2014

O Punhal de Lampião


                                                     O cabo de prata
                                                     do cruel punhal de aço
                                                     pendeu da Serra Grande
                                                     vertendo rio de sangue,
                                                     dançando xaxado ligeiro,
                                                     orando à Cícero Romão
                                                     na crença
 da pedra cristalina
                                                     para o seu corpo fechar.
                                                     O cabo de prata
                                                     do cruel punhal de aço
                                                     alumiou nas veredas escuras
                                                     os fantoches dos mandacarus,
                                                     o faro dos rastreadores,
                                                     o dedo sujo dos coiteiros
                                                     delatando o olhar de vidro
                                                     do capitão Virgulino
                                                     com sete tiros no corpo,
                                                     chapéu de couro bordado,
                                                     lenço vermelho rendado,
                                                     sol escaldante nos couros,
                                                     abatido no fundo da noite,
                                                     todo o bando decapitado
                                                     pela volante do Ten. Bezerra
                                                     e o afã lampiônico acabado,
                                                     fim do cabo de prata
                                                     do cruel punhal de aço
                                                     instrumento de pura magia

                                                     extinto no raiar do dia
                                                     pelo automático matraquear
                                                     que pôs fim a toda marmota
                                                     na emboscada de Angico
                                                     e do sangue jorrou uma grota.


                                                     Raimundo Cãndido

quarta-feira, 9 de abril de 2014

E A VENDINHA DE DONA ALEXANDRINA?


“Às vezes, no rústico balcão
De velha tábua enegrecida
O tempo parava...
Às vezes, o vento passava
E o papel de embrulho acenava
Convidando o cliente...”
Estávamos participando do lançamento do Varal Antológico em Florianópolis, a lagunense Fátima Michels me confunde com o autor de “Bodega”, Raimundo Cândido Teixeira Filho, de Crateús­-CE, e diz que gostou muito do poema. Mas ele está ali a meu lado e corrige o equívoco: “A Bodega é minha!” E tinha que ser mesmo, mas me chama atenção pela temática. Mais tarde, leio a obra poética e me emociono com a beleza dos versos de uma sintética tranqui­lidade ao transmitir com imagens felizes o humilde cotidiano que ainda subsiste apesar dos avanços tecnológicos. E nos transporta para aquelas paragens isoladas que se congelam na espera dos transeuntes.
Dou-me conta dos tempos decorridos e dos espaços ocupados nesta minha jornada de tantas vidas. Lugares por onde andei, saindo de Jaguarão, passando em Porto Alegre (Partenon, Centro, Bonfim e Menino Deus), São Bernardo do Campo (Jardim do Mar), São Paulo (Vila Prudente, Jardim da Saúde) e Florianópolis (Capoeiras, Agronômica). Em todos eles ainda rememoro a existência de uma “bodega”, ali na esquina ou no meio da quadra, que ainda hoje teima em manter a sua caderneta de fiados para os clientes relutantes em ingressar na era das compras facilitadas pelos cartões de crédito.
E o vento vai passando e me jogando meninote naquela cháca­ra do meu tio Cantalício, em Jaguarão, naquela estrada que me pa­recia não ter fim até chegar lá, deixando a cidade, avistando a Igreja Matriz, a Santa Casa, o Quartel, o Curtume e o caminho longo até o Corredor das Tropas. Logo ali, a casa dos Machado, atravessava-se o Passo dos Correias, um fiapo de arroio que não dava passagem nas chuvaradas, e a estrada seguia na direção da Capela São Luiz. Bem antes eu descia do “carrinho” puxado a cavalo e abria a porteira para trilhar a íngreme e escorregadia lomba de terra até as casas.
Ranchos, galpões, currais, baias, tambos, galinheiros, chi­queiros, açudes, sangas, mato, campos, potreiros, cacimba, bomba d’água, plantações, hortas, pomares, taquarais, um mundo de soli­dões para mim. Aves, bovinos, equinos, suínos, caninos eram seres estranhos ao meu cotidiano citadino. Meu tio reinava ali absoluto e ditava suas leis: “na minha propriedade é proibido caçar passarinho”. Os estilingues eram apreendidos sem qualquer apelação. Não deixava de verificar e determinar as tarefas do chacareiro, “seu” Dema que a toda hora precisava ser lembrado da forma de executá-las.
Para ocupar melhor esse tempo arrastado, lá ia eu pegar no ara­do e tanger os bois no vai e vem da terra lavrada ou então rolar a pipa para buscar água na cacimba. Montava na égua zaina e saia a recolher as reses espalhadas pelo campo. Enchia sacos de laranja, vergamota, peras, goiabas para devorá-las ali mesmo e levando o resto para casa. Antes do almoço, o banho recreativo na sanga, seguido de causos contados na roda do mate, enquanto “seu Dema” aprontava a bóia e eu sugeria um angu de sobremesa: “mas não tem o fubá, a farinha de milho...” Fácil, só ir lá na Dona Alexandrina que ela tinha...
E nós saíamos cruzando campos afora, a pé naquela lonjura, para chegar à venda de Dona Alexandrina e gritar da porteira: “Ó de casa, queremos um quilo de fubá!”

