sábado, 31 de dezembro de 2011


Juízo Final

Não chores!
É verdade.
Chegamos ao extremo
supremo das eras!
Há 14 bilhões de anos
que a poeira se assenta
e, inevitavelmente,
fecharemos para balanço!
Um estranho alinhamento astral será o sinal,
o sul engolindo o norte num gelo antártico,
banhará meu sertão em ondas de mar,
feito os primitivos oceanos que se exaurem!
Desse Armagedon,
ou Apocalipse, como queiram,
se procriará um novo e geológico mapa,
num quadro sinóptico de Juízo final.
E confirmaremos Nostradamus arcaico,
 até os arqueológicos Maias,
antes que o ultimo grão de poeira caia!

Raimundo Candido

Hoje você me vaticinou
Isto que está acontecendo
Em nosso pobre planeta
Rumo a miseráveis desditas,
O mar invadindo a terra
Fazendo estragos incalculáveis,
A clamar desesperado socorro
Nossa natureza maltratada,
Toda devastação impune
Em que o desatino impera!!!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Os poemas? Benditos: não envelhecem!

Dizem que algumas coisas não envelhecem:
o amor, os sonhos, os poemas... Benditos sejam!
Ha 11 anos, carrego nas costas um poema
que nascia com o novo milênio
tão menino, tão franzino, tão magrelo...
já nascera, porem, menino-velho!
Daí, só renova, so engorda, só encharca...
está obeso e vive a me escambichar.
Não vou mais chamá-lo de poema,
para ver se me livro dele,
maldito ditado
que transcrevo abaixo:

VELHOS TEMPOS DO FUTURO

Elias de França

Amanhece, e eu de novo à janela.
O céu continua azul;
o sol, deslumbrante, ilustra o nascente;
o mundo tem nova data marcada para acabar: segundo os Maias, 2012; e conforme Juscelino Nobrega da Luz, 27 de outubro de 2013.

Passam os bêbados de volta da noitada,
patinando na lama dos esgotos da rua,
tropeçando em latas de cerveja, copos plásticos,
aspirando poeira, vômito, enxofre...
detritos do homem descartável
em festa de reveillon.

Ainda sobre a calçada,
toda a vizinhança em sacos de lixo
de um ontem tão distante...

Zé Porfírio ainda vive, servindo raro leite, na sua velha carrocinha -
mas já não lhe sou freguês:
hoje bebo pó sintético de cereal transgênico,
dada a intolerância à lactose;
o jegue Stalone não teve a mesma sorte: foi atropelado por um caminhão,
não sem antes ter matado minha muda de palmeira,
e em seu lugar plantei um pé de Nim Indiano.
Totó-da-Bodega faliu!
Aí escapuliu, se aposentou e mudou-se para a capital.
Agora passo o cartão no supermercado da cidade,
E sigo pendurando faturas aos fins dos meses...
A casa vizinha virou uma lan house, um cyber sem café, sei lá o que mais...
os sons sintetizados de supercarros de formula 1, nos games,
redundam em meus tímpanos...
Morro de saudades daquele cheiro de CO2 colorido de cinzas, que enevoava toda a rua – Não desse gás catalisado, incolor, insípido e inodoro,
que todos devoram sem tapar o nariz
e nos dilacera oculto os brônquios -
e do barulho cansado da velha Brasília vermelha,
há dez anos vendida no quilo para o ferro-velho...
A banda militar, ao longe, estranhamente,
ainda toca os velhos refrões,
ensaia as “antigas lições”,
de coturnos em teimosia com o asfalto,
enquanto jovens praças
rondam minha rua em modernas volantes.
Vez em quando, tais coturnos se divertem chutando-pisando estudantes e professores, nos campus ou na casa do povo...

Não há robô algum a recolher dejetos,
nem naus espaciais zanzando em meu beco.
Nem mesmo o carro-pipa que abastecia os baldes nos socorre,
pois se encontra no prego no quilômetro 15 da rodovia,
com o diferencial quebrado
e não se fabricam mais peças para sua manutenção...
Aí bebo água tônica comprada a preço de prata
e me banho no canal,
que um dia já foi um rio com nome indígena,
cuja pronúncia me foge à memória...

É 2012, como se fosse ontem...
um ontem tão distante
que insiste em não desaparecer,
com todos os seus resquícios
da “parte rudimentar” da história humana...

É 2012, igualzinho ao ontem,
o ontem tão distante
que não desapareceu,
com sua pobreza, seus males e fracassos...
É 2012, o mesmo que ontem,
que tanto mais mude, tanto mais cresça, tanto mais se modernize,
tão mais velho fica o ontem,
assim tão distante e tão presente.
E eu que tanto já ralhei, gritei, indignei...
continuo a ter amigdalite na garganta operada;
tempero de veneno o repolho, prevenindo a teníase;
respiro caltin para não morrer de dengue;
tomo resignado meus coquetéis de pílulas diários,
um para cada mal,
e tomaria até a vacina contra a gripe suína, se houvesse, ao menos, uma dose disponível...

e vou ao templo todos os dias
louvar ao criador
pela graça de ver a aurora do novo ano,
que me nasce à minha imagem:
enrugado, esclerosado, demente, insano...

Epitácio Macário disse...




Eu conheço bem esse poema, que está mais encorpado porque mais real. E conheço não apenas de oitiva, mas de vida mesmo. Pois sou um dos que privou da companhia cotidiana deste "velho poeta" por alguns anos, na primeira juventude. Já o citei em crônica intitulada "presente de natal", não por protocolo, senão porque sua mensagem se impunha.

Raimundo Candido disse:

Existem os poemas tradicionais, os poemas livres, os poemas sujos, os poemas práxis, os poemas concretos, os poemas experimentais; são tantos, que é bem difícil a gente enumerar todos. Li agora mesmo, para minha surpresa, um poema caramujo! Uma concha que foi se formando nas costas de um menino magricelo até se compor nesse caracol poético que nos brinda com uma aurora de um ano  novo... Feliz 2012, poeta, profeta Elias!

Há pouco li que perguntaram numa competição estudantil do antigo rádio - em que século foi descoberto o Brasil XV ou XVI - o que deu uma polêmica danada, acabando por encerrar o programa. A mesma coisa aconteceu em 1º. de janeiro de 2000 quando toda a midia saudava um terceiro milênio que ainda era segundo. Porém, me permitirei fazer um exercício numerológico - que se repare a mudança na "quilometragem", de 1999 para 2000 não restou qualquer dos passados algarismos. Será que esse fato não teria influido de alguma forma em nossas percepções extra-sensoriais? Afinal o que nos afetou ao ingressarmos no "buraco negro" desse fantástico limiar?

