Este é o chão sagrado da Academia de Letras de Crateús na internet. Como um templo ecumênico, nele há espaço para todos que adoram cultuar a beleza da virtude, a simplicidade da inteligência, a singeleza do verbo, o fascínio da cultura, a liberdade da palavra, a profundidade do amor.
sábado, 10 de novembro de 2012
APRESENTAÇÃO DO LIVRO "TROIA - UMA VIAGEM NO TEMPO"
Autoridades aqui presentes,
Senhoras e Senhores,
Boa Noite!
Apresentar um livro, para mim, é como oferecer um cardápio de entrada para um fausto banquete. É tarefa delicada. Exige habilidade. O responsável há que se esquivar da tentação do exagero. Impõe-se que cultive aquilo que os franceses chamam l’sprit de finesse (o espírito de finesse), servindo aos convidados apenas o indispensável para despertar o sistema olfativo. Com simplicidade e discrição, optar pelo petit e apontar para a mesa em que será servido o prato principal. E o principal aqui é o livro e sua autora.
Conheci a doutora Grecianny Carvalho Cordeiro no Palácio da Luz que congrega os amantes das letras abrigados sob a AMLEF – Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, aqui representados pelo nosso Presidente Seridião Montenegro e pelo General Torres de Melo, nosso confrade. À época, ela já tinha escriturado o seu romance inaugural, Anjo Caído, que nos sacode com a história de Maria, jovem de alma marcada pelas feridas da exploração sexual. Exibindo a Carteira Profissional de quem resolveu se dedicar ao ofício de promover a justiça, conquistou-nos com seu rosto angelical, sua alma generosa, o coração em festa, a límpida fronte. Mãe e mestra, pisou no tablado acadêmico com seu andar libertário. Na qualidade de custus legis, fiscal da cidadania feita ternura, afeiçoou-se ao nosso convívio para nos lembrar a obediência aos Estatutos da Paz e à Legislação do Amor.
Hoje a romancista Grecianny nos mimoseia com mais um trabalho de fulgor e fôlego, de fascínio e fantasia: Troia – uma viagem no tempo. Com indizível felicidade escolheu um dos mais ricos e populares conflitos bélicos da história para reescrever com a tinta de sua genialidade. Montou uma passarela literária em que desfilam as figuras mitológicas da famosa narrativa. Como uma prestidigitadora montou um show mágico em que a roda da história se inverte e o futuro visita o passado. O brasileiro Mário é acordado por Cassandra em pleno Templo de Apolo. Grecianny organizou um baile de fantasias em que o factual e o quimérico ocupam a mesma pista de dança.
Tenda ou Lenda, matéria real ou arroubo mitológico, a Guerra de Troia se constitui um dos eventos mais arraigados no inconsciente coletivo da humanidade. Seja pela inserção nos pergaminhos históricos ou pela mera tradição popular da transmissão oral, a narrativa poetizada por Homero ganhou a simpatia universal. Expressões como “gregos e troianos” (protagonistas da cizânia), “o calcanhar de Aquiles” (que era invulnerável em todo o seu corpo, exceto no calcanhar), “presente de grego” (que é usada para se referir a um presente dado com más intenções ou que, ao invés de nos deixar felizes, causa frustração) e outras mais se incorporaram ao cotidiano geral.
Confesso que estamos diante de uma obra de sabedoria. Ou melhor, um livro saboroso. Sabedoria (em latim, sagasse) encontra, também no latim, a sapientia, que significa conhecimento saboroso. E sapere, em latim, tem o duplo sentido de “saber” e “ter sabor”.
Vejam, por exemplo, como é descrita Helena, a formosa e famosa, bela e estonteante Helena na página 25...
Desaprumado semeador de versos, desafinado aprendiz de poeta, sempre cedi aos espasmos da estupefação em relação aos romancistas. Eles me despertam certa inveja admirativa.
Apesar de ambos perscrutarem as grutas da transcendência, há entre o poeta e o romancista diferenças essenciais. O poeta produz o vôo rápido, o raio meditativo, a faísca genial, o relâmpago do achado, a centelha da alegria. O romancista é o condoreiro do vôo demorado, o arquiteto do edifício meticuloso, o mantenedor da sustentabilidade inventiva. O poeta acende o êxtase com o palito de fósforo e parte; o romancista senta-se no terreiro e descreve o crepitar de cada pedaço de madeira da imensa fogueira.
Poetas, admitamos: os romancistas alçam vôos mais altos que nós. É óbvio que há exceções.
Neftali Ricardo Reyes Basoalto, que o mundo conheceu como Pablo Neruda, o mais caloroso poeta que o frio austral do Chile produziu, escreveu um poema-romance em que cantou os rios caudalosos e as imensas florestas da nossa América. No seu Canto Geral festejou nossos bosques e avenidas, amaldiçoou os pequenos déspotas e louvou os libertadores de nossa latino América.