José Alberto de Souza – O poeta das águas doces – Gaucho de Jaguarão do Sul – No livro O Velho “Chateau” daqueles rapazes de antigamente. Croni & Contos) - Tche!

José Alberto de Souza disse...
Mas bah, tche, e eu que estava querendo te aprontar mais uma...

terça-feira, 8 de abril de 2014

A Maria Fumaça e Seu Fransquim.


Que os leitores e as estimadas louras me perdoem, por incluí-los na introdução desta narrativa com aspiração à literatura de abstração, de passa-tempo. Mas suponhamos uma situação fora do comum: O caro amigo entrega um buquê de flores para uma determinada loura que, displicentemente, lhe pergunta: - São Flores? Não exalto as discriminações e sei que o polido amigo responderia com reverência de gentlemen.  Fico a imaginar é a pitoresca resposta de pessoas como Seu Lunga, um juazeirense nada educado (— Olá, Seu Lunga, está sumido! Por onde tem andado? — Pelo chão, não aprendi a voar ainda...), ou Seu Antônio Ricardo, comerciante do Mercado Velho de Cratheús (— Seu Antonio, o que vou fazer com essas moedinhas de vinténs do troco, não valem mais nada! Ele responde rápido: Jogue no... mato!), ou o Senhor Francisco Cavalcante, Seu Fransquim, um personagem agreste e folclórico na época da Chegada da Maria Fumaça, que na certa responderia: Não são flores, não! São cenouras, não está vendo!
Desde 1882 que a princesa do Norte escoa seus produtos para o Porto de Camocim, pela estrada de Ferro de Sobral (EFS), propiciando uma época de industrialização na região de Caiçara, da fidelíssima cidade Januária de Acaraú. E a linha férrea saindo de Sobral, passando por Ipu, Ipueiras, Nova Russas, Sucesso era a esperança do desenvolvimento e redenção de um marasmo mortal nos sertões de Crateús.
Alguém anunciava, entusiasmado: — Seu Fransquim já começou a construção da estrada de ferro entre as cidades de Sobral e Crateús. Centenas de trabalhadores estão aplanando o chão, que nem uma mesa, colocando dormentes de aroeiras, de pau d’arco, de maçaranduba de 2 metros cada, e sobre eles assentam pares de trilhos de ferro de 8 metros de comprimento, tão pesado que necessita de umas 20 pessoas para levantar um só. Os homens estão trazendo a Maria Fumaça para Cratheús, Seu Fransquim!!!
Seu Chico Fogueteiro, o apagador de lampião da cidade, do alto de sua incivilidade e pessimismo, só resmunga e blasfema: — Trazem nada! Estão trazendo é o fogo do inferno para essa cidade que já está é derretendo de tão quente! Os únicos homens que temos aqui são o Senhor do Bonfim e o Rio Poti.
E vinha sim, mas só o Senhor Franquim desacreditava. De dormente em dormente, assentados no chão, o progresso rastejava rumo aos Sertões de Cratheus.
— Seu Fransquim, a linha férrea já passou pelo Ipu, por Ipueiras e está em Pinheiros. É uma festa grande, Seu Fransquim, tem bancas de café, de bolo, de tapioca e de aluá. É gente pra tudo quanto é canto, que nem cabe no povoado de Sucesso!
— É nada! Que trem de ferro coisa nenhuma! Isso é coisa é do capeta! E naquela terra não passa nem a besta fera!
No sábado do dia 17 de Julho de 1911 a população atravessa o leito do Rio Poti, e do Riacho Tourão, para contemplar os cassacos trabalhando, parafusando placas de apoio, batendo os longos pregos nos dormentes, prendendo os trilhos, assentado uma linha singela como uma máquina de costurar que cinge um zíper rumo ao horizonte infindo.
— Seu Fransquim, a linha do trem já passou pelo Feijão, pelo Tetéu, pelos Pastos Bons e já está nas Cajás! Até já se ouve o trem apitar! Ouça... Seu Fransquim!
— É não! É o cão! É o cão peidando por lá, e o povo gosta é de ser enganado, feito bestalhão!
— O trem já caminha sim, seu Fransquim, a linha férrea vem se desenrolando, de lá pra cá, como quem estira um tapete.
— Eu quero é ver, como é que esse bicho dos diabos vai passar quando o rio estiver cheio!  Cada assertiva do Senhor Francisco era um obstáculo que ele impunha.
