sexta-feira, 9 de abril de 2010

A PUBLICAÇÃO DE UMA OBRA, O NASCIMENTO DE UM POETA

ROGERLANDO GOMES LANÇA LIVRO EM CRATEÚS
O LANÇAMENTO: TEATRO ROSA MORAIS, CRATEÚS
Encontro você no lançamento de meu livro de estréia CHÃO INAUGURAL, dia 17 de Abril / 2010, 19H30 no TEATRO Rosa Morais - Rua Francisco Sá, s/n°, Crateús, Ce.

A OBRA: Chão Inaugural

O livro foi dividido em três partes. Em todas, o poeta expõem-se e o que o inquieta: suas dores, os homens, os governos, a poética e a política.
Na primeira parte, os poemas são como que uma janela através da qual se entreve um “entrevado”: o iluminado.
Na segunda parte, Termos, o poeta, em peças curtas e discursivas dedica-se a perorar, atrás de grafar as “palavras mais irresistíveis”.
Na terceira parte, com poemas de temáticas diversas – infância, política, o mundo, enfim, suas inquietações –, o poeta encerra o livro indicando o desafio que a poesia épica representa nestes tempos de lirismo fácil: captação e escritura desta era de turbina.
O AUTOR : Rogerlando Gomes Cavalcante - Ano de nascimento? É o correspondente a 400 depois do ano da primeira edição (de 1572, produzida em casa do impressor António Gonçalves, de Lisboa) da obra máxima e fundante da língua – e poesia – portuguesas, Os Lusíadas, de Camões, no qual o Brasil é referido uma única vez. Aliás, essa “coincidência”, pode, quiçá, ser um bom augúrio poético, ou um acaso meramente simbólico: a publicação de uma obra, o nascimento de um poeta.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

(RAIZ DO) POEMA: TEOREMAS PRA NOS TANGER E OUTRAS ESQUISITICES

Este é o novo livro do poeta Raimundo Candido,
que será lançado no dia 16 de abril de 2010
O título já suscita grande curiosidade sobre como
um professor de ciências exatas
tece a teia incerta e inexata da poesia.
Esquisites?
Teoremas?
sensações?
Coisas de poeta mesmo.
So vendo para conferir!
Prestigie!

EXPEDIENTE DO ABSURDO - Rogerlando Gomes

Da americana República Federativa do Brasil
O mais farsesco e, brasileiro, mais latino – e ladino –
Presidente, essa terra assistiu cuspir – Cuspiu
Glórias inverossímeis e, por sabedoria, pus e desatinos.


E se não nos, porque a mim, não, vos representou.
Vossa soberba, vossa empáfia, vossa sagacidade,
A vos que dele e por ele e nele e ele também espelhou
À arrebatadora miséria de impronunciada felicidade.


Ouvi rumores de risos de despossuídos – e lautos – vindos
De fóruns, da caatinga, das matas, de alagados,,, rumores de continental
E de incontida global satisfação de mesmerizados indivíduos
Que vislumbraram grandezas, a negarem-se à pequenez do que real.


Esse real que feito de medidas humanas ao surreal
Das coisas apenas em palavras constantes desfaz
E impacta assim muito mais e definitivamente tal
Só a Natureza por si sobre nós e sobre si mesma se faz.


Da metamórfica República Federativa do Brasil
Não espero nada que não seja assim fantástico,
Que não fascine o mundo: uma cuspida no rio
Do presente que congele o universo e degele o ártico.


E o absurdo disso tudo não surge nem vem do Oriente
Nem lá da África, ou irrompe cá no Ocidente ou ali na Oceania
E, se é com o que me atrito, não advém de gente, mesmo e se, rente,
O absurdo é do mundo – e humano, e deles meu expediente e poesia.