O cearense Gerardo Mello Mourão, o maior poeta do século XX segundo a Guilda Órfica Européia, foi outro que construiu um império poético digno das melhores civilizações romanceadas. Com sua dicção refinada, Mello Mourão nos brindou com Invenção do Mar, a epopéia da nacionalidade brasileira. Neruda e Gerardo, que foram contemporâneos e amigos, constituem monstros sagrados excepcionais que apenas atestam a veracidade da regra: os romancistas são maiores que os poetas. Não por acaso François Mauriac dizia que “o romancista é, de todos os homens, aquele que mais se parece com Deus: ele é o imitador de Deus”.
Aprendiz de poeta, vim aqui apenas para reverenciar a romancista da nossa AMLEF e incitá-los a saborear este delicioso livro. Confesso-lhes que, definitivamente, este não é um presente de grego!
(Júnior Bonfim, no lançamento do Livro “Troia – Uma Viagem no Tempo”, de autoria de Grecianny Carvalho Cordeiro, na noite de 09.11.2012, no auditório da Procuradoria Geral de Justiça do Ceará)
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Do Mercado Velho à Igreja Senhor do Bonfim, tangidos por Raimundo
Ontem recebi a visita sempre sorridente do grande poeta Raimundo Cândido Teixeira Filho, meu amigo há muito mais do que apenas um par de dias. Conheço Raimundo de um tempo em que o mundo parava somente para apreciar a gente na doce beleza de brincar de ser menino – ele quase nunca crescendo nos banhos demorados da temível "goela" do Poti, eu esquecido de crescer nas correrias atrás de bilas e papagaios. Se algum dia trocamos duas ou três palavras não lembro, talvez não tivéssemos tempo. Talvez Raimundo fosse calado, talvez eu, inquieto. Talvez, porém, o mundo, àquele tempo, fosse um mundo grande demais e nós, embora vizinhos, nunca nos esbarramos. Talvez.
Quando voltei a encontrar Raimundo, anos e anos e anos depois, a vida já dera com a gente no chão um bom pedaço de vezes. Raimundo era então um curioso, um menino grande correndo as bodegas da cidade, bebendo-lhes todos os segredos, inclusive e especialmente os inventados. Eu, de minha parte, meio esquecido de crescer, aprendendo, quando muito, a ser besta. Tenho para mim, porém, que, ressalvadas as devidas diferenças, éramos eu e ele duas figuras!
Hoje eu sei que Raimundo é uma daquelas descobertas que fazemos uma vez na vida, coisa única, sem sobresselente. Em risco de extinção, devemos cuidá-lo como quem cuida de uma cacimba num ano de seca braba no esturricado sertão cearense, bebendo-o com parcimônia, devagarzinho, apreciando todo o seu poder de hidratar nosso querer bem.
Mas, como eu dizia no princípio, ontem Raimundo veio me visitar. Veio avexado, de passagem apenas, na correria de ir pegar o ônibus para nossa capital. Não é que o danado estará com suas obras expostas na X Bienal Internacional do Livro do Ceará! Para ser mais exato, no estande de número 121 da Associação Cearense dos Escritores. Nunca é demais lembrar que Raimundo é um feliz autor de três livros: [1] Karatis, [2] Raiz do poema: teorema pra nos tanger e outras esquisitices ao quadrado e [3] Crateús – do portão da feira aos galos das torres – este último o verdadeiro motivo de sua visita. Vejam só vocês, veio me deixar com antecedência sua mais nova obra, a ser lançada somente no dia 17 próximo. Arre! Me senti nem sei como!...
Mas isso é bem próprio do Raimundo: essas atenções. E pelo pouco que vislumbrei do livro – ao qual prometo retornar com mais vagar num futuro próximo e aqui discorrer sobre ele, se vocês me derem a oportunidade de fazê-lo – e pelo pouco que vislumbrei, eu dizia, Crateús inteira, todos aqueles que provarem das letras derramadas da obra de Raimundo, hão de concordar comigo que ele é um iluminado, prendendo em nossa memória – e mais! –, em nossos sentidos muito daquilo que nosso município tem e teve de melhor. No livro do Raimundo, não temo em dizê-lo, em cada folha sua, um pouco da alma de cada um de nós. Desafio qualquer um a lê-lo e a não se identificar, n'algum momento, com alguma coisa.
Não sei vocês, mas eu... vixe como eu gosto do Raimundo. Salve.
Lourival Veras
José Alberto de Souza disse...
João Silas Falcão
disse...