— Uma ponte de ferro toda desmontada vem de navio, lá de um país chamado Inglaterra. Quando chegar ao Porto de Camocim seguirá até aqui, nas pranchas da Maria Fumaça, quando será montada sobre os rios.
— Danou-se! Vão fazer uma ponte é para passar o teu pai e a tua mãe, seu bicho bruto!
No entardecer da quarta-feira do dia 12 de Dezembro de 1912, a máquina sete apita bem na entrada da ponte de ferro, sobre o Poti, era uma Maria Fumaça movida a lenha e vapor d’água, uma máquina preta, pequenina e ligeira, que mastigava nervosamente os intermináveis trilhos: vup vup vup tchuc tchc tchc e soltava um silvo longo e agudo pela primeira vez no céu azul de Princesa do Oeste: — Piuuiiiiiiiii Huuuuuu Piuuiiiiiiiii ...
O amplo espaço de terra batida entre os trilhos e as casas já era chamado de Praça da Estação e estava repleto de amimais amarrados nas sombras das árvores: cavalos, burros jegues que não tinha quem contasse. Veio gente de toda região, até do longínquo Estado do Piauí.
— Piuuiii...  A Maria Fumaça apita novamente, soltando um rastro de fumaça cinzenta e preta no ar, chamando atenção para a sua estupenda chegada.
No calçadão, era uma grande multidão que se espremia, esticava o pescoço para ver o trem que vinha gingando feito bêbado, como que aturdido de tanto farejar o chão, deixando um rastro de fumaça. Bem na frente, as autoridades se perfilavam de ternos e gravatas: o Cel. Cazuza Ferreira, O Senhor Betrônio Frota, o Sr. Tomás Catunda Filho, o primeiro prefeito, após a vila se tornar cidade, o Pe. Rosa, o Sr. Antonio Jerônimo de Sousa Lima conhecido por Cel. Giló que seria o agente provisório da Estação enquanto o Sr. Carlos Rolim de Moraes não assumiria como o 1º agente oficial, e o farmacêutico Cicinato Rodriguês que mirava de soslaio o rival, o Dr. Luiz Chaves e Mello.  O Sr. Raimundo Marques de Pinho, avô do barbeiro Erasmo Moraes Cavalcante, ficou tão admirado que permaneceu boquiaberto por um longo tempo e até o Senhor Urbino Menezes descera do Buritizinho, com toda a meninada, para ver esse tal de trem de ferro!
Os fogos de artifícios estrondavam no ar: Pou! Pou! Pou! Paa! A belíssima Maria fumaça já diminuía a marcha e se podia ver o Engenheiro João Tomé de Sabóia na porta do primeiro vagão, acenando com o chapéu na mão. O poeta humorista Amâncio Correia Lima constata: — O bucho do Dr. João Tomé chegou primeiro que a Maria fumaça!
Mas faltou uma pessoa na grande festa de redenção dos Sertões de Crateús.
— Seu Fransquim, o trem já veio e o senhor não foi olhar a chegada da Maria Fumaça?
— Você será besta? Acha que eu vou olhar a chegada do cão dos infernos! Isso é o capeta que veio tomar dinheiro dos trouxas de Cratheús, se preparem! E profetizou: — Eu só quero de vida nesta vida no dia em que eu chegar perto de uma besta fera de ferro, desta aí!
Os trilhos e a locomotiva a vapor continuaram o seu trajeto rumo ao por do sol e logo chegariam ao distrito de Poti e, um pouco mais, na aprazível Oiticica, uma região de veraneio dos ferroviários, com a Maria Fumaça saindo da Estação pela manhã de domingo e voltando no entardecer, lotada de felicidade no rosto dos turistas crateuenses.   
O trem venceu a estúpida inflexibilidade de Seu Franquim pela inabalável paciência do tempo, pois água mole em pedra dura... Cinco anos depois, uma irrevogável curiosidade bateu-lhe na alma, e ele foi visitar a Maria Fumaça. O trem estava em perigoso processo de manobras, de acomodações dos elementos quando ele chega e se posta entre os engates de dois vagões e, antes de ser esmagado, só deu tempo confirmar: — A boca deste diabo parece a boca do cão! O férreo abraço da morte o enlaçou como beijo fatal, o castigo da Maria Fumaça que, ao ceifa a vida de Seu Fransquim, estava a nos dizer: “Por mais incrédulo que seja, haverá um dia em que, todo homem, tem que acreditar. Condeno-te pelo crime de blasfêmias e de ofensas, mas liberto-te da imbecilidade da alma e da estupidez do coração.”
Seu Chico Fogueteiro havia comprado o bilhete na Maria Fumaça, rumo ao horizonte infindo, e nunca mais ninguém duvidou da vinda do trem.



