sábado, 22 de outubro de 2011

                                                            O MARAVILHA NEGRA
Há um ditado popular muito conhecido que diz: Todos os frutos do futuro dependem de uma semente que é cultivada neste instante. É uma incontestável verdade, um princípio implacável, que sempre contemplamos no serenar da poeira do tempo: a esperança de todas as colheitas reside no cuidado especial que damos a nossas sementes.
                Na década de 60, numa cidade bucolicamente interiorana, como Crateús, orvalhada constantemente por liquefeitos raios de sol que permitiam o semear da vida aos quatro cantos deste sertão olvidado de meu Deus, a esperança estava embutida em algumas promissoras sementes.   
Uma expectativa é uma aspiração veemente e este vivo desejo caminhava sobre umas pernas compridas rumo ao colégio, no saudoso Externato Nossa Senhora de Fátima, local onde sempre se aguava todas as boas sementes. Já em plena sala de aula, num jovem chamado Pedro, bem sentado em seu banquinho e com o material escolar apoiado numa retangular mesa, fervilha um desejo que lhe governa a índole e dominava o coração. Arguciosamente dissimula como quem nada quer e para escapulir, mas logo era percebido por sua mestra, que de súbito o arguia: — Vai fugindo de novo, Pedro Basílio? A professora, Dona Delite, sabia de sua sujeição à bola, só não acreditava que aquele sonho fosse possível e ainda ordenava:         — Volte Pedro, a gente vence é trabalhando com a cabeça. Aquele menino vezeiro em fugir do seu colégio para jogar bola no campinho do barrocão tinha uma grande aspiração e ia regá-la agora, pois sabia que todo homem é do tamanho do seu sonho e a plantinha tinha que crescer em talento e arte que já se despontava enchendo os olhos de quem assistia seu belo futebol. Ainda olhou, rapidamente, para trás e respondeu a sua mestra: — Mas eu vou vencer é com os pés! E sumiu na esquina do mundo atrás desta concretização.
                Um belo dia retorna à casa da mestra, como um respeitável senhor de sorriso largo e sincero e com uma vistosa foto na mão, vinha confirmar aquela esperança, corroborar o diamante bruto que fora lapidado, mostra a sua imagem na fotografia com ninguém menos que o Rei do Futebol: Pelé. O menino traquina que sempre fugia das aulas, tinha vencido, sim senhor, e pelos seus habilidosos pés.
O mundo sempre recebe o talento com aplausos e alegrias se o artista tem o dom de deslumbrar nossa alma com a dança, com a música, com a pintura, com a poesia, se este artífice é uma mistura de tudo isso, como ocorre nos bons momentos de futebol, aí o espetáculo é de uma beleza ímpar.  O crateuense Pedro Basílio pertence ao rol dos grandes artistas deste esporte bretão acostumado às glórias, aos brilhos e aos belos espetáculos, pois foi o maior colecionador de títulos dos campeonatos cearense. Ídolo querido do Fortaleza Esporte Clube, que o levou do Comercial onde ainda menino jogava descalço, e de lá pulou a patamares mais altos, como para o Botafogo do Rio de Janeiro, o Internacional do Rio Grande do Sul e o Sport Club do Recife encantando platéias e emocionando os corações de todos os torcedores por onde passava.
O jornalista Sílvio Carlos, um de seus grandes amigos afirma: “O Pedro ajudava todo mundo. A generosidade dele era grande. Às vezes, pegava um bicho, em dinheiro, e saia ajudando os vizinhos".  O mesmo repórter Silvio Carlos, que também foi diretor do Fortaleza, conta que depois de testarem uns quarenta substitutos para o lugar do zagueiro crateuense, que estava jogando no time rival, nenhum deu certo, e resolveram passar a perna no Ceará Sporting. Programaram a troca do ponta direita Mazolinha pelo Basilio e o Sílvio ainda tava disposto a voltar uns 500 mil Reais. Antes entregou uma boa grana ao Pedro e pediu que este bebesse uma e outras, e fosse à reunião no dia seguinte, com a diretoria do Ceará, com uma feia aparência de ressaca. Na reunião o Silvio logo foi dizendo:
 — Rapaz, se eu trocar o menino Mazolinha, pelo Pedro Basílio, que está assim neste estado, velho e acabado, a torcida do Fortaleza vai me matar.
 A ingênua diretoria do Ceará caiu na armadinha e ainda foram eles que voltaram 500 mil reais. Deste ano em diante, as faixas de campeão cearense estiveram sempre estampadas nos peitos dos tricolores.
Basílio deixou os gramados da vida depois de 56 anos de pelejar o duro combate pela concretização do sonho do menino que saiu das várzeas do rio Poti e se tornou herói, honrado com o títuo Craque da Era Castelão, pela Crônica Desportiva e pela Secretaria de Esporte e Cultura do Ceará (Sejuv) como o glorioso Pelé foi como o atleta do século, nosso Basílio até virou nome de Troféu.
 Ao menino da Dona Maria Lica, que apanhava da irmã quando abandonava a marmita com seu almoço, para jogar em qualquer esquina, ao pivete bom de bola, que gostava de surrupiar caju nos quintais alheios e logo fugia correndo, já treinando sua típica velocidade, toda nossa imensa gratidão.
Pelo privilégio de ter contemplado o Maravilha Negra, elevando o nome da cidade  Crateús em letras rubras de emoção que brotavam do seu peito, antes mesmo do distintivo do seu próprio clube, numa fina elegância de um extraordinário craque, a desfilar com a bola como se fosse uma amada sua, a obrigação de repassar a esta recente geração, o grande feito de um cidadão.