POETA RAIMUNDO CÂNDIDO LANÇA NOVO LIVRO

O poeta professor Raimundo Candido lança, neste dia 16 de abril o seu novo livro: "poema(raiz quadrada de), teorema pra nos tanger e outras esquisitices²". A noite de autógrafos ocorrerá no CEJA, a partir das 20:00h.
O CEJA Professor Luiz Bezerra está situado na Rua Luiz Chaves de Melo, 530, Bairro Cidade Nova, proximo a passagem molhada que dá acesso ao Bairro das Cajás.
Todos estão convidados a prestigiarem mas essa invençao da literatura de nossa Cidade!

domingo, 4 de abril de 2010

TARDE URBANA


Tarde Urbana, extensão harmoniosa,
Quanta bondade eu queria possuir
Para estender-me sobre o pomar
De teu largo peito silencioso.

Deixa que venha e passe, Tarde Mansa,
Dentro da casa do meu sonho,
Toda clareza sem medida,
Toda a prática mal pensada,
Todos os passos feitos de infância,
Todos os vôos cheios de azul,
Todos os destinos que tiveram
Por pétala somente o Pão,
Por rumo apenas a Liberdade.

Traz a mim, Quadro Cristalino,
Terra Dura, Barro de Afeto,
Os castigos que mais te doeram,
as visitas que mais te alegraram,
tuas reconstruções mais felizes,
a brasa que mais te ardeu
durante o Fogo do Combate
e a música que aprendeste
da Bandeira Vitoriosa!

Dá-me, ó Pensativa Tarde Calma,
De água secreta e sino parado,
Que sentes o peso do Dia
E sabes a espera da Noite,
A borboleta de Luz sobre o leito,
O horizonte que ninguém imaginou,
A ponte invisível que liga
O morro dos lábios da União
Ao coração da estrada da Amizade.

Que na minha contemplação
Estejam presentes o estouro distante,
Os raios áureos do teu ocaso,
A flor germinal, a rosa organizada,
O sol que banha as palmeiras,
As folhas que conspiram escondidas,
As pedras que se plantam nos rios,
O dínamo que movimenta os seres,
O edifício construído na areia
Mas que eu possa sentir, sobretudo,
O humano sorriso ... sobre tudo.

Arvore Pura, Tarde Urbana,
Vivei em mim e sobreviverei
Á minha própria morte,
Cantai para mim e caminharei
Com a estrofe mais bela da Terra,
Subi comigo e voarei
Pelos espaços da alegria perene,
Oferece-me tua Paz nua e terei
Um amor mais amplo que o infinito!
(Júnior Bonfim, in Poesias Adolescentes e Maduras)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

OPORTUNIDADE PARA LANÇAMENTO DE LIVROS

Caros Colegas da ALC
A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará está divulgando o Edital do Prêmio Literário para Autor(a) Cearense 2010, visando estimular a produção e valorização dos autores e editores radicados no Estado do Ceará, promover a circulação do livro, preservar o patrimônio literário, incrementar a produção editorial estadual e regulamentar as inscrições para apresentação de propostas e seleção de projetos em Literatura e Cultura em 14 (quatorze) categorias.
São elas:
Prêmio Caetano Ximenes Aragão, de Poesia inédita;
Prêmio Jáder de Carvalho, de Romance inédito:
Prêmio Moreira Campos, de Conto inédito;
Prêmio Milton Dias, de Crônica/Memórias inédita;
Prêmio Rachel de Queiroz, de Literatura Infantil e Juvenil inédita;
Prêmio Alberto Porfírio, de Literatura de Cordel inédita;
Prêmio Otacílio de Azevedo, de Reedição;
Prêmio Eduardo Campos, de Dramaturgia inédita;
Prêmio Braga Montenegro, de Ensaio e/ou Crítica literária inéditos;
Prêmio Guilherme Studart de Ensaio sobre Tema Cultural inédito;
Prêmio Luiz Sá, de Álbum em Quadrinhos inédito;
Prêmio Manoel Coelho Raposo, de Publicação de Selo Editorial;
Prêmio Edigar de Alencar, de Publicação de Revista Literária/Cultural;
Prêmio J. Ribeiro, de Publicação de Álbum/Livro de Arte.
O Valor do prêmio varia de R$ 4.285,71 a R$ 2.857,14, conforme a categoria, mais publicação. As inscrições podem ser feitas no período de 18 de fevereiro a 31 de março de 2010. Maiores informações:http://www.secult.ce.gov.br/categoria1/premio-literario-para-autores-cearenses/Edital%20de%20premios%20literarios.pdf