Raimundo Cândido

sábado, 5 de abril de 2014

Ilusão



                                                      O poeta está repleto ou está vazio
                                                      e é, por si mesmo, um tolo!
                                                      O verso é um coração a pulsar
                                                      na falta do prescindível 
                                                      ou no excesso das essências ...
                                                      O poeta é essa (im)completude
                                                      que de nada precisa!
                                                      Não há...
                                                      Frui!
                                                      Não vive...
                                                      Redime!
                                                      Não existe...
                                                      Sublima!
                                                      Ilusão, sem princípio e sem fim...



                                                                                   Raimundo Cândido
Socorro Cavalcanti disse...
Este Raimundo, meu amigo, é um poeta enviado por Deus para nos deleitar!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Rosal : O ceifeiro da morte!

Foi um tempo de medo incontrolável, época de incertezas, de pavor estampado no olhar do sertanejo obstinado e abandonado no ermo da Caatinga nordestina. Nos Sertões de Cratheús percebia-se, frente ao pacato silêncio enganador, o anúncio de um desassossego, a iminência do incontido assombro. O simples latir de cães ou o tropel dos cascos de cavalos na madrugada era motivo de inquietações. Esse violento desvio de conduta se alastrava por todo o território cearense. Era comum se ver um homem humilde andando com uma espingarda à mão ou uma longa faca do mato no quadril. E não se distinguia mais quem era cidadão pacífico ou um desalmado cangaceiro dos Coronéis, caminhando isento pelas ruas das cidadezinhas do interior. A compra de títulos, por parte de ricos fazendeiros, dava-lhes o direito de ter uma força militar particular, fortemente armada: eram os famigerados jagunços.
A Terra da Luz vivia na escuridão, mas ofuscada pelo clarão do bacamarte ou pela luz instantânea do disparo das lazarinas, nas emboscadas armadas pelas veredas do sertão. Crimes que sempre ficavam impunes, pois nunca eram “desvendados”.
Foi, exatamente, neste período de desordens que estourou a Revolução de 1930.
O Movimento Revolucionário dos Tenentes, que depôs Washington Luis da Presidência da República, foi um duro golpe nos alicerces dos coronéis e, pela primeira vez na História do Brasil, abalou-se o poderio dos latifúndios que sustentava o coronelismo dominante no interior. Oito governadores estaduais foram depostos, muitos prefeitos foram presos, retirou-se a força de polícia que mantinha a importância dos Célebres mandatários dos votos de cabrestos e coiteros de cangaceiros, desarmando-os, mas os que estavam do lado da Revolução continuaram fortemente municiados, gerando um período de inquietação e desordens. 