Elias de França Disse...
Alberto, você levanta uma questão muito relevante... Como todo mundo eu pensava que o novo milenio começava em 2000. Esse poema, de fato nasceu em 1999, e o ano que repetia era 2000 (que diziam que nele o mundo ia se acabar, uns, enquantos outros que íamos atingir o triunfo tecnico-espacial). De fato, sua metáfora (um buraco negro) é muito oportuna. Em todos os aspectos - meio ambiente, economia, relações sociais, sentidos subjetivos, estruturas urbanas... tudo parece um caos, um buraco negro. Ou então somos nós que estamos em colapso sensorial e nao conseguimos interpretar as coisas com lucidez. Grande abraço!

terça-feira, 20 de dezembro de 2011


                                                                 A CAMINHADA


Sou um admirador exaltado das caminhadas e ciente de seus numerosos benefícios: espantar a preguiça, diminuir o mau colesterol para uma boa disposição de vida, como anunciam alguns experts em saúde. Cheguei a inventar trilhas pelas ruas da cidade e muitas vezes segui reto na velha Central (BR 404), rumo à aldeia em que reinou um duende chamado Bastiãozinho, o legitimo Poeta do Curral Velho. Pedras no meio do caminho obrigaram-me a parar. Havia esquecido um parágrafo na introdução do livro Karatis, escrito por mim, imaginem, onde ouso dizer que nosso caminhar não pára, mesmo sem os fatigados pés em poentas estradas que nos prepara a vida, na luz do dia ou em trilhas escuras, que impõem medo à peregrina alma.
          Encho-me de coragem e retomo a velha caminhada, meditativamente só, sem solidão...  Com solitude, fazendo com que me sinta mais próximo de mim mesmo. Precisei, apenas, insinuar o primeiro passo.
          Como ponto de partida escolho a Vila Esperança, no final do Bairro São José, que tem como soleira a velha e fatigada Ponte Preta. Esperança, o último aglomerado urbano do lado oeste da cidade, tímido e calado, mostra-me um olhar de desespero frente à dura sobrevivência. Como profere Shakespeare: “Os miseráveis não têm outro remédio a não ser a esperança”.
            Os Velhos poetas sempre me põem a pensar, e nada melhor para manter a mente ativa, enquanto se caminha.  Logo me chega outro desses sábios, chamado Vitor Hugo, que arremata: “ A esperança seria a maior das forças humanas se não fosse o desespero”.  Tenho a ligeira impressão de que, caminhar e remoer escritores de outras eras, confunde a mente da gente e tento reestruturar a desordem no pensar com mais um arcaico vaticínio, escolhendo Sêneca, o Moço, que assevera: “Só não alimentarás mais o desespero quando não tiveres mais esperanças”.
           Mergulho num profundo sobressalto... Putz!!! O que será da singela vilazinha da Esperança?
          Meus pés se despedem apressadamente da prometedora vila e transponho a centenária linha férrea para pisar no chão em que outrora trilhou o profeta Vidal de Frascarolo, capuchinho do Convento da Penha no Recife. Peregrinou pelos sertões do Ceará, antes do serpentear de trilhos, exercendo uma grande autoridade no espírito popular, como lembra Luis Câmara Cascudo, a nos relatar uma de suas famosas vidências: “Intentos grandes haverão, porém, na era de 189..., antes ou depois, verás coisas mil, no mês mais vizinho de abril”. Deu nome a esta larga Avenida (Regina Viarum) traspassada em toda sua extensão por padres, santos e coronéis, mas que em mim ainda palpita e acelera meu sangue queimando mórbidas calorias. Passo ao lado de uma réplica do cruzeiro em que Frei Vidal enfincava como marca de sua passagem. Mais adiante avisto a lúbrica bodega do Valmir, o último reduto dos etilistas da cidade que, ávidos, esperam acorrentados e sem livre arbítrio, desde os primeiros raios solares. Algo me impele a passar rápido. Na próxima esquina volto a sentir o cheiro de couro curtido no ar que se irradiava da bucólica bodega de Seu Raimundo Cândido, um dos comerciantes mais honestos que o mundo já viu.
             Num piscar, passo pela Fábrica de Sonhos, o Externato, e meu coração se aperta como a querer regar o leito seco do sazonal Poti. É dolorosa essa lembrança, é intolerável essa dor de que, até recentemente, só ouvira falar. Pesaroso, sigo em frente. A Praça do Barrocão se descortina, muito diferente daquela que outrora dava guarida as rodas gigantes e aos hilariantes palhaços de memoráveis circos. A Rua Frei Vidal finda (inicia) exatamente no cruzamento com a Padre Macedo, a única rua com ardência de pimenta e que somente Seu Ferreirinha sabe o porquê, e que, segundo o dramaturgo e poeta Lourival Veras é o maior memorialista de nossa história.  Alegre diviso as Torres da Matriz, onde dois vigilantes galos recentemente batizados (Macedo e Bonfim) olham-me a advertir, pedindo que passe e bem rápido, tenho a impressão que estão ressentidos com alguma coisa.
             Sigo em passo cadenciado, numa marcha puxada pela Rua Firmino Rosa, o velho professor que veio de Teresina ensinar na distante Villa Príncipe Imperial. Vejo uma antiga fachada, como uma pétala caída, que incita um mnemônico álbum de fotografia: Toty, Magy, Dona Rosa Morais, Monsenhor Bonfim, de um velho Pio XII que ainda se conserva numa relativa aparência de felicidade.
            As forças parecem minguar nas minhas cinquentenárias pernas, é o excesso de peso, lembrando-me que preciso de um sério regime, de uma firme dieta, sem sal, sem doce e sem gorduras, o preço que se paga por uma vida de atleta, ou pelo velho sonho de ficar velho sem envelhecer, correndo atrás de uma ilusória juventude.   
            Enxergo um Centenário prédio que anuncia o nome Cratheús num oitão nascente e fico atento ao apito do trem que ainda se descortina na velha ponte de ferro, trazendo em seus vapores de óleo, exalado em fumo, o arremate para uma longa espera que se impacienta sobre a marquise da estação.
           Ultrapasso novamente a linha férrea e sigo apressado pela Av. Sto. Hermínio, um herói(?) de guerra em tempos de paz, cujo irmão caçula, um dia, barbaramente tirou a vida do   pai do Professor, Cronista, Contista e Orador Juarez Leitão que, como grande Poeta, retratou a cena daquela tragédia: “E me lembro de ti, / cavaleiro de fêmeas e de anseios,/ nas noites e nos dias da saudade / que me guardam menino espantado. / O espanto / de teus olhos me agarrando com súplica / e acenando molhados, / Na garganta o grito ensangüentado,/ no corpo /  as janelas da tragédia / escancaradas para / soltar a vida. /  E tua vida era rubra./  Eu vi.” Recordo-me de uma apropriada frase que diz que a vida é uma tragédia sombria entre dois infinitos sonos.
            Caminho um pouco mais e tenho a impressão de ver o Sr. Otávio Portela, todo de branco, atendendo alguns militares e funcionários uniformizados que esperam o ônibus do Caxitoré, rumo ao 4º Bec. Ele coloca rapidamente mais uma garrafa de café quente sobre o balcão e avisa: O café aqui, é a jato! Não é por acaso que tem a alcunha de Frei Ajato. 
             Continuo mesmo ofegante, sentindo o esforço, pensando em desistir da longa empreitada e contorno um compasso-esquadro com um G centralizado, símbolo de justa medida e de retidão maçônica em frente a uma insensível estátua de um soldado sempre de prontidão e me lembrar o poeta Manoel Bandeira: ” Não quero amar, não quero ser amado.Não quero combater, não quero ser soldado” .  Agora percorro vagarosamente a BR 404 que vai direto para a Pedra 70 de onde se tem, a tardinha, uma esplendorosa visão de um belo pôr-do-sol, que se esmorece lentamente, por trás da Serra da Ibiapaba.  
            Percorro a BR 404 e na altura da Associação Atlética do Banco do Brasil contemplo a Rua Edmundo Pinto, o exemplo de cidadão íntegro, caridoso,trabalhador  e dono da saudosa Sapataria União, mantendo ao lado uma fábrica com 30 funcionários que eram também seus compadres.  Sigo o longo estirão que me conduz ao trevo de contorno para Curral Velho após a ponte sobre o Riacho do Tourão que, como um bovídeo aquoso se avoluma pelo sertão, mostrando um temperamento bravio, até desaguar no sequioso Poti.
           Admiro a sequência de suntuosos motéis pela pista que contornam o lado leste da cidade: Manhatan, Vips, Plaza, Charme Motel, para os momentos poéticos dos nossos concidadãos. Se não fôssemos humanos, demasiadamente humanos, seriamos libidinosamente coelhos, como dizem os poetas: o amor é só uma prosa livre, mas o sexo... é pura poesia, como nos atesta Quintana: Quando duas pessoas fazem amor, não estão apenas fazendo amor, estão dando corda no relógio do mundo
            No estremo urbano da BR 404 dobro à esquerda, na Rua Gentil Falcão, e mais adiante avisto outro motel, é o 2 mil, para comprovar minha viripotente tese. No limite de minhas forças físicas passo pelo Bairro dos Patriarcas, onde reside seu Gerardo, um dos três últimos seleiros de artes e ofícios de nossa cidade. Sorvo, de cima da ponte de concreto, as paisagens de uma saudosa goela onde nosso querido Itaim é abraçado pelas milenares pedras do Curtume, e se estreita pela primeira vez como a treinar para seu deslumbrante espetáculo no famoso Cânion, logo mais adiante.
           A Cidade Nova, em adiantado desenvolvimento, me surpreende, é só argamassa, britas, cimento e tijolos em construção. O Insular Bairro da Ilha está quase independente em tudo, livre do restante da centenária cidade. Outra vez diviso o Poti e o transponho como se atravessa historicamente o Rubicão, num trecho seco chamado Rio da Dona Delite. Sei que o tempo é sempre de travessias, e se não ousarmos fazê-las ficaremos para sempre à margem de alguma jornada.  E novamente piso a Frei Vidal, bem na esquina da minha amada Fabrica de Sonho e dou por encerrado este meu longo trajeto, sentindo o corpo cansado, mas o coração feliz por saber que, mais dias ou menos dias, terei pela frente mais uma longa caminhada a percorrer.