Lourival, bela
crônica. Justa homenagem ao Raimundo Cândido. Onte, sexta-feira, 9/11, o dito
personagem de sua crônica me deu o prazer de sua longa visita ao estande da
ACE. Conversamos. Conversamos. Rimos. Retornamos aos mergulhos do Rio Poty. Ele
autografou três exemplares do seu Grande Mundo de memórias nossas que é
Crathéus- do portão da feira ao galos da torres. Hoje, ele retornará ao mesmo
ambiente da nossa Associação e sei que mais dois exemplares o esperam para
autografos. R. Cãndido é um bom humano e outros adjetivos que eu o defino em meu
prefácio ao Crathéus... Parabéns pela bela crônica, Poeta.
Pois é, como
dizemos aqui no sul, o homenzinho é um "come-quieto". Eu até que
desconfiava mas juro que não sabia que ele já era autor de três livros. E, se
não fosse, já estava na hora dele botar o seu bloco na rua, para apresentar
essas alegorias maravilhosas da sua gente e de suas raízes... Crateus se
universaliza com seus escritos!
domingo, 4 de novembro de 2012
As 7 Noivas do Mozão
O trânsito é intenso naquela via, mas bem poucos se benzem ao passar pelo venerado e histórico arco, pois a preocupação com o dia-a-dia os torna indiferentes, num vivo clima de inquietação, em busca de sobrevivência.
A maioria são criadores de gado, ovelhas ou porcos que se desesperam atrás de comprar ração para que seus animais possam escapar desta impiedosa seca de 2012, a pior dos últimos trintas anos.
O comércio do saudoso Senhor Izauro Machado, um dos mais antigos daquele trecho, é do tempo em que cada prédio tinha uma avantajada Jiboia (cobra de veado) para dar conta das infestações de ratos. Hoje, os filhos Flávio e Antônio, continuaram a tanger o empreendimento, conservando os antigos fregueses aliado aos novos que vão chegando pelo bom atendimento e pelo clima de convivência cultural.
— Amigo Antônio, qual o preço da ração, hoje? Pergunta um Senhor com um elegante chapéu de massa e ares de fazendeiro.
— O milho está 46, o xerém e o resíduo 48 e a soja a 80. Aproveite que já vai subir de preço.
Mas há quem nada compre, sendo assíduo freguês das cadeiras de couro cru, dispostas como um convite a sentar-se e lorotar, falar dos políticos, da vida alheia ou contar uma mentira qualquer. Eu, vou só ouvir!
A palavra que sai da boca do povão é sempre espontânea, carregada de adjetivos, se elogia, enaltece mesmo, se fere, punge como um punhal amolado!
— É um tinhoso! Um bacorim enjeitado do cangote duro! Alguém chega reclamando de um negócio que não deu certo por aí.
— Que foi que fizeram com você, meu amigo? Pergunta Flávio Machado já em busca de novos dados para alguma saborosa crônica.
Às vezes, velhos conhecidos que há muito se foram em busca de melhores dias regressam, como ave de arribação, e proseiam sobre o que fizeram ou deixaram de fazer, mas sempre confessando suas doloridas saudades.
Quando não é o insensato Chico - entre outros tantos que já houve - pedindo uns trocados para comprar cigarros e que logo escapole da sugestão de trabalho, como o capeta foge da cruz, é o taxista Romualdo soltando uma canção melosa, e é ele mesmo quem faz a introdução da segunda voz, pedindo música: — Oh, Romualdo, canta mais uma aí!
— Não posso, não! Ele responde.
— E por quê?
— Porque não posso mais andar procurando ela... Entoa, em voz alta, um melodrama choroso que em pouco tempo atrai diversos curiosos para a porta do armazém.
Quem mais chama atenção nas assembleias bisbilhoteiras da Rua Dom Pedro II é o Mozão, um sessentão bonachão que dá a impressão de ter achado o segredo da felicidade, pois está sempre com um sorriso estampado no rosto. Ouvindo-o esquadrinhar a vida do povo, lembrei-me do Poeta Passarinho, Mário Quintana, que uma vez disse: “Não te abras com teu amigo, que ele um outro amigo tem. E o amigo do teu amigo possui amigos também...”
Mesmo sendo um caminhoneiro de alto gabarito profissional e tendo conduzido trens rumo ao calorento Piauí, tenho a impressão de que a sua verdadeira profissão é de repórter, pela curiosa tenacidade com que sabe da vida de deus e do mundo, incluindo os segredos das mulheres casadas.
Relata com detalhes como um criador espertalhão colocava o gado, já cansado e caduco, propositalmente na linha férrea para depois de atropelado retirar o quarto traseiro e ainda receber as indenizações da REFESA e num espirituoso gracejo conclui: — O “fulanim” era velhaco que só jumento da orelha branca, daqueles que não deixa a gente colocar nem o cabresto!