No dia 9 de Outubro de 1930, uma quinta-feira histórica para Cratheús, quando a Maria Fumaça para na Estação Ferroviária, o calçadão já estava aglomerado de curiosos, homens, mulheres e crianças, pois as notícias das prisões efetuadas pela Revolução já chegaram aos confins dos sertões. De um vagão desce o poderoso “Coronel” Otacílio Mota, herdeiro do poderio da Fazenda Otacilândia de Ipueiras, um monumento colonial construído em 1636, seguido pelo Tenente Aristides Rosal, da Força pública do Estado. Vieram depor o Pe. José Juvêncio de Andrade, o prefeito da cidade. Uma criança guardaria, no brilho espantado das retinas, aquele momento singular observando o vulto apavorador de Rosal: “Lembro-me de seu traje e de suas feições de cenho carregado, barba crescida, os dentes brilhando pelo ouro que havia na boca, calça e camisa cáqui, alpergatas de rabicho, à frente de um grupo de homens armados, todos com lenços vermelhos no pescoço.” O menino é, hoje, o Sr. Norberto Ferreira, nosso memorialista maior.
O Tenente Rosal ficou na história como personagem ímpar no cangaceirismo de sangue frio que se vendia aos coronéis, pela sua perversidade em eliminar os adversários e pelo grande número de vitimas assassinadas cruelmente, como uma sombra de terror sobre o sertão, afirmando-o como o ceifeiro da morte! Fazia questão de espalhar essa fama desde que saíra da Paraíba, terra em que nasceu.            
Chegou a comandar, em 1928, a Cavalaria da 2ª Delegacia de Fortaleza contra a greve da Usina da Light, uma companhia inglesa, colocando seus soldados de prontidão nas paradas dos Bondes, com os fuzis engatilhados no intuito de matar, mesmo que não fosse necessário.
Em Tauá e Nova Russas, onde fora delegado, cometera crimes absurdos por essa índole sanguinária. E assim, foi expulso dos quadros da Força Pública, devido aos inúmeros crimes desnecessários. Mas a polícia e os coronéis sempre precisavam dos serviços profissionais do exterminador e, vez por outra, convocavam o mercenário Aristides Rosal.
Ficaram as marcas, na bucólica cidade de Independência, da passagem do facínora paraibano: Cruzes de madeira, tanto quanto os pés de mandacarus, adornam as veredas como marcas de tocaias, onde algum incauto tombou, numa contenda feroz de pistoleiros, conhecida como Questão da Vaca Brava.  Entre as localidades de Varzinha, Cachoeira do Fogo, Pitombeira e Vaca Brava, com pastagem farta para o gado, reinava uma morte brutal no seio da vida campestre, com o amor e a feroz guerra do cangaço sendo temperados à bala que, nem por um instante sequer, deixava esfriar os rifles dos pistoleiros. O Tenente Aristides Rosal combateu os capangas do “Padre” da Varzinha, defendendo a viúva de um dos Coutinho que colocara seu capataz, o destemido Manoel Senhor, como chefe do amor e da fortuna, coisa que o famoso Jose Matheus Gomes não podia aceitar no clã dos Coutinhos, descendente do patriarca Major Zacarias Gomes Coutinho. O “Padre” da Varzinha era um potentado, dono de 36 propriedades rurais com os paióis apinhados de milho e de pólvora, senhor de 35 filhos legítimos e outras três dezenas de bastardos, além de comandar um batalhão de capangas fortemente armados para defesa dos seus haveres e da sua sorte. Era o pai do cangaço, diziam. E a extensa várzea de solo negro dos Coutinhos se irrigou com o grosso sangue dos que caiam nas tocaias, no sertão da Vaca Brava.