Raimundo Candido

Jose Albeto de Souza disse:


Suas crônicas são verdadeiros cartões postais de sua simpática Crateús, tão rica de panoramas e tipos humanos, que nos convidam a visitá-la e apreciar a hospitalidade da sua gente.
Numa postagem anterior tomei conhecimento da homenagem prestada a Dª Delite (sua genitora?), também citada nesse relato memorialístico.
Quantas sementinhas não foram regadas através de suas delicadas mãos... 

João Silas Falcão Soares disse:
Bela crônica, Poeta. O seu faro mental continua descobrindo bem. Outro dia do segundo semestre do ano passado assisti uma reportagem sobre o Pedro Basilio triste, moribundo da alma, dos pensamentos e relembrei as alegrias distribuídas pelos estádios brasileiros nos mementos dos seus gols. Rememorei também a sua imagem altiva, vitoriosa na calçada da sorveteria do Lourinho, na Praça da Matriz de nossa cidade, numa noite de natal da década de mil novecentos e setenta e quatro. No final do primeiro semestre deste ano uma reportagem negra, amarga, pôs luto nas residências cearenses. Após tantas alegrias, Pedro Basilio morreu sem nenhum sorriso.

Valeu pela crônica resgate, Raimundinho.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

                                       A Celebração das Andorinhas

As pouquíssimas andorinhas que ainda regressaram à cidade de Crateús nesta estação e que animavam a praça da matriz na manhã de domingo, 16 de outubro, início do horário de verão onde os dias, além de insuportavelmente tórridos, são penosamente esticados, dividiam os canteiros de gramas recém aparadas, pululados de protéicos insetos, com os simplórios bem-te-vis e os irrequietos pardais. Como um autômato, balbuciei mentalmente a saudosa letra da música cantada por Tonico e Tinoco ”As andorinhas voltaram e eu também voltei...”
                Dentro da imponente catedral, com as torres brancas guarnecidas pelos dois vigilantes galos, já entoavam a missa. Celebram a Eucaristia, um dos sete importantíssimos sacramentos católico, no qual, Jesus Cristo se acha presente, sob as aparências do pão e do vinho, com seu corpo, sangue, alma e divindade. Sinto o Deus do vaticano, preso na catedral.
                As andorinhas também celebravam, esvoaçam no ar, num ir e vir incessante adejando rente ao chão, hora em vôos curtos de inquietação, hora nos vôos longos, feito um desafogo, como se a me dizer: “Outrora nos empoleirávamos, afeito miríades,  nestes fios de alta tensão e nas fachadas dos imponentes prédios desta luzidia terra, sempre fazíamos uma grande festa que arrebatava os olhos dos que iam passando. Agora somos como coisas estrangeiras nesta terra que escolhemos, e que nem nos percebem, mas viemos mesmo assim.”
As andorinhas de agora, em Crateús, estão determinadas sempre a retornarem por uma fascinante questão de divina migração. Na busca de alimentos ou fugindo do intenso frio do Hemisfério Norte, migram rumo a um distante Sul, aos bandos. O momento de alçar o vôo é determinado por um sistema glandular, seu relógio biológico como nos diz a ciência, e aí se ativa também o dispositivo de navegação e orientação, um bussolar bico que está ligada a posições do sol e às invisíveis linhas do campo magnético terrestre. Velozes, voam à luz do dia e praticam a alimentação aérea, caçando apetitosos insetos em pleno vôo e para tal desenvolveram um corpo afilado e asas relativamente longas como um vivo torpedo, propício a uma navegação aérea de longo curso.
Quantas desatinadas noites e quantos denotados dias, neste imenso percurso de impensáveis quilômetros extenuados, devoraram para poder celebrar o sublime sermão da montanha nas margens do rio Poti, num esforço heróico de desafiar todas  as possibilidades e mostrar que nenhum intrepidez é em vão.
Enquanto no imenso templo branco o sacerdote encerra a celebração dominical, abençoando os fieis que se dispersam rumo a suas casas e que passam pela louvação das andorinhas, mas não percebem o belo sermão reeditado mais uma vez na catedral da natureza, só contemplado pelos felizardos e excêntricos áugures que ainda há por aí. Rezam as andorinhas, num hino de alegria:  “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros, e Vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas? Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura? E pelo que haveis de vestir, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como crescem, não trabalham nem fiam; contudo vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? Ou: Que havemos de beber? Ou: Com que nos havemos de vestir? Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso. Mas buscai  primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal, branco ou preto.
                Abaixo a cabeça e também sigo meu penoso caminho pressentindo o despertar de minha migração, mas vendo naquelas inspiradas andorinhas o Criador do Universo, o Doador de toda vida e toda fé, que se agacha a minha pequenez para alegrar meu coração, nesta quente manha de verão.

Raimundo Candido

José Aberto de Souza disse...
Que preciosidade de linguagem, tão iluminadas imagens nessa extraordinária prosa poética.

Os livros estão sempre sós


Os livros estão sempre sós. Como nós. Sofrem o terrível impacto do presente. Como nós. Têm o dom de consolar, divertir, ferir, queimar. Como nós. Calam a sua fúria com a sua farsa. Como nós. Têm fachadas lisas ou não. Como nós. Formosas, delirantes, horrorosas. Como nós. Estão ali sendo entretanto. Como nós. No limiar do esquecimento. Como nós. Cheios de submissão ao serviço do impossível. Como nós. 

Ana Hatherly

domingo, 16 de outubro de 2011


PROF.ª DELITE E OS SERVIÇOS PRESTADOS A CRATEÚS.

Vera Lucia Teixeira Fernandes[1]