Raimundo Candido





José Alberto de Souza disse...

Cheguei junto com você a seu destino,
acompanhei prazeiroso essa caminhada
e fui conhecendo no passo vagaroso
uma longa estirada nesses recônditos
escamoteados pela nossa indiferença
que acesa memória teima em recordar
tantos fatos, diversos personagens
surgindo nos meandros deste trajeto...
Luciano Gutembergue Bonfim Chaves disse...
Raimundo Cândido, caríssimo Raimundinho,
viva as caminhadas, viva o pau Brasil, viva os que procuram guardar, expondo, a memória da cidade. Contudo, neste contexto da introdução do artigo, não sei qual o significado da palavra legítimo poeta do Curral Velho, mas afirmo sem medo de errar que pelo menos outro poeta viveu naquela nação, não sei se reinou, mas refiro-me ao senhor Joaquim Bonfim Filho, Datim Bonfim - não por coincidência meu avô e primeiro mestre em assuntos literários e anedotas populares.
Ressalto: reconheço e considero os versos de Bastiãozinho, inclusive certa feita imprimi alguns de seus versos em forma de "cordel" e lhe presentiei, exemplares que ele distribuiu entre amigos e apreciadores de poesia.
Ressalto 2: Raimundo Cândido, reconheço e admiro o vosso trabalho, apenas não pude calar esta ressalva.
Grande abraço, do amigo
Luciano Gutembergue Bonfim Chaves.