O Dr. Coutinho, afamado bacharel em direito, de Fortaleza, irmão do Pe. da Varzinha, tinha uma grande propriedade (a Fazenda Queimadas, com três léguas de frente) no distrito de Novo Oriente - lugar que brotou das pisadas dos cascos dos bois - e em litígio com o dono das terras da Lagoa do Tigre, o Sr. Manoel Rufino. O Dr. Coutinho teve uma infeliz ideia, uma atitude que amargou pelo resto da vida: Contratou os serviços profissionais de Aristides Rosal, a fim perseguir seu inimigo. Queimadas tinha um novo capataz, o Tenente Rosal. Mas há quem diga que houve uma trama bem elaborada, premeditada, pois ouviram o Pe. da Varzinha dizer para o  Dr. Coutinho: "Bote o boi no curral para amansá-lo e depois poder matar."
Em suas periódicas visitas de inspeção de bens, o doutor percebe que o gado e as ovelhas estavam sumindo da sua fazenda. Os amigos, ironicamente, perguntam: - Doutor Coutinho, o senhor agora tem um sócio em Queimadas? Nada podia fazer, só mastigava o receio e o arrependimento, procurando uma forma de despedir o capataz que tomava ares de dono das terras das Queimadas. Antes de sair da fazenda alheia, o tenente fizera, além do pé de meia, um rosário de inimigos por toda região. Ele proibira o caboclo Cambirimba de fazer carvoarias, mesmo o sertanejo tendo a permissão do doutor. O caboclo continuou a queimar lenha, sem se preocupar com o veto do capataz.
Os recados iam e vinham, que para desgraças não falta quem se faça de correio. Avisavam: - Cambirimba, fica de olho aberto! Toma cuidado, pois o Rosal anda dizendo por aí que vai te dá uma surra e das grandes!  O caboclo respondia, firme: - Eu não tenho medo do Rosal!  O povo se alvoroçava e fazia restrições na presença do ex-militar, visto que já cumprira as promessas de bater em quem ameaçava. O chicote de Rosal estalou nas costas de Antônio Calango, entre a Praça da Matriz e o Mercado. As chibatadas eram cantadas de mansinho, uma a uma, com recados para o patrão de Antônio: - E esta lapada, seu cabra safado, é para você avisar ao seu chefe, o covarde Manoel Rufino, que o dia dele está chegando!
No Mercado Velho, com os portões furados de bala, dia de feira era momento de muita festa. No pátio interno o cheiro de carne assada se dissipava no ar. Cambirimba não se assustou quando, de repente, Rosal entrou no Box em que estava, e foi logo asseverando: - Caboclo, tu anda dizendo que eu sou ladrão! Cambirimba lembrou-se da ameaça de relho nos lombos, mas respondeu, no ato: - Disse, sim! Você roubou mesmo as criações do Dr. Coutinho! E não esperou pela reação do tenente, partiu, com ímpeto, para cima de Rosal agarrando pela gola do terno branco e o sugigou na parede, com uma das mãos. Com a outra tentava tira a faca do cós da calça, mas a camisa passada pelo cinto não permitiu. Rosal já estava com a língua de fora quando separaram a briga que já exalava o cheiro de morte. Quem não correu, olhava por trás das portas, o pátio em desordem com as mesas e as cadeiras de pernas para o ar.
Houve quem, disfarçado, comemorasse em rejubilação, dando vivas ao caboclo Cambirimba.  
O velho João de Sousa, em refutação, prometera fazer do cocuruto de Rosal uma cuia de beber água. Por uma série de crimes: tiros, brigas, mortes, chega à cidade de Cratheús uma ordem de prisão para João de Sousa. Parte um volante de quatro praças para realizar a difícil missão, mas vão direto à localidade chamada de Macacos, residência de Rosal, que é incorporado no comando, recebendo armas e munições.
João de Sousa, avisado da chegada da volante crateuense, aguarda na sala da frente, serenamente, com o rifle entre as pernas. Gritam, do lado de fora: - Entregue-se, João de Sousa. Temos ordens de lhe prender!