Conta-nos da situação dos ricos da cidade que só saem para rua à noite, com medo dos credores, diz que alguns até almoçam escondido para não ter que pagar refeição para os coitados dos empregados. Peremptoriamente afirma: — Eu não tapo o sol com peneira, não! Pode ser meu pai, prestou, prestou! Não prestou, não Prestou! Sei de fazendeiros por aqui que só tem os filhos doutores por causa do leite com água! E tem gente boa que só paga as contas com intrigas, afirma ele.
Não sei por que, mas nestas horas lembro-me do velho sábio Freud: “Quando Pedro me fala de Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo”. Mesmo ciente que o homem é dono do que cala e escravo do que fala, contínuo sorrindo e me divertindo com as histórias do Mozão.
Alguém atenta para o vivo olhar do aposentado maquinista, que acompanha com saudade os passos de uma jovem que passa rápido pelo portão do armazém e pergunta:
— Mozão e as noivas? Conta aí!
Ele ri, mas destrinça lentamente a inusitada história.
— Eram sete noivas, todas com alianças no dedo, e entre elas havia cinco campesinas Marias. A bicicleta tinha um dínamo colado no pneu que acendia um farol para iluminar as veredas do caminho. Eu, com a cabeleira luzindo de brilhantina, partia do Barro Vermelho até a casa da primeira candidata a casamento, que impaciente esperava com os cabelos que nem mijada de mocó com tanto óleo de mamona que escorria no cangote, passava um tempinho por lá.
Aquele era o tempo dos réis, quando palavra dita valia mais que papel assinado. Os pais das noivas iam logo ameaçando: — Oh, se bulir, eu capo! Hoje, é um enroscado de novela, que se o cabra namorar mais de sete dias ou ele mexe com a moça ou a moça mexe com ele!
Quando me despedia da casa da primeira noiva, ela subia num pé de ata para observar que rumo eu tomava, mas eu não era besta, apagava a lanterna da bicicleta e seguia danado para cortejar a segunda, depois namorar a terceira...
Mas sabemos que isso é coisa bíblica, vejam Abraão, Jacó, Davi e Salomão tinham várias mulheres. Só o sábio Salomão chegou a ter 700 esposas e 300 concubinas e o sertanejo alencarino, cabra-da-peste virado numa girita, não fica muito atrás, não! O senhor Franciné de Pacajus, com 77 anos é conhecido como homem de ferro do sertão, tem três mulheres e 51 filhos sustentando a todos sem a grande riqueza dos velhos profetas.
Mozão nos confirma que cada uma das mulheres sabia da existência das outras e que todas tinham a absoluta certeza que seria a preferida, por isso nunca deu desavença. Confusão grande foi receber de volta as alianças das outras seis, quando ele escolheu uma das Marias para digníssima esposa. Mesmo assim, o galanteador Mozão um dia trocou a eleita Maria, custosamente escolhida entre as sete noivas, por uma nova esposa e afirma disparatadamente que voltou 500 reais pela permuta... Eita, Mozão feroz!
Um dia, na terra do frevo e de lampião, um cidadão confundiu o amigo Flávio com o seu querido Secretário de Cultura, e não me surpreendo mais não, porque hoje sei a razão: alguns felizardos atraem espontaneamente cultura assim como o metal é seduzido pelo imã, e se duvidar é só passar um tempinho no armazém do Seu saudoso Izauro! Oh, Cratheús...
Raimundo Cândido
José Albertto de Souza disse...
José Albertto de Souza disse...
Aqui no Sul, o nosso Érico se orgulhava da
sua condição de contador de histórias, E você, caro Raimundo, que “só vai ouvir
nas assembléias bisbilhoteiras da Rua Dom Pedro II”, é bem um guardião desta
rica oralidade (assim sem “m” antes), “da palavra espontânea que sai da boca do
povão”... Preservando-a para a posteridade.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
A MOLDURA
A parede da casa sustenta a moldura com uma senhora remota de cabelo em coque. Na sala ampla e envelhecida inexistem retratos do que seriam de uma família numerosa. Numa manhã, a senhora remota cedeu o espaço da moldura para sua tia, falecida no inicio do século XIX. E todas as manhãs, membros da família numerosa se revezam minutos de permanência dentro da moldura.
Do livro O colecionador de dedos
Silas Falcão
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Ofertório
Eis o que ponho no altar!
O limo amontoado
em meus olhos,
eclipsando
a íris d’alma
nas lides do dia.
Eis o que eu ponho no altar!
A indisposição
ao impreciso porvir,
uma inapetência
à fecunda oferenda
de vida e salvação.
Eis o que ponho no altar!