Elias de França Disse...
Acabo de aprender uma diferença entre solidão [só vim anunciar os teus cem anos de solidão] e solitude. Talvez a primeira expressasse a denúncia do "insulamento" que nossa cidade centenária sofrera por parte dos que a deviam cuidar... ou sei lá... só os poetas o sabem. Já nesta solitude, um olhar de raio-X sobre o tempo, os espaços, as suas personagens e as subjetividades... o passado está aí, com toda sua riqueza de detalhes, sua lírica e sua poesia, mas vivemos a aprender desprezá-lo em nome da modernidade. E debalde veneramos um presente e uma promessa de futuro, na mais das vezes, carente de sentidos.
A lamentar? Só uma coisa: não estar tambem esta caminhada nos anais do nosso livro do centenário. Parabens, poeta! Por preencher de sentidos os vazios de nossa inóspita vida!
Grande abraço


Prof Albery Gomes disse...
Raimundinho!
Preciso caminhar, não apenas para perder peso, pois preciso.
Mas para descobrir todas as vias de sonhos, as ruelas do sentimento e as veredas da alma.
Caminhar...
Caminhando com você, não contemplamos apenas o tempo ou paisagens. Mas a brisa e suas façanhas, as qualidades e defeitos do ser, já na chegada concluir que a caminhada não foi em vão, entendendo que o amor é o ponto de partida em qualquer caminhada.
Friso:
amor é só uma prosa livre, mas o sexo... é pura poesia, como nos atesta Quintana: Quando duas pessoas fazem amor, não estão apenas fazendo amor, estão dando corda no relógio do mundo.
Obrigado pelo texto adorei... Parabéns é maravilhosa sua obra.
Feliz Natal! Boas festas.


Ocelio Camelo disse...
Parabéns, Raimundo, por mais essa "Linda caminhada"!!!
E parabéns Crateús, não só pelos Cem anos, mas também por ter você, Raimundinho,
que sabe revelar, com tanta maestria e essa grande essência poética, o retrato da nossa querida
Cratheús...

Epitácio Macário disse...
Puxa vida, que verve desse crateuense Raimundinho. Se não me perco nas possibilidades de conhecimento geográfico, arqueológico, antropológico dessa caminhada, enxergo o mais profundo: uma visão humana, demasiadamente humana, de um povo de uma terra de tardes escaldantes. Este é um escritor por meio de quam a própria terra fala e sua gente diz a que veio. Enriqueceu-me a forma e o conteúdo da caminhada, elevando minha personalidade. Por isso sou-lhe muitíssimo grato, caro Raimundo Cândido - professor.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Encontro das Artes


A Sociedade Amigos da Biblioteca Norberto Ferreira Filho - SABI, PC Cultura é para Todos, tem o prazer de convidar toda a população de Crateús para a abertura da exposição multiarte  Encontro das Artes ocasião em que estará mostrando os trabalhos finais dos cursos de Violão, Canto Coral e Artes Plásticas, desenvolvidos por crianças e adolescentes do município.

Local: Rua do Instituto Santa Inês, 231 - Centro
Dia: 21 de dezembro de 2011
Horas: 19:30h

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

MEMBRO DA ALC NA ABLC

A POSSE DE DIDEUS SALES NA ABLC

A Academia Brasileira de Literatura de Cordel, estará recebendo sábado dia 17 de dezembro de 2011, às 16hs, o poeta e escritor Antonio Dideus Pereira Sales que tomará posse como o mais novo membro da ABLC.
Dideus Sales ocupará a cadeira de nº 33 que tem como patrono Rodolfo Coelho Cavalcante e já foi ocupada pela saudosa Wanda Brauer.
Dideus Sales dirige e edita a revista GENTE DE AÇÃO.
Pertence a União Brasileira de Escritores, UBE-SP; Casa do poeta Lampião de Gás – SP; União Brasileira de Trovadores UBT – RJ; Sindicato dos radialistas do Ceará; Associação Cearense de Jornalistas do Interior, ACEJI.
É membro fundador da Academia de Letras de Crateús cadeira, cadeira 22 que tem como patrono Gerardo Mello Mourão.
O que diz Gilmar de Carvalho, escritor e jornalista, sobre Dideus Sales:
“Dideus continua a cantar seu canto, a encantar seus leitores com suas rimas, sua métrica,
Sua melodia, que tem o lugar para colocar as sílabas tônicas e átonas, e seu universo, que é o público-alvo que almeja e que atinge com seu cantar de aboios, com sua viola imaginária, cruzando o arco da rabeca, falando dos temas eternos, como o amor, a morte, e a terra castigada pelo sol.”
Dideus no poema Auto-Retrato, inicia com os seguintes versos:
“Pra quem não gosto não faço
Visita de Cortesia,
Não sei fingir o sorriso
Quando não tenho alegria,
Nem há em meu coração
Lugar para hipocrisia.”
Dideus com sua rica bagagem cultural, com certeza, virá para acrescentar e enriquecer o nosso quadro acadêmico.

(Dalinha Catunda)

Raimundo Candido disse...

É uma imensurável honra ter, na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, o nosso Dideus!. Parabéns não só a ele, mas a todos nós, crateuenses! Valeu grande Poeta das Gitiranas de Luz! Cada vez mais nos orgulhamos de você!

Luciano Bonfim disse...

Dideus Sales,

"Matuto do pé rachado"
Ave de arribação
"Natureza Paz e Poesia"
Remédio contra a solidão.
Arauto, mensageiro, poeta
"Das flores vivas e mortas"
Das coisas do meu sertão.
Parabéns pelo merecido reconehcimento!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

                                                  CONVITE


15 de dezembro será o lançamento da 2ª Antologia da ACE. Nesta noite de nossa confraternização natalina, será empossada a nova diretoria da ACE para o período administrativo de 15 de dezembro de 2011 a 15 de dezembro de 2013.

Repetindo o mesmo reconhecimento de presença, a ACE entregará a três dos nossos escritores que compareceram a todos nossos eventos realizados em 2011, o Diploma Associado 100%.

Reconhecendo pessoas e instituições que contribuem para a promoção da cultura e valorização da leitura e do livro em nosso Estado, a ACE homenageará com o Diploma Mérito Cultural a educadora Maria Delite Menezes Teixeira, Dom Manuel Edmilson da Cruz, Maria Cleide da Silva Ribeiro Leite, Minzenzzo Feitosa e o Abraço Literário, grupo de leituras do SESC.

Intercalando a programação dessa noite festiva, os momentos poéticos serão interpretados por Lucarocas, Academia Maria Ester de Letras e Leituras, Gevam Siqueira, finalizando com a apresentação musical do compositor Caymã. Após este cerimonial cronometrado, será servido coquetel.

Todos os participantes da 2ª Antologia, com exceção dos beneficiados com a isenção da taxa de 40,00 (quarenta) reais, receberão gratuitamente dois exemplares da Antologia.

A antologia, com 266 páginas, será vendida por 10,00 (dez) reais. Comprar mais exemplares nunca é demais.