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O FISCAL E OS ROMEIROS - de Elias de França

Eu lá estava para ganhar R$ 2 000,00:
o mínimo!
Eles, por uma graça e porque pagaram R$ 200,00:
o máximo!
Eu de pé às duas para zelar o erário público,
no máximo;
eles ao chão às duas porque o erário público não os zelou,
no mínimo.
Eles são felizes ou infelizes?
...
No mínimo.
Eu também,
no máximo!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

REPENSANDO O MEMORIAL


O mês de janeiro, precisamente o seu terceiro dia, assinala o natalício do maior gênio militar brasileiro: Luis Carlos Prestes. O gaúcho de Porto Alegre, aparentemente frágil na compleição física, era um verdadeiro gigante na estatura moral. A sua fulgurante trajetória - semeando os sonhos mais profundos da alma humana - o imortalizou como o “Cavaleiro da Esperança”.

Apenas para pontuar a força de seu dínamo mobilizador, no remoto 15 de julho de 1945, recém-libertado da prisão imposta por Getúlio Vargas nove anos antes, ele conseguiu lotar o estádio do Pacaembu, em São Paulo. Mais de 100 mil pessoas se acotovelavam para ouvir a voz do líder.

Sua fala contundente hipnotizou o público, que só o interrompia para calorosos aplausos. Na ocasião, o poeta maior das Américas, o chileno Pablo Neruda, leu uma saudação poética que encerrava assim: “Peço silêncio à América da neve ao pampa / Silêncio: com a palavra o Capitão do Povo / Silêncio: que o Brasil falará por sua boca”.

Prestes foi o principal insuflador da germinação libertária no Brasil do século passado. Liderou a maior cruzada cívica da história brasileira: a Coluna Prestes. Através dela, tocou as regiões mais lúgubres e as feridas mais sensíveis da pele da Pátria. Reacendeu e espalhou a tocha de uma sociedade mais justa e mais bela. O padre Geraldo Oliveira Lima, o cearense que mais pesquisou o assunto, nos oferece um parâmetro para aquilatar sua real dimensão: “A Coluna Prestes superou a marcha de Mao Tse-Tung, em número de quilômetros e em sacrifícios. É a maior marcha da Idade Moderna, e um símbolo de valores como ética e justiça. E Crateús é uma referência da passagem da Coluna pelo Ceará”.

A terra apadrinhada pelo Senhor do Bonfim galgou destaque por ter sido palco do único combate das forças revolucionárias. Geraldinho pontua em uma de suas obras sobre a passagem da Coluna através do Ceará: Frutuoso Lins, jovem em janeiro de 1926, narrou que quando o relógio bateu 3h “reboou uma saraivada de rifles e fuzis”. Lins explicou que João Calixto, guarda da Estação, revelou a euforia dos revolucionários no local: “Entre 4 e 5 horas da manhã, corriam eles pelas calçadas cantando ‘Mulher rendeira’ e gritando ‘Queima Chicuta’ e batiam com o coice do rifle nas portas da Estação”. O infante Gerardo Mello Mourão, assustado com o barulho da batalha, escondeu-se debaixo de uma mesa. Foi um confronto carregado de contorno épico. Isso conferiu a Crateús status de protagonista no enredo da Coluna.

Tive o gáudio de, na gestão do ex-prefeito Paulo Nazareno, ter integrado o grupo que participou da arquitetura reflexiva de um Projeto que visava resgatar e registrar esse singular fato da vida local. Àquela época, meados dos anos 2000, mobilizamos importantes segmentos da intelectualidade local e estadual discutindo esse desenho memorial. Lembro de uma produtiva reunião, realizada nas dependências do Estoril, na Praia de Iracema, quando compareceram vários próceres da esquerda cearense. As sugestões fluíam de modo cadenciado como a onda do mar à nossa frente.