 Crateús, cidade centenária do sertão oeste cearense, conta com vários filhos ilustres e briosos que prestam grandes serviços e ajudam a construir a história do lugar. Alguns se destacam na gestão política, outros, na cultura, ciências, judiciário, e na educação como a professora Maria Delite Menezes Teixeira, sem esquecer todos os que aqui residem e fazem o cotidiano, tornando a cidade mais receptiva, alegre e agradável de morar. Crateús tem dado saltos de qualidade, que passa em especial pela educação. Entre os muitos Professores que ajudaram educar os filhos da terra está dona Delite de quem vou registrar alguns fatos e tecer algumas considerações.
Trata-se de uma educadora original pelo modo simples de ser, mas, sobretudo pelo valioso trabalho oferecido aos crateuenses, sendo considerada por alguns “utilidade pública”. Muitos crateuenses passaram por seus ensinamentos e orientações. A professora mantém até hoje vínculos com ex-alunos que sempre lhe visitam, presenteiam e apresentam-na aos filhos como uma professora excepcional que ensinava de forma entusiástica, embora fosse severa nas cobranças dos resultados aprendidos.
 Aluno defasado na idade exigida pelo ensino público oficial tinha que avançar no tempo e assim fazer dois anos em um, aprendendo os conteúdos necessários para o Exame de Admissão, passagem para o Curso Ginasial. Os alunos do Externato primavam por saber ler, escrever, interpretar, descrever, somar, diminuir, multiplicar e dividir.  Para isso havia sabatinas de tabuadas, de sinônimos, de leituras de textos fora dos livros de classe.  Sua escola recebia grande número de jovens sem oportunidade de escola por ser da zona rural, está fora da faixa etária e não ser aceito na rede pública. Delite tinha visão pedagógica para além do seu tempo, pois não se limitava ao ensino teórico, preocupa-se com a prática dos conhecimentos, preparava o aluno para a vida, para o crescimento da pessoa e do cidadão com valores morais e éticos. O aluno tinha que se profissionalizar e assim trabalhava a vocação profissional.
Delite colou grau como professora normalista no Instituto Santa Dorotéia, ou Colégio Sagrado Coração, em Fortaleza em 1939 quando recebe do Governador Dr. Menezes Pimentel a nomeação para ser professora no Grupo Escolar Lourenço Filho, onde exerceu o magistério até o final de 1953. Logo em 1954, funda sua Escola Particular, o Externato Nossa Senhora de Fátima e aí trabalha até o ano de 1988, depois de 48 anos de doação ao magistério.
Coordenava no Externato, durante o mês de maio, as novenas homenageando N. S.ª de Fátima, quando os alunos mesmo de outros credos acompanhavam com respeito e admiração, compreendendo a postura ecumênica. Após cada novena os alunos cantavam, recitavam e ouviam da mestra recomendações para mudança de vida, tais como: não brigar com os irmãos, respeitar os pais, fazer gentileza a um ancião, dar ajuda a um necessitado. A vivência do mês de maio está na lembrança e ações de muitos ex-alunos que dão depoimentos de testemunho cristão, recordam as lições aprendidas na Escola e associam manifestações de solidariedade e amor às recomendações do mês de Maria.   Dona Delite é uma pessoa caridosa, cheia de compaixão, resoluta em suas ações, destituída de vaidades e sabe ser irmã dos necessitados.                  