Local: Auditório Waldir Diogo, FIEC, Av. Barão de Studart, 1980, próximo ao Carrefour, da Av. Antônio Sales.

Horário: 19h30min.

Traje: SORRISO, PAZ E ABRAÇOS.

                                                       Cordialmente

                         Haroldo Felinto                               Silas Falcão
                           Pres. de ACE                              Dir. de Evento     

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

"Crateús: 100 anos", em Noite Memorável!

O Teatro Rosa Moraes e o Espaço do Quintal com Arte foram, na ultima sexta feira, dia 09 de dezembro, palco de um evento memorável: o lançamento do Livro “Crateús: 100 anos”, produzido pela Academia de Letras de Crateús, abordando a história da Cidade Centenária. Com os dois espaços completamente lotados, escritores, pesquisadores e memorialistas de varias gerações apresentaram à população um belíssimo trabalho de pesquisa histórico-antropológica sobre a Cidade de Crateús. O Evento foi prestigiado também pelo Bispo Emérito de Limoeiro do Norte Dom Edmilson Cruz e pelo Professor Cláudio Regis Quixadá, da Comissão Brasileira de Justiça e Paz da CNBB. Na ocasião foi feita a doação de um exemplar a cada Escola e Instituição Pública e Entidades Sociais.
Diante do excelente acolhimento da obra, a ALC poderá promover, nos próximos meses, o seu lançamento em Fortaleza e em outras capitais do País que abrigam “colônias” de Crateuenses.































quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

LANÇAMENTO DO LIVRO "CRATEÚS: 100 ANOS"

Cultura e Educação em Crateús!

“Com a criação da Diocese de Crateús e a nomeação de Dom Fragoso como seu primeiro bispo (1964), surge na cidade um forte movimento em defesa dos mais pobres. A criação das associações de bairros e o trabalho por elas desenvolvido foram de grande importância para as comunidades mais carentes como enfrentamento às dificuldades historicamente estabelecidas. Neste período muitas foram as ações em prol de uma sociedade mais justa, tais como: a construção de casas e escolas comunitárias, politização e evangelização da população simples e menos informada, mas, principalmente, sua conscientização e organização na luta por seus direitos.” (Karla Gomes)


“Após esse período de estiagem que durou 5 anos (1979-1983), é chegado o momento de alimentar e ser alimentado pela esperança cantada pelo poeta. Por meio da resolução Nº32/83 de 31 de agosto 1982, chega em nossa cidade, com o propósito de modificar a face da região, a Universidade Estadual do Ceará. Passando a funcionar efetivamente no ano seguinte - tornando-se historicamente a primeira instituição a iluminar nosso sertão em um processo efetivo de interiorização do ensino, por meio da implantação de cursos de nível superior. Nesse contexto, impregnado pela cultura retirante dos sem rumo, dos sem letra, dos sem chuva e dos sem trabalho, toma corpo o ensino superior em nossa região, tendo como precursor o curso de Pedagogia da Faculdade de Educação de Crateús – FAEC...” (Nêga)

“Nessa viagem de aprendizagens significativas, faço hoje uma “chamada escolar” destes mestres com elegância, poesia, criatividade e entusiasmo. Uma chamada daqueles que são inesquecíveis porque levam o verbo de uma página para mentes que precisam aprender, acreditando que a proximidade com o divino se deve ao fato de que esses professores, por serem especiais, têm o privilégio de ficarem em nossas memórias apaixonadas, definitivamente.” (Ana Cristina)

“Ir às ruas buscar esse direito é expor à comunidade a lesão que os manifestantes sofrem. É não só denunciar, mas, sobretudo, juntar apoios. É partilhar de seus saberes reivindicatórios e aprender mais no exercício da cidadania, feito às ruas. É aprender e ensinar que o tráfego das comunidades – antes dos carros, dos semáforos e das leis que o regem – é composto por pessoas, e a estas todo o resto está submetido. É perceber que a contramão não está exatamente na placa de seta indicando “em frente cortada ao meio”, mas na ausência de reflexão das tantas faltas necessárias ao desenvolvimento humano pleno, atento aos princípios da igualdade, tolerância, fraternidade, justiça social e felicidade.” (Adriana Calaça)




Outros 100 anos para todos!