Recordo que, em sua original concepção, o Projeto contemplava uma gama de ações distribuídas em três frentes:

1. Edificação de um Marco em homenagem à Coluna em local de grande visibilidade, preferencialmente na entrada da cidade.

2. Tombamento da Residência onde o Capitão Pretinho, disfarçado de mendigo, fora identificado e transformação daquele espaço em um Centro de Documentação e Registros da História da Coluna Prestes, reunindo ali um amplo acervo de pesquisa e informação. Tudo isso sob a coordenação da Universidade Estadual do Ceará – UECE/FAEC.

3. Construção de uma Praça, no Campo dos Vencedores, no bairro Ponte Preta, em homenagem aos membros da Coluna que tombaram em Crateús.

Dessas três ações, apenas uma se concretizou. Há cinco anos, em 14 de dezembro de 2004, foi inaugurado um marco à Coluna na Praça da Estação. É o quarto do Brasil. Único no Ceará assinado pela grife de Oscar Niemeyer. Quando miro essa obra, fincada em local impróprio, fico imaginando o quanto ignoramos sua importância histórica. Parece que é apenas um irrelevante espigão de concreto. Quase ninguém se detém a perscrutar sua significação simbólica. Até porque inexiste sequer uma pequena placa descritiva do Marco.

A praça está sendo objeto de reforma. Se tivesse ocorrido uma discussão prévia com a população, esse poderia ser o momento de recolocá-lo em local mais adequado.

É hora, também, de ressuscitarmos esse debate. Requalificando-o. Repensando-o na direção de sua contribuição ao futuro. Pois exemplos de dedicação, heroísmo e compromisso com as mais elevadas causas sociais precisam ser ressaltados.

A saga da Coluna Prestes, com seus arroubos equivocados e seus rumos certeiros, constituiu o mais expressivo movimento nacional rumo ao império da justiça e ao reino da liberdade.


(Por Júnior Bonfim – na edição de hoje do Jornal Gazeta do Centro-Oeste, Crateús, Ceará)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Isto é uma vergonha!"

"Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras.
O mais baixo na escala do trabalho."
Hoje não liguei a TV, não ouvi o rádio, nem quis saber da internet. Atitudes preconceituosas e desrespeitosas como a de Bóris Casoy me envergonham, atingem em cheio o meu orgulho de ser brasileira. Ligar a TV é ter que dar de cara com uma burguesia arrogante e desmedida, que embora se sustente na força do trabalho dos homens simples, ao fazer uso de uma hipocrisia disfarçada de generosidade, se apresenta a eles como solidários.

A mídia no Brasil é porta-voz da elite, nela a classe trabalhadora não tem espaço, se aparece na TV é para protagonizar a miséria e as mazelas sociais, para serem os coitados que os programas sensacionalistas necessitam para que seus apresentadores e patrocinadores sejam generosos. A miséria no Brasil dá IBOPE.

Mas um dia alguém se esquece de apertar um botão, de desligar um fio, de apertar um parafuso, e sem querer vem à tona quem verdadeiramente se esconde por trás da aparência solidária dos homens da TV. Foi assim, quase sem querer, que Bóris Casoy mostrou sua verdadeira face, que se confunde e se mistura a face de toda burguesia, a quem garis são simplesmente lixeiros, que ofendem pelo simples fato de aparecerem num jornal desejando felicidades ao povo.

Não fecho os olhos à hipocrisia de meu País, mas muitas vezes tenho vontade de fazer o que diz a canção de Renato Russo, porque “... se o mundo é mesmo parecido com o que vejo, prefiro acreditar num mundo do meu jeito.” Nele garis são heróis, enfrentam todos os dias a indiferença das pessoas nas ruas e colhem de lá toda sujeira que depositam.

Lamento que a sujeira maior os garis não possam limpar, nem colher como lixo, porque esta está na mente perversa dos homens.