Em 1988 por problema de saúde e por ordem médica afasta-se da escola que tanto ama, onde realizou seu ideal de mestra. Sua escola não dava lucro, pois além da mensalidade ser módica, havia muitos alunos que recebiam dispensa de pagamento porque os pais tinham dificuldades financeiras, eram do meio rural. Outros eram parentes e também não pagavam e, assim, as filhas não viam condições de dar prosseguimento aquele Estabelecimento de Ensino. Resolve a diretora escrever uma nota de esclarecimento sobre a decisão de fechar as portas do Externato, lida na Rádio Educadora comunicando a decisão e solicitando aos pais que procurassem outra escola para os filhos. Dr José Almir Claudino Sales, Prefeito de Crateús, ex-aluno da escola, ao ouvir a nota vai conversar com D. Delite e faz-lhe uma grande surpresa anunciando que a Prefeitura encamparia a Escola, quando o Externato passa a ser Escola Municipal. Os prefeitos sucessivos mantêm a decisão, quase todos também ex-alunos do Externato, como Dr. Francisco José Bezerra e o atual prefeito Dr Carlos Felipe Bezerra.  
Delite é viúva de Raimundo Cândido Teixeira e mãe de 11 filhos, a maioria comprometida com a educação. Tem recebido diversas homenagens e prêmios de reconhecimento pelo que realizou em especial o da Prefeitura, da Câmara Municipal, do Colégio Vitória, da Carnofolia de 2003 pelo Bloco Maravilha e Carreteiros, do Edmilson Providência em livro e CD, a quem muito agradece  e se sensibiliza. Embora seja retraída e não se sinta a vontade para ir às festividades solenes de entrega das homenagens, comenta com familiares e amigos sobre a deferência recebida. Delite não mede esforços para responder entrevistas de ex-alunos, de mestrandos e doutorandos que a procuram. Recentemente, procurada pelo jornalista Edmar Soares, de Brasília, dentro das comemorações dos 100 anos da cidade, concede entrevista que causa repercussão no site da Prefeitura, com mais de 400 comentários de crateuenses que revelam o amor e a importância dessa cidadã. O que comprova ainda sua lucidez e entusiasmo aos 93 anos, na forma de encarar a vida, a escola e a cidade de Crateús com muito otimismo.
Registro esses comentários em nome de todos os filhos que têm a mãe como liderança familiar e pessoa notável que colaborou na construção da história da cidade centenária de Crateús.   
Crateús – CE. 02 de outubro de 2011


            Francisco A Pinto disse:
Dona Delite como é conhecida, mas para mim, PROFESSORA Delite. Sinto muito orgulho de ter sido seu aluno, como professor que sou, agradeço por seus ensinamentos, que guardarei em minhas lembranças para sempre. É com muito prazer que faço este pequeno comentário, visto a grandeza desta extraordinária mulher. Após 30 anos, estive em Crateús em 2003, e fiquei maravilhado com a lucidez desta mulher. Fiquei trinte, pois o Externato Nossa Senhora de Fátima não existia mais. Desejo a Dona Delite os mais sinceros votos de felicidades e muitos e muitos anos devida. Um grande abraço. E parabéns a aos membros da Academia. Prof. Me. Francisco Antonio Pinto.