                                                   Relojoeiro
O primeiro assunto que nos surge para impulsionar uma conversa afável, em rodas de amigos, é quase sempre sobre o preponderante tempo. Normalmente principiamos pelas aparentes condições meteorológicas: ” —Oh! tempo quente!”, “—O tempo está bom”, “—Acho que o tempo logo vai desabar!”.  Quando não, é sobre uma sucessão que nos envolve, irreversivelmente, formando noções de passado, presente e futuro e que servem, às vezes, de argumentos para velhas desculpas ou para novas mentiras: “—Estive muito ocupado, não sobrou um tempinho sequer, para lhe visitar”, “—Ainda é tempo de reconsiderar!”, “—Como o tempo caminha a seu favor, só o renova e o enriquece!”
            É irredimível, o tempo, por ser eternamente atual, convergindo tudo para um só fim, que é o instante presente, como anuncia em tempo e hora o atemporal Poeta T. S. Eliot: ”Vai, vai, vai, disse o pássaro: o gênero humano não pode suportar tanta realidade, o tempo passado e o tempo futuro, o que poderia ter sido e o que foi convergem para um só fim, que é o sempre presente”.
 É esse fluxo perpétuo e ininterrupto que, aproximadamente, há quatorze bilhões de anos matura o mundo com espirais de poeiras, gases e luzes numa fenomenal força gravitacional compondo uma engrenagem de incalculáveis peças e que funcionam harmonicamente com um infinito relógio. Se há um relógio universal, há o Divino Relojoeiro! O Grande Relojoeiro responsável pela criação e manutenção desta imensa máquina cósmica.
Há, também, uma filosofia do tempo, a matéria-prima de todo tiquetaqueante relógio. Só podemos medir o tempo enquanto ele passa. Não medimos o futuro que não é ainda, nem o passado que não é mais, nem o presente que não tem duração, mas comensuramos uma ilusão que é circundada pelo nada, como a voz humana que começa e acaba em meio ao silêncio.
De segundo em segundo, vamos construindo uma estrada com nossos atos, nossas alegrias, nossos medos, nossas ânsias sem nos tornarmos donos do tempo e nem seus escravos, mas com a certeza de sermos manufaturados pelas horas que os relojoeiros tão bem dimensionam, em fina arte e precisão, nos instantes da longa caminhada humana.   
É uma profissão que exigi paciência, nervos de equilibrista e é para bem poucos que se propõem a exercê-la, por pura vocação. Alguns começam por um curioso diletantismo, mas logo estão conectados, num efeito de magia, àquela estupenda engrenagem de transmissão que gira em sentido horário, dando a impressão que trabalham contra as outras peças, que se movem no anti-horário, mas estão bem conectadas e em harmonia, a mover os determinantes ponteiros. 
O homem sem paciência é como uma lamparina sem óleo, e a serenidade, a perseverança tranquila que pressentimos no luzidio rosto de Seu Carlos Leite que já o iluminava deste aquele dia em que leu na Revista O Cruzeiro uma propaganda sobre um Curso de Relojoeiro por correspondência.  Lá no Distrito de Monte Nebo, seu torrão natal chamado Caldeirão, na Serra da Ibiapaba, consertou o primeiro aparelho, um antigo relógio de parede que pertencia ao Senhor João Mascarenhas. Os relógios de Crateús logo lhe acenaram os ponteiros, convidando-o para vir montar uma oficina.
Aliou-se a uma barbearia com uma banca de conserto, a mesma que ainda usa no seu ponto comercial Grão Duque, na Praça João de Melo Cavalcante, a que tem um nome popular que lembra a idade avançada dos velhinhos. De lá saiu o pão, a poesia e a educação dos filhos e do irmão Raimundo, todos executando, antes de outras atividades, a fina arte de relojoaria. — Os relógios, naquele tempo, eram como jóias, que passavam como herança de pai para filho. Hoje, de cada dez relógios que nos trazem para conserto, a metade volta porque não adianta nem um simples reparo.
Seu Carlos Leite completa 50 anos exercendo a arte da paciência, e o tempo que lhe sobrou gastou agradavelmente interpretando peças teatrais ou confabulado com musas( A Dona Verônica, sua esposa) para a produção de belíssimos poemas, quase sempre de cunho político e social:  “Tem gente falando grosso/ que é um pré-candidato/ mas a lei da ficha limpa/ vai cortar o seu barato/ sua ficha, dita cuja/ se encontra muito mais suja/ do que poleiro de pato.”
O destino de Seu Carlos já estava traçado, era mesmo consertar os relógios, impulsionar o teatro e dar asas a belos versos, em Crateús.
Um antigo relojoeiro é como um médico afastado da mesa de cirurgia, a qualquer instante por ser solicitado a prestar um socorro, como seu Zé Pires que aos 88 anos ainda conserta as Vigorelles e as Singers que embirram nas mãos das costureiras impossibilitando seus cosidos zigue-zagues. Como relojoeiro está parado há algum tempo e lá alguma vez é que o convocam para consertar um cansado relógio de parede, que lentamente volta a respirar no ritmo de um ofegante tempo. Seu Zé descobriu a arte dos relógios como as crianças descobrem as engrenagens dos carrinhos de pilha, por pura curiosidade de uma afiadíssima inteligência. Relembra de quando trabalhava num salão de barbearia com Seu Deusinho, na Rua Santos Dumont quase na esquina da Coluna da Hora.  O freguês chegava pedindo para que o seu Roskopf ficasse a prova d’água e ele logo respondia: — Meu amigo, relógio é para marcar as horas, não foi feito para nadar no Poti, não!
Quem conserta um relógio em dois tempos é Seu Wilson, num Box do Shopping Popular (Shopping Souza Neto), troca o pino de um bracelete, muda a bateria de um automático e os trocados vão caindo na gaveta. Avisa-nos: — A vida de relojoeiro é dura, precisa de muita paciência e concentração, mas dar para garantir o ganha pão e sustentar a família. Começou a trabalhar com Seu Carlos Leite e depois que criou asas levantou um longo vôo solo e, mesmo enxergando com um só olho, domina o dinamismo das máquinas como se fosse com o olhar de uma águia que perscruta o rústico solo do sertão.
Um especialista é um homem que conhece cada vez mais sobre cada vez menos, não deixando de saber sobre o restante das coisas da vida, como o relojoeiro Andre que possui uma coleção de Certificados de Cursos Técnicos de Relojoeiro com respaldo na Terra da Garoa e até na Suíça, o país dos relógios. Mas Andre aprendeu o verdadeiro segredo foi na prática, quando trabalhou com um mestre-professor, judeu e austríaco, que veio escapar das garras de Hitler na selva paulista e lhe passou todas as dicas e manhas dos relojoeiros. Uma vez Andre consertou o relógio que a vaca comeu. O bovídeo esfomeado mastigou a camisa de um leiteiro com um relógio no bolso e Andre teve o privilégio de consertar o estrago que o ruminante fez, mas trabalho especial mesmo foi conserta um magnífico relógio de parede pertencente à Condessa de Matarazzo que ainda deve está dependurado numa parede de uma antiguíssima casa na badalada Avenida Paulista.
Voltando para a nossa bucólica Crateús e caminhando pela Moreira da Rocha, no prédio de Nº 933 e um acabamento por terminar, encontramos a trabalhar em sua oficina do Sr. Zé Maria Camelo, mecânico, pedreiro, carpinteiro e até poderia ser um grande orador, pelas palavras fáceis que saem de sua boca, chega a me parecer um profeta, quando diz: Eu sei ver as coisas!  Zé Maria foi o relojoeiro da antiga nobreza crateuense: o Sr. Deusteth  Albuquerque, o Sr. João Melo Cavalcante, o Sr. José Bezerra, O Sr. Raimundo Machado, O Sr. José Cardoso Rosa, o Sr. Chico Lopes, todos eram fregueses habituais . Foi quem consertou o relógio da Coluna da Hora a pedido da prefeita Leonete Camerino e de lá para cá, pelo abandono no tempo, os ponteiros foram ficando birutas e foi soando 3 horas da tarde bem antes do meio dia, tocando 5 horas da madrugada muito antes da meia noite. Há muito parou!Está a espera da boa vontade de um zeloso prefeito,  que peça ao Seu Zé Maria para consertá-lo novamente, e possamos ouvir  o sino da matriz em harmonia com os badalos da Coluna da Hora nos desejando um Feliz Natal!  
“Mas o mundo mudou, posso sentir na água, posso sentir na terra, posso cheirar no ar”, são as palavras de abertura de um filme de aventura adaptado de um livro de J. R. R. Tolkien que aproveito para fantasiar com os fantásticos relógio de hoje, que também mudaram. Não se ver mais um elegante cidadão puxando uma áurea correntinha do bolso da calça, com um cromado relógio na ponta orgulhosamente a dizer: foi uma herança de meu avô! Após tantas revoluções tecnológicas os relógios aparecem agora na TV, na geladeira, no fogão, no freezer, no carro, no celular e espantosamente me dizem que existe um relógio atômico que mede até o micro milésimo de um segundo pelas oscilações do átomo de césio-133 só para tiquetaquear toda a pressa do mundo, que realmente mudou!
Sim, o mundo mudou...  E eu, embirrento, teimo em não mudar! Por isso vou ficando por aqui, no meu esquecido tempo, com um olhar esmaecido a contemplar a areia que escoa de minha ampulheta de onde também escorrem minhas lágrimas de saudade, que nunca param! E vêm-me, mais uma vez, os doces versos de meu querido poeta Quintana, que me acalma e me diz, mesmo acabando os relojoeiros do mundo, que só a saudade é que fazer as coisas no tempo pararem...