É como Renato Russo que eu me pergunto: “Que País é esse?”

Isis Celiane

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O Tempo
Aldo Costa

Dizem que o tempo não volta
Porém, eu volto no tempo
Pro tempo em que todo tempo
Tudo ou nada era igual
Corria descalço na várzea
Tomava banho de rio
Passatempo de moleque
Ignorava fome e frio.

É... dizem que o tempo não pára
Porém, eu páro no tempo
No tempo em que tinha tempo
Para sonhar e amar
Sonhava com um mundo melhor
Um mundo em tempo de paz
Primeiro amor aflorava
E eu me entregava demais.

É... dizem que o tempo não corre
Porém, eu corro no tempo
No tempo capitalista
Não posso ter contratempo
Do tempo, somos escravos
Não dá prá temporizar
Na ciranda financeira
Falta tempo para amar!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Corre veloz o tempo
Escapando aos dedos de quem sonha tanto
Os anos passam, passam ligeiro
São como os ventos passageiros
Curando dores, enxugando pranto

Já não vejo o mesmo rosto
Não tens mais aquela face
Teu olhar agora acalma
Parece encher-lhe a alma
Como se nada mais lhe faltasse

Há somente um sentimento
Não é tristeza nem felicidade
É um vazio que não é solidão
Parece alcançar longe a imensidão
É sim uma enorme saudade

Do que ficou para trás
Do que foi sonhado e vivido
Do que não tivemos
De quem nem conhecemos
Do que foi fácil e sofrido

Saudade não é solidão
Às vezes nostálgica lembrança
É pesar pela ausência
De tudo que deixa sua essência
Porque deixa também a esperança

Esperança não é espera
É fé que se movimenta
Impulsiona o homem sempre adiante
Ele é dos tempos viajante
Somente a esperança o alimenta

E corre veloz o tempo
Escapando aos dedos de quem não insiste
Os anos chegam, logo vão embora
Não há certeza senão o agora
Mas sem fé ninguém vive, apenas existe

Isis Celiane

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

FLÁVIO MACHADO


Primeiro, um apelo aos representantes do povo no Legislativo da minha terra: aprovem, com aclamação e louvamento, à unanimidade de votos, um título de Cidadão Crateuense para Flávio Machado e Silva.

Ele apenas nasceu na bíblica Palestina (hoje distrito de Novo Oriente), que pertencia à antiga freguesia de “Pelo Sinal”, atual Independência; porém toda a sua caminhada histórica foi trilhada em Crateús. Todos os registros da sua memória primária se concentram na terra do Senhor do Bonfim, onde passou a residir desde os três primeiros setembros de vida. Sua alma é um monumento comemorativo às pessoas, aos lugares e às cousas da cidade que ama. É um dos raros nobres da nossa ex-Príncipe Imperial.

Ao beijar a cidade de Crateús, o rio Poty se bifurca e, como um bolo atraente, uma coroa de terra emerge: é o bairro da Ilha. Quando Flávio abre o filme das recordações, a primeira imagem o remete ao espaço de ternura desenhado pelo rio. E, em especial, àquele caminho constituído por dormentes de aroeira, trilhos de ferro e uma passarela cerimoniosa, imponente e primorosa que liga o bairro ao restante da urbe: a ponte de ferro.

Flávio é daqueles cuja infância esteve indelevelmente vinculada ao som do trem e à magnitude da ponte. Incorporou às veias do coração o hábito dos bons ferroviários: amar o trabalho sereno, cultivar a velocidade constante e andar sempre nos trilhos. Descobriu e cultiva a liturgia da rotina. Na música Caminhos, Raul Seixas e Paulo Coelho fazem uma peroração sobre a rotina: “E você ainda me pergunta: /aonde é que eu quero chegar, /se há tantos caminhos na vida /e pouquíssima esperança no ar! /E até a gaivota que voa /já tem seu caminho no ar!” Segundo o comercial do perfume, “a rotina do destino é a certeza. Toda rotina tem a sua beleza”. Esse apego à rotina, no entanto, nunca significou acomodação. Pelo contrário. O filho do casal Izauro Machado Portela e Antonia Silva Machado desde cedo revelou pendores para a atividade intensa. Sertanejo de clara e gema, ainda criança criava galinha e vendia os ovos para juntar dinheiro. Após o curso primário na Escola da D. Delite, tomou assento no trem e foi estudar em Sobral, no Seminário Diocesano São José.