Ele responde: - Só me entrego se o Rosal não estiver aí.
Mentem: - Ele não veio! Não está aqui! O velho e cansado João confia na palavra da volante, desarma o espírito e joga a arma no chão. Como um fantasma, Rosal aparece à porta, e pronúncia a fatídica sentença: - Te prepara João da Porca, que agora tu está pegue é com o homem da “cabeça”. João leva as mãos ao rosto antes das cargas das armas automáticas deceparem-lhe os dedos e dilacerarem-lhe o crânio. Matam também o Pedro, um dos filhos de João, e os dois cadáveres, decapitados, são postos em cangalhas de burros amarrados por cordas passadas nos furos dos tornozelos, como quem leva as bandas de porcos para o açougue. E já no fim do dia o cortejo macabro segue rumo a Novo Oriente, passando em frente ao Mercado Público onde o cangaceiro intima alguns curiosos a cavarem as sepulturas. O povo logo apelidou Rosal de “O Tenente da Cangalha”.
O destino é uma sorte que a gente mesmo faz, e Rosal sabia disso, pois estava cansado de escapar das tocaias, fugir de emboscada em emboscada, milagrosamente. Era obrigado a passar por aquele trecho, de antiguíssima cerca de faxina, na localidade de Emaus, quando vinha da casa de sua amante, a Daurides. Naquele dia esquecera-se de trazer o menino que colocava na sua frente, como escudo, e golpeia com vontade as ancas da burra castanha, que capricha na disparada.
Atrás da cerca, num buraco coberto com uma copa fechada de uma moita, o tocaieiro nem respira, só alisa a espingarda, de prontidão. Há três dias que aguarda o momento propício, e a hora era chegada. A burra em disparada vem ao encontro do cano do rifle no exato momento em que o paladino puxa o gatilho. O projétil sibila no ar, indo quebrar o medalhão no peito de Rosal que fica estendido no chão. A burra velha passa em disparada pelas ruas de Novo Oriente, dando a notícia que muitos já aguardavam. A cidade inteira se rejubila em festa e dão vivas ao herói vingador, sem citar seu nome, pois logo tudo aquilo estará empestada de polícia.
Um dia, Antonino resolveu se separar da filha de Cambirimba. Isso deu uma intriga danada e das grandes. Cambirimba ameaçou: - Seu cabra safado, no dia em que você passar na frente de minha casa, eu te mato!
Depois de uma boa caçada e, já tarde do dia, Antonino resolve não desviar caminho e passa em frente à casa do ex-sogro. Alguém comenta dentro de casa: - Oh, que o Antonino hoje matou e foi caça! O velho levanta-se depressa, arma-se e vai ao encontro do genro teimoso: - Eu não disse, cabrinha, que te mataria se passasse em frente da minha casa! Só deu tempo de Antonino se virar e também atirar. As balas passaram se beijando, como saudação de morte e tombam ao chão os dois rudes sertanejos.
Antes de fechar os olhos, Cambirimba chama os filhos e confirma o que muitos já sabiam: - Cuidem bem desta lazarina velha que está aí no canto, pois foi ela que deu fim nos desmandos do cangaceiro Rosal!
Há muito que o Sertão de Cratheús se apazigou, esqueceram os incendiados ânimos por disputas de terras e as danações incontidas dos cangaços, desde quando o Pe. da Varzinha, já velho e cansado, vendo suas terras sumirem nas mãos dos outros, sonhou: - Ah, se o Padre tivesse 50 anos, iria incendiar a varzinha, mas era de bala! E ainda bem que a lazarina de Cambirimba se aposentou!  