Raimundo Candido

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

LANÇAMENTO DO LIVRO "CRATEÚS: CEM ANOS"

AS LETRAS DE CRATEÚS
Júnior Bonfim: No meio da praça havia um busto. Um busto, robusto, em meio aos arbustos, um organizado labirinto de algarobas que enfeitava a praça principal, a geradora de todas as agendas da urbe. Era a pedra angular, o pátio do povo, a praça, a praça da matriz. Menino sem hino, ainda não havia descoberto a fonte da alegria, a poesia, sempre perto da nossa mais perfeita tradição. Mas sabia, com emoção, que alguma coisa ocorria no meu coração. Sem susto, me intrigava aquele augusto busto. Indagava: quem é este? Respondiam-me: é o doutor José Coriolano de Sousa Lima... Depois descobri tratar-se de um dos maiores gênios da poesia no século XIX.”

Juarez Leitão:... quando o homem regressou, não trazia nem o carneiro, nem o couro e nem um centavo de dinheiro. Com a maior cara de pau, o peralta (que havia vendido o presente e gastado o dinheiro com mulheres e cachaça) afirmou que precisou comer toda a carne do carneiro na longa travessia. E o couro do animal? Onde estava o dinheiro? O homem cinicamente respondeu que não tinha.
A mulher virou uma fera:
‘Não me diga nem de graça
Uma história como esta.
Procede desta maneira
todo homem que não presta.
Eu fico logo é danada
E você não me contesta.’
Mas o marido encerrou a discussão com as razões de sua prepotência:
‘Deixa de asneira, mulher,
vaca não briga com touro!
Cala logo esta buzina
tua zoada de besouro
que carneiro em Tamboril
nesta época não tem couro!’”

Vá e leve toda a turma!
MAIS CEM ANOS PARA CRATEÚS!

domingo, 4 de dezembro de 2011


                                    Poesia na Escola
A poesia brotou na roça e em pleno verão, pelos ardentes versos de Drummond. Voou pelo rústico sertão, livre como um pássaro chamado Quintana. Veio marejando, lá de Portugal, só para se confraternizar com centenas de Curimins-Poetas que recitavam versos de Pessoa, aos borbotões. A natureza transbordou com um olhar de espanto e fascinação com o que ali se viu! Nesta sexta-feira,dia 2 de dezembro a poesia foi arrebatada em êxtase e agradeceu a grandiosa homenagem recebida na culminância do Projeto Literário da Escola de Cidadania Umbelino Alves da Silva, cujo lema é: Educando com experiência, aprendendo com a diversidade e por nossa conta completamos, com muita sabedoria, mas também é a Escola Nota 10 consagrada em prêmios pelo Governo do Estado. Esta localizada no povoado de Curral do Meio no poético Distrito de Curral Velho. A Academia de Letras de Crateús agradece a homenagem recebida e parabeniza o núcleo gestor, os dedicados professores da ECUAS e seus talentosos alunos pelo belíssimo espetáculo literário ( sarau poético) que aqueceu nossos corações.


Albery Gomes( Diretor) disse:
Obrigado pela participação, pelo aplauso e toda emoção que nos fez sentir com suas presenças, desejamos que a academia de letras seja nossa parceira nesse rumo a cultura poética, sabendo que vocês sendo está referencia sejam o remo desta canoa em direção não só a poesia lida mais escrita. Mais uma vez obrigado! E contamos com vocês.

sábado, 3 de dezembro de 2011

VEM AÍ...

O MUNICÍPIO EM SEUS ASPECTOS DEMOGRÁFICOS E SOCIAIS


“Quase todos foram formados de singelos povoados quase sempre às margens de rios ou riacho, com casas totalmente dispersas e muitas vezes subordinadas à casa grande da fazenda, até se constituir em distrito. A aglomeração, o apinhamento de residências mesmo rústicas, o crescimento das atividades econômicas para a sobrevivência exige que o nível de associação avance para maior organização, o que vai mobilizar a política, quando se desencadeia a promulgação de leis municipais que instituem os distritos. Assim, a história de estirpes é contada de geração em geração, do saber avoengo para a erudição do pai e desse à lembrança nostálgica dos filhos. Com o registro cartorial, povoados são tornados reais, passam a ocupar o mapa do município e assim surgem os distritos de Crateús. [...]Buscamos o que foi, para não cair no esquecimento, e o que continua sendo, para que se tenha ideia do que pretende para si e para os seus o homem do interior.” (Raimundo Candido)
..........
Faz-se imperioso reconhecer, desde logo: a situação material de existência miserável da maioria dos habitantes de Crateús os excluiu, objetivamente, durante um lapso temporal centenário, das postulações judiciais perante o Estado-Juiz, às mais das vezes elitista, formalista e plutocrata. A constatada conjuntura local nos remete a uma conclusão romanística, inspirada nos versos de Ovídio, segundo a qual cura pauperibus clausa est, ou seja: também na Terra do Senhor do Bonfim “o Tribunal sempre esteve fechado para os pobres”. (José Arteiro e Isis Celiane)
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... Crateús, ou melhor, o Brasil, fundamentado no Catolicismo, só iria experimentar novas filosofias num tempo bem posterior. De fato, as Igrejas Protestantes que o município possui fazem também seu papel evangelizador. Inicialmente fundou-se a Assembleia de Deus, e assim outras filosofias religiosas passam a existir. De vertentes vinculadas às Testemunhas de Jeová, Evangélicos ou Crentes... Crateús conta com diversos credos cristãos. A cultura africana também é presente em diversas manifestações. Oficialmente, conforme os “pais” ou “mães de santo” que travamos diálogos, existem no dizer deles “3 terreiros”, ou casas de Umbanda...” (Ericson Frabrício)


MAIS 100 PARA CRATEÚS!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Convite aos Acadêmicos

Convidamos os membros da Academia de Letras de Crateús para Reunião, que se realizará no dia 03 de dezembro de 2011, às 17:00h (sábado), em sua Sede, à Rua do Instituto Santa Inês, n° 231 - Centro - Crateús, para deliberar sobre a seguinte pauta: 1) preparativos para lançamento do livro; 2)outros assuntos do interesse da Arcádia.
  