Os ossos enfastiados
intentando transmutar,
pouco a pouco,
vagas convicções
em mero ato de fé.
sábado, 27 de outubro de 2012
Compromisso e sabedoria.
Rosa Ferreira de Moraes, neste outubro chega aos 99 anos de
idade. Dista apenas 12 meses para ser centenária. Nasceu quando Crateus dava os
seus primeiros vagidos. Era uma cidade que nem a aurora alcançara. O Trem ainda
amaciava os trilhos por onde deslizaria aventuras e façanhas. Francisco, seu
irmão menor balbuciava suas primeiras palavras. A Professora Rosa chegou como
surgem as rosas, orvalhada de ternura, com um céu brando de paz. E no horizonte
se descortinava uma luminosa aurora de talentos. Rosa veio ao mundo quando as
estrelas se arrumavam nos céus. E quando os mesmos céus divinos se vestiam de
beleza e formosura. E já era verão. Mas o sol bramia em raios doces, amaciado
com uma brisa que balançava a cambraia sagrada da vida. Como se fosse uma
bandeira tremulando pela paz. Como se Deus, neste bródio maravilhoso, retomasse
o seu cinzel e completasse com o seu olhar piedoso a sua fantástica obra
criadora. Assim iniciou sua invejável empreitada a nossa querida Rosa. Nascia
no ninho amoroso de Dona Conceição e do Sr. Zuquinha, a filha predileta de
Deus. O salmo reza que a graça de Deus transborda por toda a terra. Rosa é
fruto da inundação desta graça em todos nós que a admiramos e a amamos. Ela é
este moto continuo de esperança e de
serviço em prol de tantos. De uma inquietação missionaria. De uma predica
convincente. Tornou-se a Teologia do Serviço. Serva servidora. Simples e
silenciosa. Sem alarde. Sem trombetas e sem fanfarras. Produtora do leite bom
da humanidade. Despida da ingerência desviarada da vaidade. Foi dia a dia
construindo esta sua fantástica caminhada. Consistente e sabia. Trabalho
profícuo e talentoso. Com os seus pinceis pintou os quadros da vida, retocou os
dramas do povo, com a tintura de sua alma maravilhosa. Hoje esta casa
histórica, altar sagrado da nossa infância, deixa que os turíbulos se incendeiem
com os grãos de incenso do saber, com o perfume da dedicação e com a luz da
ciência. Um obrigado a Deus pela vida de uma pessoa tão maravilhosa. Que hoje
mesmo com a tocha de Diógenes não se encontra pessoa de sua estirpe
facilmente. Ela é a instituição histórica mais valiosa de nossa terra. A
conduzimos nos andores dos nossos corações. Como um sacrário repleto de
tesouros. Como um cibório santo que agasalha as virtudes divinas do
compromisso. Da inquietação libertadora da promoção humana. Ambula que alberga os
procederes de uma vida irretocável de cidadã a serviço do mundo. A, serviço da historia.
A serviço da educação. A serviço da Pátria. A serviço de Deus. A serviço de
todos nós. Parabéns Professora Rosa.
Fortaleza, outubro de 2012
Jose maria bonfim de Moraes, da Academia Americana de
Cardiologia.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
sem título
o que é esse papel em branco onde sangro meus dias, onde lanço todos os meus sonhos e frustrações? pobre papel tem que aguentar tudo, porque tudo lhe cabe e lhe cai bem, até quando pega mal. eu escrevo porque não aguento carregar tudo sozinha e o papel branco e em branco, tão diferente da minha pele de cor negra e cheia de veias e pelos, divide comigo esta sobrecarga que me deixa de quatro ou me levanta. ah, o que estou dizendo, se escrever é uma dor de barriga, é um pouso forçado, é um quarto escuro e desacompanhado. escrever é um parto aos sete meses, é um aborto aos três. escrever é uma cólica menstrual, é um amor dividido, é um tênis velho, é o cabelo que insiste em cair nos olhos, é um cheiro de perfume antigo, é uma foto feia escondida, é o lençol rasgado, é a calcinha desbotada. escrever é cangalha sem azeia, é cavalo sem arreio, é rio sem sol. escrever é uma lágrima entalada na garganta, é uma chuvarada em dia de festa, é sal na ferida. escrever é uma dor fina de transa sem gozo, de partida sem abraço. pra mim escrever é sair em busca de precipícios, é se jogar sob um carro, é cair nua no asfalto quente. e ainda tem mais, escrever é deitar com porcos, é passear com os vira-latas, é voar com as andorinhas. escrevo porque canso de mim mesma, porque preciso que o mundo me caiba, porque não suporto um dia inteiro de realidade.
Karla Gomes
Elias de França disse...