[1] Aposentada do ISSS, Membro da Academia de Letras de Crateús

DOM JACINTO – SEGUNDO BISPO DE CRATEÚS
Vera Lúcia Teixeira Fernandes1

        Jacinto Furtado de Brito Sobrinho um maranhense inteligente, culto, organizado, fervoroso, amante da Eucaristia e confiante no Poder e Intercessão de Nossa Senhora, a quem confia seu pastoreio. Foi ordenado Bispo da Diocese de Crateús em 24 de maio de 1998, depois de longa vivência de 22 anos como Pároco de São Benedito em Pedreiras – MA e quatro anos como Reitor do Seminário Interdiocesano Santo Antonio de São Luis – MA. Trás no coração e experiências forte vivência hierárquica e clerical de Igreja. Os carismas e dons que recebeu como atributos do Espírito Santo, a vida de oração e a convicção de ser fiel ao apelo do Senhor nesta missão, faz desse Pastor um incansável Servidor e tem deixado marcas indeléveis em nossa Diocese. Não mede esforços para proporcionar ao seu rebanho a confiança na Imaculada Conceição, nossa grande Mãe intercessora e a certeza de que só Jesus tem respostas para nossas buscas. Zeloso e dedicado a tudo que se refere à Evangelização, Liturgia e Comunicação está sempre atento a nos ajudar no crescimento da Fé.
       Grande incentivador das Pastorais e Serviços, e com a criação de novos grupos de oração ajudou a muitos perceberem seus talentos e aptidões na partilha dos dons, tendo uma vida de mais compromisso na Igreja e Comunidade, assumindo a graça recebida no Santo Batismo. Esta conscientização de Fé arrastou multidões que em carismas diversos louvam a Deus e servem a Igreja de Crateús, assumindo com vida nova o ser sacerdotal e missionário. Sua força mariana possibilitou por duas vezes a visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, vinda de Portugal e em 24 de maio de 2008 consagrou nossa Diocese à Virgem Imaculada Conceição, a quem confia sua intercessão.
        O Lema de Dom Jacinto para conduzir seu pastoreio e orientar suas decisões é: “Senhor por tua Palavra lançarei as redes (Lc.5,5)”.  Incansavelmente tem incentivado vocações sacerdotais e religiosas e orientado caminho para que nossa Igreja tenha cada vez mais ótimos padres e exímios cristãos. Como bom reitor mantém em Charito-Ipueiras, uma Casa Vocacional onde rapazes recebem orientações e estudos para discernimento da Vocação Sacerdotal. Orienta seminaristas da Diocese em Fortaleza e Belo Horizonte e para mantê-los criou o Grupo Mãos Unidas pelas Vocações. São amigos da Diocese e de outros Estados que conscientes da grandeza em colaborar com a formação dos Seminaristas auxiliam com oração e doações generosas para manutenção desse grupo. Os primeiros seminaristas eram jovens de outros Estados e a cada ano cresce o número de vocacionados filhos de nossa Diocese motivados pela determinação de Dom Jacinto e efeitos da intercessão contínua pela oração.   Em maio de 2011, ordenou três padres da Diocese e os primeiros Diáconos Permanentes, fato inédito na Diocese. Quatro senhores casados e conscientes de sua missão na Igreja recebem a Ordenação Diaconal e se tornam aptos ao Serviço da Igreja.
         Dom Jacinto é o primogênito do casal Pedro Furtado de Brito e Maria Inez Ribeiro de Brito, grande colaboradora da Diocese no que diz respeito à Legião de Maria. Nasceu em Bacabal - MA aos 16 de junho de 1947. Foi ordenado em 15 de Janeiro de 1972 também em Bacabal e logo em seguida Pároco de São Benedito em Pedreiras, permanecendo 22 anos. Em 18 de fevereiro de 1998 foi nomeado Bispo de Crateús e recebe a Ordenação Episcopal em 24 de maio do mesmo ano.  
Crateús – CE. 02 de outubro de 2011