O seu trabalho
não é a pena paga por ser homem,
mas um modo de amar
e ajudar o mundo a ser melhor.

Thiago de Mello

terça-feira, 29 de novembro de 2011

VEM AÍ...


Crateús: As Origens
“[...]provavelmente, lá pelo início do século XIX, num ponto da Serra Grande ou Serra da Ibiapaba, à altura do hoje distrito de Montenebo, no município de Crateús, região centro-oeste do Ceará, vivia um grupo de indígenas abrigados numa furna. Viviam da coleta de frutos e raízes, da pesca e da caça de mocós, cotias, queixadas, jacus e outros pequenos animais. Difícil sobrevivência, principalmente nas épocas de estiagem, quando recorriam à captura de gado que era criado à solta e que, por não terem a mesma noção de propriedade do homem "branco", consideravam como animais de caça semelhantes aos outros existentes naquela região. O gado, no entanto, pertencia ao proprietário da fazenda Bebida Nova cujo dono era José de Barros. Sentindo falta de reses e ovelhas o proprietário mandou investigar e descobriu que os animais estavam sendo caçados pelos índios.” (Luís Carlos Leite)

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"No imenso vale do Rio Poti, que mede 120 quilômetros de largura por 180 de comprimento, predominou a civilização do Couro, pois, a partir do couro, se faziam praticamente todos os objetos necessários à vida do sertanejo, através de um rico artesanato, vez que as áreas para a criação de gado se concentravam no sertão. [...]O município de Crateús é essencialmente de vocação agrícola e pastoril e sua economia, ao longo do tempo, teve como suporte maior o ciclo da carnaúba, com a exportação da cera e o artesanato da palha da chamada árvore da vida. A oiticica, a mamona, o algodão, as peles de caprinos e ovinos, as peles silvestres e o couro do boi foram nossos produtos de exportação durante décadas, mas, hoje, nada mais representam economicamente para o município.
[...]Nestas condições, a cidade está completando o seu centenário em novembro vindouro, e vai, inacreditavelmente, sobrevivendo, com boa parte de sua população ostentando luxuosos carros novos, nacionais e importados, com o comércio aquecido e com grande valorização de seus imóveis. Numa análise perfunctória, diríamos que em Crateús dá-se um milagre econômico, pois a cidade não para de crescer, a construção civil caminha a passos largos e o setor de serviços se mantém em pleno aquecimento. Grandes empresas de eletrodomésticos se estabeleceram na cidade e aqui fazem bons negócios." (César Vale)
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"Quando aqui chegaram, bandeirantes e sesmeiros, como: Domingos Afonso Sertão (Mafrense), Bernardo Pereira Gago, Julião Afonso Serra, Francisco Dias De Ávila, Leonor Pereira Marinho, Vital Maciel Parente e Luiza Passos, trouxeram consigo a força física e o pensamento trabalhado para dominar, não só essas terras, mas o Nordeste.
Esse homem colonial da época caminhava, com firmeza, por atalhos e matas virgens, atravessando rios com suas famílias, Terços e serviçais, que, por vezes, eram acometidos por infortúnios no corpo, na alma e nas ideias." (Cheyla Mota)

"Naquele tempo era comum se conceder terras para serem exploradas, por brancos que instalavam fazendas de gado e exploravam a agricultura. As terras eram cedidas pela coroa dentro dos costumes normais. Os primeiros sesmeiros vinham acompanhados de familiares, agregados e escravos. Estes desenvolviam serviços domésticos e auxiliavam nos trabalhos das fazendas lidando com gado e outros animais. Nenhum direito lhes era concedido e apesar de tudo ainda eram maltratados pelos patrões. Era vasto o território a ser explorado e os fazendeiros pouco se interessavam por elas. Por isto existiam grandes áreas de terras abandonadas. Dona Luiza Coelho da Rocha Passos, baiana da Casa da Torre, interessada em instalar aqui uma fazenda de gado conseguiu com Dom Ávila uma posse destas terras. Instalou a fazenda e deu-lhe o nome de Fazenda Piranhas. Alguns historiadores informam que este nome originou-se por causa da grande quantidade deste peixe no rio Poti. Porém, há outra versão que este nome decorre em razão da localidade Piranhas, em Alagoas, ser a terra dos ascendentes de dona Luiza." (Flávio Machado)

"O imperativo de consciência, de que falamos, pretende-se ao desgosto que temos – assim como vários crateuenses que não tem voz – em se acoplar o nome de Crateús dos Inhamuns. Nada mais falso. [...] Só um dado topográfico já separa os dois regionais: Crateús é sertão. Tauá, um planalto, um platô. A identificação errônea "Crateús – Sertões dos Inhamuns" tem um braço mágico oculto... Trata-se de um plano montado fora de Crateús – extras muros – para o desvio de obras para os Inhamuns. Enfraquecendo economicamente Crateús, quebra-se o status da cidade, como centro irradiador do centro-oeste, e abre-se uma porta larga para políticos às botas, à cata de votos, não comprometidos, tornando Crateús um magnífico, porem, mercado persa, com bancas de botos, vigorando o toma lá, da cá! Como não sabemos conjugar o verbo ter medo, fomos levados a revelar este imperativo de consciência... Permita-nos o leitor uma frase singular, com um toque de ironia e rima, acerca do que acima contestamos: comparar sertões de Crateús ao platô dos Inhamuns significaria também comparar Frei Damião com pneu de caminhão." (Pe. Geraldinho)
UM GRANDE PRESENTE PARA CRATEÚS
Mais 100 para todos os crateuenses!!!