É equilibrar-se no fio da navalha, escandalizar-se da propria solidão, desentulhar os prantos num papel branco e em branco... é tanta coisa e quase nada, talvez, somento o jeito de não suportar, ja suportando, uma vida inteira de realidade.
Emocionante!
Elias de França disse...
É equilibrar-se no fio da navalha, escandalizar-se da propria solidão, desentulhar os prantos num papel branco e em branco... é tanta coisa e quase nada, talvez, somento o jeito de não suportar, ja suportando, uma vida inteira de realidade.
Emocionante!
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Prosa
Prosa
(Do
crateuense FRANCISCO PASCOAL PINTO, O Chico Pascoal, que nasceu no distrito
de Ibiapaba, poeta, cronista
premiadíssimo que trabalha na área das telecomunicações e residente atualmente
em São Paulo, )
Quando
criança, no sertão de Crateús, eu costumava passar férias escolares na casa das
minhas avós, em Ibiapaba, um vilarejo próximo. De vez em quando aquelas
velhinhas largavam seus afazeres, trancávamos a casa a tramela para os animais
domésticos não entrarem (naquele tempo podia-se dormir de porta aberta sem
preocupações) e saíamos para fazer visitas. Os vizinhos, eram todos compadres,
comadres.
Nessas incursões minhas queridas avós Dona Ângela (Dona Anja, como a chamavam) e Dona Maria Pinto sabiam como amortecer aminha impaciência infantil:
"É só uma prosa com a comadre de Soiza. Não vamos nos demorar. Toma o café e fica quieto!"
"Que cousa, menino? É o tempo de um dedinho de prosa com o compadre Chagas Cardoso. Coma uma broa e sossega!"
Prosa. Creio que foi a partir dali que passei a prestar a mais atenção naquela palavra tão presente na conversas dos mais velhos. E comecei a me dar conta de que o que aquela gente agreste, brava, inculta e bela praticava, o proseio do dia-a-dia, do fim de tarde, a prosopopeia, pasmem, era poesia pura.
Nessas incursões minhas queridas avós Dona Ângela (Dona Anja, como a chamavam) e Dona Maria Pinto sabiam como amortecer aminha impaciência infantil:
"É só uma prosa com a comadre de Soiza. Não vamos nos demorar. Toma o café e fica quieto!"
"Que cousa, menino? É o tempo de um dedinho de prosa com o compadre Chagas Cardoso. Coma uma broa e sossega!"
Prosa. Creio que foi a partir dali que passei a prestar a mais atenção naquela palavra tão presente na conversas dos mais velhos. E comecei a me dar conta de que o que aquela gente agreste, brava, inculta e bela praticava, o proseio do dia-a-dia, do fim de tarde, a prosopopeia, pasmem, era poesia pura.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
PREFEITURA
MUNICIPAL DE FORTALEZA\SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DIVULGA RELAÇÃO DE
OBRAS PREMIADAS
Ficção
Nome Obra
Aristides Junho da Silva Adaptando-se a
darwin
Paulo de Tarso Razoni Cáctus
João Silas Falcão Soares O colecionador de dedos
Fco Bernivaldo Carneiro Só sei que foi assim
Max Roges Franco Pompílio Palavras amargas
Daniele Barbosa Bezerra Os doze contos de solidão
Carlos Roberto N. Vazconcelos A insõnia do morto
Eugênio Leandro Costa A carta de clarita
Clara Lêda da A. Ferreira A vidente da casa de pedra
Luiz Haroldo Cavalcante Serra Quintal do inferno
Manoel Osdemi da Silva Pancada de vento
Rogeane de Oliveira Moreira Augusto
Stélio Torquato Lima Infâncias
íntimas
Poesia
Janio César M. Filho Três pontos
Caio Castelo Benevides Nuvens- poemas
visuais
Maria Izaira S. Moraes Florindo cismas
e sismos
Raimundo N. de Oliveira As cores da cidade
Joemy Lopes Palhano Dezembro
Verônica de Oliveira Alves Palavras
nuas
Fabiana Rocha Guimarães Os sertões de mim
José Teles da Silva A silhueta das
areias
Paulo de Freitas Lima Girassóis
Deyvesson santos de lima O caso Sísifo
Crônicas
Raimundo N. A. Silveira Medicina crônica
Marília Ribeiro Lovatel A máquina de escrever
Crítica
Wsclei Ribeiro Cunha Um
desvelamento
Maíra Magalhães Bosi Memórias em movimento
Arlene de H. N. Maia A fonte da donzela
Sarah Maria Forte Diogo Homens do sertão
Juliana M. Girão Carvalho Entre puras e putas
Raimundo Candido disse:
Parabéns Poeta Silas, seus mini-contos estão mostrando o valor de sua composição sucinta, concisa e carregados de significados, enebriam como os pequenos frascos que embriagam a nossa mente.