DOM FRAGOSO – PRIMEIRO BISPO DE CRATEÚS.
Vera Lucia Teixeira Fernandes1

       Antonio Batista Fragoso nasceu em Teixeira, na Paraíba. Esse homem de fé, convicção, coerência, ideal e de ações foi o primeiro bispo de Crateús. Optou por ser pobre e assim viveu até a morte. A opção pelos pobres determinou suas ações e o fez coerente a vida toda. Era um homem culto, dinâmico, perspicaz, simples e franco. Tentou se aproximar da vida de Jesus Cristo, pois se dedicou aos pobres e necessitados, fez da vida um Evangelho vivo. A pobreza de sua casa em Crateús e em João Pessoa, onde viveu os últimos anos testemunhava sua santidade e causava admiração àqueles que privavam de sua companhia. Alguns amigos sensibilizados com a carência de bens materiais básicos e outras necessidades ofereciam-no ajuda, quando ele respondia: “precisa não meu irmão, tá muito bom assim”. Faltavam-lhe dinheiro e coisas básicas, mas viveu com muito entusiasmo e alegria, mostrava-se um homem feliz.
Direcionou a vida e a intelectualidade ao serviço dos pobres, dos excluídos, enfrentando com grande coragem e posicionamentos frente à sociedade burguesa, aos militares, pois viveu à época da ditadura de 1964, e teve que enfrentar poderosos, governos e opressores que confundiam a vivência do Evangelho com comunismo. Assim, encarou com ousadia a repressão dos anos da Ditadura Militar, em defesa dos injustiçados, e dos militantes da diocese que o seguiam. Defender a classe operária consciente de seus direitos e deveres, erguer a voz na luta por dias melhores para os oprimidos o deixava muito feliz. Costumava dizer que “o medo que tinha era o de ter medo”. Os agricultores, trabalhadores urbanos, desempregados encontravam no bispo grande apoio para a luta sindical. Privilegiou comunidades de base, sindicatos, associações de moradores, agricultores, prostitutas, negros, desvalidos e analfabetos, dando-lhes condições para se tornarem sujeitos de suas histórias. Sua catequese passava pela formação da consciência, na busca de uma vivência mais fraterna. Lutava pela justiça social, era a favor da paz e não violência. Suas idéias semelhantes às de Cristo, pareciam subverter a ordem da sociedade individualista, segregada. Em 2004, aposentado e residindo na periferia de João Pessoa, responde em entrevista ao Diário do Nordeste “subversivo era a realidade que eu denunciava”.
        Escreveu alguns livros mostrando o rosto da Igreja de Crateús que a comparava com o rosto dos sertanejos sofridos, afirmando que neles se esconde o rosto de Deus. E que a estrutura econômica e política que esmaga e escraviza o povo pobre é incompatível com o Evangelho. Trabalhou 34 anos na Diocese de Crateús, de 1964 a 1998, tendo como sucessor Dom Jacinto Furtado de Brito Sobrinho.
        Primogênito dos seis filhos do casal José Fragoso da Costa e Maria José Batista Fragoso, nascido em 10/12/1920. Ordenou-se Sacerdote em João Pessoa - PB, em 02/07/1944 e Bispo, também em João Pessoa, em 30/05/1957. Foi assistente da Juventude Operária Católica - JOC, no Nordeste de 1947-1957 e iniciou o serviço episcopal como Bispo Auxiliar de Dom José Medeiros Delgado, em São Luís - MA, de 1957- 1963.  Nomeado 1º Bispo da  Diocese de Crateús, em 1964 onde permaneceu até 1998, vivendo as diretrizes e as ações de uma Igreja Popular e Libertadora.
      Foi Profeta da contemporaneidade. Como bispo adotou a Mística Bíblica quem toca no Rebanho, toca no Pastorsendo essa a motivação, a força que o conduziu como Pastor Diocesano cuidar em especial das ovelhas fragilizadas.  Faleceu no dia 12 de agosto de 2006, aos 86 anos, deixando um legado na consciência e no coração dos crateuenses, e uma história de Igreja dos pobres, que inaugura a Diocese de Crateús e a faz conhecida no mundo todo.
Crateús – CE. 02 de outubro de 2011