Em que pese ser uma figura compenetrada, descobriu que se sentia melhor com o blusão de leigo do que com as vestimentas clericais. Voltou aos bancos escolares crateuenses e, na Escola de Comércio, concluiu o Curso Técnico de Contabilidade. Estudante ativo, militou no Grêmio Clóvis Beviláqua, onde começou a alinhavar artigos para o jornal O Estudante. Integrou a Juventude Estudantil Católica – JEC – e incursionou pelas ondas sonoras da radiofonia, compondo a equipe da única emissora da região, a Rádio Educadora de Crateús, onde apresentou programas como “Sertão do Ceará” e “Discoteca do Fã”. (Anualmente, era promovida a festa para a escolha da Rainha dos Radialistas. A eleita de 1968, Izabel Morais Barros, foi por Flávio desposada e lhe deu quatro filhos: Izauro Neto, Elizabeth (Betinha), Eliane e Flaviana).

Sua imagem de compenetrado virginiano e comedido torcedor do Fluminense só se transformava quando era convidado a entrar em campo como jogador de futebol. Aí virava um verdadeiro tufão: aonde ia arrastava tudo e arrancava com a bola até o gol. Ganhou, por isso, o apelido de Caterpillar, numa referência à famosa multinacional fabricante de máquinas pesadas.

Membro de uma geração dedicada ao labor e ao estudo, varava madrugadas à luz de um candeeiro de petróleo preparando-se para concursos públicos. Sem maiores dificuldades, foi aprovado nos certames que enfrentou para ingressar nos quadros da Associação Nordestina de Crédito e Assistência Rural – ANCAR-CEARÀ, do Banco do Nordeste e Banco do Brasil. Optou definitivamente por este último, onde assumiu destacadas posições até atingir o posto de Gerente Geral.

A aposentadoria, no ano de 1995, foi apenas um detalhe, dês que continua em embalada atividade, pois considera que “a ociosidade atrofia a mente e o corpo”. Rui dizia que “oração e trabalho são os recursos mais poderosos na criação moral do homem. A oração é o íntimo sublimar-se d'alma pelo contato com Deus. O trabalho é o inteirar, o desenvolver, o apurar das energias do corpo e do espírito, mediante a ação contínua de cada um sobre si mesmo e sobre o mundo onde labutamos”.

Flávio ora e labora. Homem de fé, colaborou no Conselho de Assuntos Econômicos da Diocese de Crateús exercendo o cargo de ecônomo.

Além de tocar, com o irmão Antonio, a Casa Comercial Santo Antonio, herança paterna, administra uma empresa rural que trabalha com frango de corte, criação de ovinos, bovinos e suínos.

Às filhas Edite e Larissa, da sua união com a professora Lindalva F. de Carvalho, sua atual companheira, dedica todo o tempo livre. Porque, além da intensa atividade empresarial, continua a labutar com vigor juvenil, reservando espaço para o estudo e a produção literária.

Como Roberto Marinho, que fundou a Rede Globo após ter completado sessenta anos de idade, Flávio encara novos empreendimentos após virar sexagenário. Alimenta quinzenalmente a Coluna “Crateús de Ontem” e lançou, no último dia 05 de dezembro de 2009, o livro “Crateús, lembranças que aquecem o coração”, um conjunto de belas crônicas sobre a vida florida e espinhosa de personagens reais que, na comuna dos seus amores, tocaram o badalo do sino do progresso. É, também, um dos fundadores da Academia de Letras de Crateús – ALC, onde ocupa a cadeira número 04, cujo patrono é seu ex-reitor Dom José Tupinambá da Frota.