Parabéns Poeta Silas, seus mini-contos estão mostrando o valor de sua composição sucinta, concisa e carregados de significados, enebriam como os pequenos frascos que embriagam a nossa mente.
domingo, 30 de setembro de 2012
Chico Pascoal
O crateuense Chico Pascoal, nascido na Ibiapaba, poeta, cronista
premiadíssimo que trabalha na área das telecomunicações residente atualmente em
São Paulo, ganha mais um Concurso Literário. Desta vez foi o Prêmio Henry
Evaristo de Literatura Fantástica que será publicado num ebook digital, com
todos os 10 contos classificados, veja a relação
abaixo:
1º - Profanadores -Chico Pascoal
2º - Anátema -Rafael
Peres
3º - O Passado volta -Verônica
S. Freitas
4º - O Caminho de volta –André
Soares Silva
5º - Almas Mortas -Sofia
Geboorte
6º - Entre amigas -Eni
Allgayer
7º - O Diabo mora nesta casa -Jorge
E. Machado
8º - Manequim -Reginaldo
Costa de Albuquerque
9º - Lágrimas de criança -Pedro
Viana
10º - Caminhos Perigosos -Hélio
Sena
terça-feira, 18 de setembro de 2012
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Encontro Cessi balançando seus poucos pensamentos. “Cessi, como vai a senhora?” De dentro da rede os seus olhos antigos me contemplam tristemente: “Vou aqui sofrendo este resto de vida, meu filho”. Afetei carinhos a Madrinha Cessi, festejando os conselhos que ela me deu quando eu era menino.
Silas Falcão
terça-feira, 11 de setembro de 2012
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Vaqueiros e Currais
O vento da madrugada traz um princípio
de luminosa plenitude que será preenchida com afazeres imprescindíveis do dia,
a começar pelo canto do galo, o chilrear dos pássaros, o coachar dos sapos e o
latido dos cães que acompanham os denotados vaqueiros em reflexos imutáveis de
uma eterna marcha rumo ao currais.
A vida
sertaneja sempre traspôs as tramelas das velhas porteiras langorosas, tangida
pelo ecoar dos aboios e pelo mugido do gado difundido no ar. O forte aroma de
estrume é o perfume que assinala as fazendas de gado, onde um denotado homem foi
se arraigando no rude solo de um arrebatado agreste, desfrutando as horas generosamente
paternas ou instantes impiedosamente insensíveis de um tempo padrasto.
Sempre que vejo a peleja diária destes
“Antigos Guerreiros Exaustos da Refrega” como os intitulava Euclides da Cunha,
no livro Os Sertões, declamo no pensamento um trecho do verso decassílabo do
repentista pernambucano Dimas Batista, ao cantar um belo galope à beira-mar,
obsequiando os vaqueiros “... é no braço, é na mão, é na carne, é no osso, / é
no osso, é na carne, é na mão, é no braço. / É o vaqueiro, é o boi, é a corda,
é o laço, / quando ele persegue e sabe laçar...”.
Tenho uma autentica e sanguínea admiração
pela lida de gado. Não à inquietação monetária dos ricos fazendeiros, impassíveis
às agruras diárias dos animais e do homem, mas ao heróico condutor de um processo
histórico chamado Civilização do Couro, relatado por um historiador cearense, o
mordaz Capistrano de Abreu.
Numa das mais antigas propriedades
rural dos Sertões de Crateús, a fazenda Boa Vista (época da Vila Príncipe
Imperial), quando a criação de gado era feita na forma mais primitiva, com os
animais livres, rodeando sem cercas, soltos na imensidão de uma caatinga, o vaqueiro
e vate maior crateuense cantou um valente boi num belíssimo épico bucólico, um
poemeto romanceado ao cachaçudo Touro Fusco, preso num curral de pau-a-pique
feito a troncos de aroeiras: “Em tanto, o touro-fusco, escavacando, / A lama para os lados espargia, /
Tão intensa que, a tudo enlameando, / De lama tudo em roda ele cobria; / E,
gemendo e a cabeça maneando, / Contra os fortes mourões, arremetia, / E os robustos mourões, estremecendo, / Às
cornadas do touro iam cedendo.” O intrépido vaqueiro, além de incansável trabalhador, é um homem que crê. Crê, ao seu jeito, na vida simples que leva, isolando-se, desconfiando de uma nova vida, pois vaqueiro nunca muda de hábito. Crê nos duendes, crê nas rezadeiras que combatem o mal olhado, debelam a coisa feita e até curam as bicheiras dos animais, infestadas de repulsivas moscas.