Raimundo Cândido   

José Alberto de Souza disse...
Se isso não dá  romance histórico, não sei não. 
É só ir juntando cada pedaço  e acrescentando imaginação no que se ressente para lá continuar.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Trovejar


Ecoa, na sequidão do ar,
o motim rouco do trovão!
Voltam, favoráveis chuvas, 
anuviadas de presságios 
depondo a longa espera.
Redimirá o pecado ósseo
de desilusão pétrea
irrigando a solidão
de longínquas eras
na calha seca do Poti?
Troveja luz, som
e sobressalto no sertão
de intolerável sede, 
de saciar mirrado
no eterno aguardar.
A estridente disritmia
é como sermão que ressoa:
-Oh, Filho do desprezo 
obstinado em confiar!
- Brrrr booom! Boooooom
-Oh, teimosia que não aprende
a conviver, em harmonia, com 
a estúpida agonia de vida e morte!
- Brrrr booom! Boooooom
-Oh, ser pertinaz que crer
na força bruta e na essência do som
rimbobante, e prossegue a exaltar 
ao brado áspero do trovão
como se sublima ao Glorioso Pai!
- Brrrr booom! Boooooom



                                                                    Raimundo Cândido
Zacharias Bezerra de Oliveira disse...
Trovejar é muito melhor que alvejar
no sentido em que este mata
e aquele alça e realça a mata
proporcionando o seu verdejar!

domingo, 30 de março de 2014





PRÊMIO (NACIONAL) SESC DE LITERATURA - RESULTADO
Débora Ferraz e Alexandre Marques são os vencedores do Prêmio Sesc de Literatura 2014. 

Enquanto Deus Não Está Olhando, romance da jornalista Débora Ferraz e O Parafiliasuma, livro de contos de Alexandre Marques, foram os vencedores do Premio SESC de Literatura – 2013.

O meu livro de contos, O colecionador de dedos, ficou entre os 10 finalistas. Fico muito contente por esta classificação.


Silas Falcão

terça-feira, 25 de março de 2014

AMIZADE

                                                        CARLOS HOLANDA

Amizade essa essência
Fortalece a confiança
Faz bem a consciência
Guarda tudo na lembrança
Daquele que é bom amigo
Mesmo estando  distante.

Amar exige atenção
Amizade é bom sentimento
Guardado no coração
Mas pode causar sofrimento
É cuidado e compaixão
Partilhado com o irmão


Aquele que não percebe
O que é zelar o amigo
Não passa de pobre plebe
Que faz maldade e intriga
Complicando a sua vida
Deixando de ser feliz
Faltando-lhe diretriz


Desejo que você tenha
Respeito, zelo e caridade.
E que esses sentimentos
Fortaleça a amizade
Proporcionando aos amigos
Paz e amor e abrigo.


Não perca tempo, portanto.
Aprenda e preste atenção
Seja feliz com os amigos
Aproveite a ocasião
Comemorar em seu festim
Suas amizades sim.


Pense e reflita agora
Como está essa história
E me diga sem demora
Não precisa de oratória
Para que o seu amanhã
Seja sempre de vitória

Não posso esconder
Todas as boas amizades
O que quero é agradecer
Só de ver tanta bondade
E que todos entendam bem
O valor que a amizade tem

A história da amizade
Você precisa entender
Cativar e  evitar maldade
E também compreender
Que ter amigos é crescer
Fortalece o próprio ser


Amizade é uma riqueza
Sabe aquele que o têm.
E afirmo com certeza
Que  amizade é um bem
Você tem que acreditar
Sem mesmo desconfiar.


Desejo a todos então
Amizade e muita paz
No amor e comunhão
Seja sempre contumaz
Faça o amigo feliz
Pois você é capaz

AUTOR: Antonio CARLOS HOLANDA da Silva - Professor, radialista e palestrante - Fortaleza -Ce, 19 de março de 2014.