Que continues, bom companheiro, seguindo as paralelas da rotina transparente, sob os auspícios da serena crença, no ritmo equilibrado da decência, aquecendo os nossos corações com as lembranças do passado e sempre atento ao apito inconfundível do trem do futuro!


(Por Júnior Bonfim, publicado na Revista Gente de Ação e Jornal Gazeta do Centro-Oeste)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Plágio a Clarice...

Falso Plágio à Clarice

Não és tu a outra parte que faltava...
Então não posso dizer que:
Jamais vai habitar em meu coração...
E nunca vou murmurar a frase:
Eu quero o teu amor por toda vida
estou certo de que
não te quero por não me preencheres...
Logo, não posso estar convencido de que:
és minha vida, meu ar, és meu coração...
Não posso negar o fato de que:
Tu me fez sofrer e me causou tristeza!
Então é justo não querer dizer:
Eu te amo!
( LER DE BAIXO PARA CIMA)
Por Éricson Fabrício

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A lua e Maria
Aldo Santos

Lua cheia Oh! lua cheia
Que clareia a escuridão
Ao surgir por trás da serra
Ilumina meu coração
Lua que a terra veste
Com teus raios de cristais
Não te zangues, mas tem algo
Que prá mim brilha muito mais

São os olhos de Maria
Quando cruzam com os meus
Não tem noite sem estrêlas
Quando estou nos olhos seus
Lua cheia Oh! lua bela
És o encanto do sertão
Não te zangues, me entenda
Falo com a voz do coração

Os teus raios prateados
E os olhos de Maria
Me encantam e me fascinam
dia e noite, noite e dia
Lua, rainha da noite
És de Deus grande magia
Teus raios me iluminam a noite
Noite e dia os olhos de Maria

A lua do Céu
Beleza irradia
Teus olhos Maria
São estrêlas do dia

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

"LEMBANÇAS QUE AQUECEM O CORAÇÃO - FLAVIO MACHADO

Eis um novo livro escrito em nosso chão e sobre esta terra. Da lavra de quem, pelo menos há seis décadas, vive a calejar os pés nas superfícies de barros, areias, pedras ou lamas que o rio Poti trouxe ou levou de suas encostas; retinas hexagenárias a fitar, gravar e sobrepor os cenários de cotidianos movidos e demolidos nos dia-e-noite, das pessoas e dos lugares ao tempo.
Os lugares são a cidade de Crateús; as pessoas, o seu povo; o tempo é quase um século; e o homem... bem, o homem parece menino ainda, despido de malícias, de lá de sua pequena estatura, a desferir um enxergar que a tudo vê, maravilhado ou pasmo, como que a recortar cenas de vida real para tecer seu álbum de figurinhas.
E é assim, de forma modesta, nostálgica doce e pura que Flavio Machado nos apresenta no seu “Lembranças que aquecem o coração” mais de meio século da historia de Crateús, do modo, creio, mais adequado de se contar historias, que é a partir da observação da vivencia e dos desdobramentos dos fatos no dia-a-dia das pessoas.
Alem do rio com seus poços, apelidos, encantos, fúrias e prantos, pode-se ler: chegada e partida do trem nessas terras, como crença de progresso; auroras e ocasos de instituições, escolas, veículos de comunicação; vindas e idas de personalidades da história local, cujos nomes ainda se lêem alguns nas placas que substantivam às ruas e, sobretudo, muitos relatos acerca de pessoas comuns, simples e típicas que compuseram o cotidiano da cidade nos últimos 60 anos.
Livro assim é bom que se tenha ao alcance da mão, na biblioteca ou na cabeceira. ‘Aquecer o coração’ com memórias é uma oportunidade impar de dar aos nossos jovens a chance de compreender como seus ancestrais fizeram acontecer o que ontem foi e hoje é, para assim melhor se pensar no como fazer o que será.


Elias de França – Presidente da Academia de Letras de Crateús - ALC