Na fazenda Pereiros, há um vaqueiro que, pelas feições sempre serena, não demonstra o titã aguerrido no trabalho incansável dentro de um coração valente e enrijecido na labuta diária com o gado. O senhor Manoel Joaninha chama todas as vacas leiteiras pelo nome – já ordenhara quase todas – a última é a valente mimosinha, com os chifres laçados no cambão, as patas traseiras peadas e o forte bezerro colado na pata dianteira se contorcendo na laçada, louco para mamar.
A pressa em terminar a ordenha bem cedo se justifica: levará o gado solteiro para escapar do pesado verão no clima agradável da Serra. Uma caminhada longa e difícil de subir, passando pelas veredas íngremes do Buritizinho até chegar ao aprazível São Luis, onde já começaram as agitações alegres das farinhadas, que faz seu Manoel se lembrar do baião de Luiz Gonzaga: ”Tava na peneira eu tava peneirando / Eu tava num namoro eu tava namorando. / Na farinhada lá da Serra do Teixeira / Namorei uma cabôca nunca vi tão feiticeira”.
Admiração maior é ver na dura labuta, a tanger os animais brutos, uma sensível e feminina mulher. A preta Ernestina já nasceu respirando os currais e tornou-se a vaqueira destemida e preferida do Senhor Euclides Maravilha. Tangia dezenas de gado, a pé, só com um cacetete na mão, desde as margens norte do Rio Poti até os aprazíveis climas dos Tucuns. Como Diadorim, filho(a) de Zeca Ramiro, no agreste de Guimarães, a Preta Ernestina foi a heroína de nossos sertões.
O Senhor Manoel Pereira Alves , o Joaninha é só por insistência de família materna, estava sempre com um par esporas nos pés e chibata de couro nas mãos como a dizer, se não estou montado em minha burra baia agora, a qualquer momento posso estar, deixou a arte de guiar uma boiada com o canto monótono e triste de um aboio para todos os seus filhos que conferiram as honras de vaqueiro, como uma grande herança.
E a todos os intrépidos vaqueiros, desde o pernambucano Raimundo Jacó, assassinado por um companheiro, até à heróica Família dos Joaninhas, trajando gibão, peitoral, perneiras, luvas, esporas, chapéu e chibata na mão, que para arrebanhar uma rês desgarrada, enfrentam os maiores perigos, um poeta menor cantou assim uma pega de boi na caatinga: Flecham-se! / Estica-se na sela / feito um guerreiro medieval. / Uma trincheira de juremas pretas / é um estorvo traiçoeiro e cruel! / Sombras e réstias de luz mesclam-se / na inextricável mata de espinhos acesos. / Arrematam-se pelo sem fim da caatinga / insensível, a tanto heroísmo, a tanta destreza!
José Alberto de Souza disse...
Observador arguto das lides sertanejas,
Nada escapa ao cronista atento
Desde a dureza da vida do vaqueano
Até o conformismo dessa alimária.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
TRÊS GÊNIOS DO NORDESTE
HOMENAGEM A
NELSON RODRIGUES, JORGE AMADO E LUIZ GONZAGA
Dideus Sales
Nelson Rodrigues, cronista,
Dramaturgo iluminado;O genial Jorge Amado,
Fulgurante romancista;
Luiz Gonzaga, um artista
Da sanfona e da canção,
Três notáveis na invenção,
Três gigantes, três arcanos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson Jorge e Gonzagão.
Amado, de Itabuna,
Do Exu, o rei Luiz,
Nelson deixou seu matiz
Na robusta produção.
Os três com certeza não
São sagrados nem profanos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.
Três cetros, três estandartes
Três estros além da média
Nelson deu alma à comédia,
Luiz criou o baião,
Jorge leu com emoção
Os sentimentos baianos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.
Três sonhadores poetas
Três autênticos brasileiros
Três mágicos, três feiticeiros
Três luzes na amplidão
Três sementes de emoção
Lançadas em solos planos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.
Três enigmas, três mistérios
Três boêmios, três aedos
Três decifráveis segredos
Três bombas numa explosão
Três invernos no sertão
Três destinos, três ciganos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.
Três caminheiros, três magos
Três vencedores medonhos
Três estafetas risonhos
Três aves de arribação
Três faróis na escuridão
Três naus em três oceanos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.
Três jazidas, três torrentes
Três lentes, três paladinos
Três artistas genuínos
Três monstros da criação
Três mundos de inspiração
Três deuses, três soberanos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.
Nelson Rodrigues um crítico
Controverso e muito astuto;
Luiz Gonzaga um matuto
De apurada aptidão,
Os três legaram à nação
Feitos quase sobre-humanos.
Três gênios fazem cem anos
Nelson, Jorge e Gonzagão.
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